Erva Daninha Iniciativa Anti-Domesticação



Domingo, Novembro 22, 2009 :::





Helping Myers - Parte 2
Um olhar anarco-primitivista contra a doutrina da domesticação espiritual de Paulo de Tarso



Efésios 6:10
"No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder."


O caso da igreja de Efésios é de relevância, é nela que Paulo expõe o resumo de toda sua mitologia, é como uma carta-lição de retórica aos seus seguidores, nela Paulo declara a invalidação da lei de moises, teologia da predestinação, homogeinização e burocratização da igreja, submissão das mulheres, submissão as autoridades e toda a sorte de sua loucura. Quando fala em corpo de cristo é estabelecendo a hierarquia-corpo do sacerdocio da nova doutrina pagã.
Atinge de maneira rude e baixa as boas obras, chamando-as de fonte de vaidade, imputa a graça imaginária para tentar inquestionar a supremacia sacerdotal. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; (Efésios 2: 8-9)

Creio que o leitor ja neste ponto, esteja bem ciente das astucias paulinas. De fato são afrontas contínuas.

Romanos 8:20
"Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,"


Paulo, o mesmo que mandou que calassem a boca das mulheres (1 Timoteo 2:11-12). Qual o medo de Paulo da natureza da relação entre as mulheres e Deus?
O que são os homens para ditarem as mulheres como se relacionar com Deus?
Paulo, o mesmo que incentivou a prática antivida, antinatureza e antiDeus da castidade, o distanciamento do amor entre homem e mulher. (1 corintios 7)


Myers também coloca que "Apesar da prisão da moderna teologia cristã à ética protestante do trabalho, o caráter bíblico do Sábado (incluindo a teologia da graça de Paulo) privilegia o ser sobre o fazer, a celebração sobre o trabalho, e a dádiva sobre a possessão - novamente ressonante com a sabedoria indígena no que diz respeito a ecologia física, social e pessoal."

O ser e fazer são inseparáveis. O ser é a sua obra. A teologia ( palavra cristã para fariseismo) da graça de Paulo é a antitese deste saber, é a dissociação do ser e fazer, é a distorção reinante nestes dois mil anos de cristianismo.
Myers ataca o trabalho alienado na sociedade de massas, "celebração sobre trabalho", A sociedade de massas nao existemn sem trabalho alienado. E sobre o 'trabalho' nas entre os indigenas sabemos que a sociedade primitiva, sociedade sem Estado, não possuem a necessidade de produção de excedentes, não encaram "tarefas produtivas" (caçar e colher) como " tarefas produtivas", ato de viver não é fragmentado, é como uma sensação de vida constante, sem interrupçoes, o brincar se mistura com o aprender que se mistura com o fazer. Marshal Sahlis, Tim Ingold, Pierre Clastres, John Zerzan e Bob Black são fontes deste conhecimento.

Guardar o sábado é uma clara oposição prática aos valores pagãos, que tem o domingo como dia sagrado.
Guardar o sábado é uma ordem pós queda do paraiso. Em nosso passado coletor-nomade-sem-divisao-de-trabalho nao existia dissociação do ser e fazer, eramos caminhantes constantes da vontade de Deus. O trabalho foi uma consequencia de termos abandonado as leis de Deus (Genesis 3:19). Guardar o sábado não é só uma medida antiproducionismo, nesta medida está uma reconecção, um dia para meditar e servir a Deus. Um dia em que sua substancia deve se derramar para os outros dias.

Into the wild?

Myers citando a importância de se retirar da civilização, como o fez Jesus e muitos outros amigos de Deus, também afirmou que Paulo se retirou ao deserto, que lamentavel comparação. Aqui eu faço a acusação de que Paulo, aquele incansável, dedicado e cruel perseguidor dos seguidores de Yeashua, apenas saiu de cena e se preparou para levar a sua tarefa anti-messias a um grau mais refinado: A mentira da sua cegueira! O eclipse de dois mil anos de cristianismo, tapando a luz do messias.
Ouem são as duas testemunha de Paulo? quem escreveu Atos? Que cabimento tem acreditar nessa mentira costurada, o Livro dos Atos? Deveria se chamar o livro dos Atos de Paulo. Talvez este seja o seu titulo original. Um texto escrito por um dos seus discipulos.
Discipulos que parecem ter feito um otimo trabalho na falsificação do que conhecemos como as duas cartas de Pedro.

Paulo into the Lies

As acusações contra Paulo não são novas, sempre foi um acusado este homem vão.
Suas cartas são suas denuncias (7), são provas de que a divisão, a confusão e o escurecimento de espirito são o seu projeto. Este homem tirou o sorriso da humanidade por dois mil anos.

Olhando agora com novos olhos para a falível construção do Novo testamento, a hipótese mitologica da ressurreição (1 corintios 15) não pode continuar ofuscando a vida, o exemplo e os ensinamentos de Yeshua.
As fontes de verdade não podem depender de titulo de canonicidade, mas sim do fato de conter a verdade. E oremos a Deus para tirar a confusão de nossos olhos e podermos enchergar a verdade.
"Porque todo aquele que pede, recebe. Quem busca, acha. A quem bate, abrir-se-á." (Mateus 7:8)

Conclusão Anarco-primitivista
Yeshua aquele que falava face a face, Paulo aquele que emite decretos a distância (esse detrator do corpo deve bem saber que o corpo fala).

Yeshua, este homem ensinava nas praias, nos montes, entre as árvores, ao ar livre usando exemplos de flores e pássaros para anunciar a realidade imediata do Reino de Deus. O Reino dos céus é agora.
Este judeu palestino estava face a face com as pessoas. Para que acreditassem nele não precisava se justificar com titulos, se autoproclamar " eu sou o messias", "eu nao minto" para que acreditassem nele.
Pronto para responder com a verdade levou seu modo de vida até as ultimas consequencias, pois não tinha medo "daqueles que matam o corpo mas nao podem matar a alma." A sua identidade era a sua vida, o seu exemplo, as suas palavras, e a suas ações. Não veio ''salvar'' a humanidade, veio mostrar a humanidade como viver.

Enquanto que Saulo, o Paulo, é o homem dos decretos a distância, se colocava detrás de cartas e de seus agentes, usado a distância como seu modo de ação, "Suas cartas, dizem, são imperativas e fortes, mas, quando está presente, a sua pessoa é fraca e a palavra desprezível." (2 corintios 10:10). Distância é o reflexo da sua missão, sua missão é o distanciamento. Tomemos distância de Paulo!

"Senhor, é tempo de vós intervirdes, porque violaram as vossas leis". (8)

Erva Daninha - iniciativa anti-domesticação

notas:

* O Anarco-Primitivismo e a Bíblia -Ched Myers

1. Eclesiastico, ou Sabedoria de Sirácida, livro cujo o anti-semita e seguidor fiel de Paulo, Martinho Lutero retirou da Biblia. o motivo talvez seja por ser um livro de sabedoria escrito por um judeu tambem de nome Jesus.Um livro que ensina "Não digas: A misericórdia do Senhor é grande, ele terá piedade da multidão dos meus pecados, pois piedade e cólera são nele igualmente rápidas, e o seu furor visa aos pecadores."
Por um motivo parecido Lutero quase tirou Thiago da Biblia, pois Thiago contradiz a doutrina da "fé somente" de seu mestre Paulo.

2. Jesus chamava pelo arrependimento dos pecados: "Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento." (Lucas 5:32 )

3. Em 1 Tessalonicenses 2:14-16, Paulo escreve : "Com efeito, irmãos, vós vos tornastes imitadores das igrejas de Deus que estão na Judéia, das igrejas de Jesus Cristo. Tivestes que sofrer da parte dos vossos compatriotas o mesmo que eles sofreram dos judeus, aqueles judeus que mataram o Senhor Jesus, que nos perseguiram, que não são do agrado de Deus, que são inimigos de todos os homens, visto que nos proíbem pregar aos gentios para que se salvem. E com isto vão enchendo sempre mais a medida dos seus pecados. Mas a ira de Deus acabou por atingi-los."
Em uma nota marginal da Bíblia da Editora Ave Maria - Edição 119ª - Página 1512, em referência ao versículo 16 desta passagem, está escrito: "Atingi-los: porque os judeus eram agora rejeitados por Deus."

4. Martinho Lutero em seu escrito intitulado "Sobre os Judeus e Suas Mentiras" escreve: "Em primeiro lugar, suas sinagogas deveriam ser queimadas... Em segundo lugar, suas casas também deveriam ser demolidas e arrasadas... Em terceiro, seus livros de oração e Talmudes deveriam ser confiscados... Em quarto, os rabinos deveriam ser proibidos de ensinar, sob pena de morte... Em quinto lugar, os passaportes e privilégios de viagem deveriam ser absolutamente vetados aos judeus... Em sexto, eles deveriam ser proibidos de praticar a agiotagem [cobrança de juros extorsivos sobre empréstimos]... Em sétimo lugar, os judeus e judias jovens e fortes deveriam pôr a mão na debulhadeira, no machado, na enxada, na pá, na roca e no fuso para ganhar o seu pão no suor do seu rosto... Deveríamos banir os vis preguiçosos de nossa sociedade ... Portanto, fora com eles... Resumindo, caros príncipes e nobres que têm judeus em seus domínios, se este meu conselho não vos serve, encontrai solução melhor, para que vós e nós possamos nos ver livres dessa insuportável carga infernal – os judeus."
Em seu livro Why the Jews [Por Que os Judeus?], Dennis Prager e Joseph Telushkin escrevem:
"[...] os escritos posteriores de Lutero, atacando os judeus, eram tão virulentos que os nazistas os citavam freqüentemente. De fato, Julius Streicher argumentou durante sua defesa no julgamento de Nuremberg que nunca havia dito nada sobre os judeus que Martim Lutero não tivesse dito 400 anos antes."
Julius Streicher, um militar alemão, proeminente oficial nazista antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Ele publicava o jornal nazista "Der Stürmer", o qual se tornaria parte da máquina de propaganda nazista. Chegou mesmo a publicar livros infantis anti-semitas, incluindo um chamado Der Giftpilz (O cogumelo venenoso). Foi um dos principais responsáveis pelo ambiente racista, xenófobo e anti-semita na Alemanha, que acabaria por culminar no Holocausto. Julius Streicher argumentou durante sua defesa no julgamento de Nuremberg que nunca havia dito nada sobre os judeus que Lutero não tivesse dito 400 anos antes.
Ao executarem seu primeiro massacre em larga escala, em 9 de novembro de 1938, no qual destruíram quase todas as sinagogas da Alemanha e assassinaram trinta e cinco judeus, os nazistas anunciaram que a perseguição era uma homenagem ao aniversário de Martinho Lutero.

5. Hitler, em seu livro Mein Kampf, considerou Lutero uma das três maiores figuras da Alemanha, juntamente com Frederico, "o Grande", e Richard Wagner, .

6. Victor Garaffa. The Pauline Conspiracy .http://www.interfaith.org/articles/pauline_conspiracy/

7. Paulo em suas cartas nunca citou um fato da vida de Jesus, pois qualquer exemplo prático de Jesus derrubaria toda sua doutrina.

8. Salmos 119:126







Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:33 PM













Helping Myers - Parte 1
Um olhar anarco-primitivista contra a doutrina da domesticação espiritual de Paulo de Tarso


Sempre nutri uma desconfiança em relação as cartas de Paulo. Sempre me perguntei, por que elas estão lá? Não é Jesus o messias? Por que então seguem ensinamentos de Paulo? E tais ensinamentos são tão contraditorios ao de Jesus! Confesso que antes da tradução do texto de Myers* nunca parei para realmente ler e conhecer a doutrina de Paulo, mas isto por um motivo que considero de extrema importância, a leitura de Paulo é maçante e desagradavel, eu desistia de sua leitura logo nas primeiras linhas. Isso me deixava ainda mais desconfiado, pois ao ler outros livros contidos na Biblia, como por exemplo Salmos, Eclesiastes, Provérbios, Marcos, Jó, Daniel, Eclesiastico (1), Tiago, Jonas, Genesis e outros, tais livros esquentam o meu coração, me sinto ser alimentado com sabedoria de Deus, a composição destes livros são agradáveis, ao ler tais livros um senso de beleza é despertado, um contentamento de estar vivo e participante da criação inevitavelmente emerge, sua leitura me instrui e enconraja a corrijir meus passos.
Em Paulo, isto não acontece, em Paulo voce contempla um mundo amaldiçoado, a negação da vida, palavras inquisidoras e morbides, mentiras e hipocrisias, misturas descabidas e maliciosas das Escrituras (Romanos 9; 10), é a mentira construida de maneira meticulosa, fonte de instrução para os torturadores do espirito, dos escurecedores do entendimento, dos parasitas da humanidade. Paulo e a sua criação é uma abominação.

Ao traduzir o texto de Myers, fiz com a intençao de compartilhar em portugues um ponto de vista importante, pois Myers fez interessantes comparações entre o anarco-primitivismo e a Biblia, citando historias de personagens biblicos presentes em cenarios naturais e em comunicação direta com Deus, tambem apontando os principais pontos do pensamento anarco-primitivista e suas similiridades na Biblia. Porém, em seu texto contém citações de Paulo. Não deixei de traduzir, pois ainda não tinha a noção de quão Paulo é a antagonico a Yeshua e a Deus. Agora inteirado da doutrina de Paulo e de seu projeto domesticador, sei o quanto ele é inimigo da vida e dos ensinamentos de Yeshua e faço questão de apresentar este antagonismo, usando citações presentes na colaboração de Myers, certamente uma colaboração com intenções de ensinar sobre um modo de vida justo aos olhos de Deus, porém falha ao colocar Paulo entre as fontes de justiça e sabedoria.
Paulo trava uma guerra pela separação entre fé e obra, esta é a doutrina de Paulo, é a mentira que divide a vida, que nos separa de nossos corpos, uns dos outros, da terra e de Deus. Paulo praticou o que podemos chamar de fascismo espiritual, a domesticação pelo espirito e o definhamento do corpo.

A seguir usando as passagens que Myers usou de Paulo apresento argumentos que denunciam as intenções domesticadoras de Paulo.

Hebreus 13:12 "E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta."

A base da doutrina do cristianismo é o sacrificio e a ressurreição de Jesus, é o argumento pelo qual as atenções devem ser direcionadas, o suposto sacrifico de Jesus pelos pecados da humanidade. Que paganismo! Jesus não falava que veio se sacrificar pelos pecados da humanidade (2), porem, este é o conteudo de toda carta paulina e da epistola aos hebreus. Ignora-se quem foi Jesus, o que ele viveu e o que ele disse. É o que caracteriza a doutrina paulina, a separação da fé e da obra, temos apenas que crer que Jesus ressucitou no terceiro dia apos sua morte e subiu aos céus (Romanos 10:9) . Através desta mitologia pagã reciclada ignora-se toda a vida de Jesus, sua mensagem e o modo de vida que levou aos fariseus e sacerdotes se pertubarem, a temerem o fim de suas existencias e assim condenar Jesus a morte.
Ora, se Jesus veio anunciar o Reino de Deus a unica coisa que ele aboliu foi toda especie de sarcedote e mediação espiritual (Jeremias 31: 33-34). A unica 'mediação' que deixou foram seus ensinamentos e seu modo de vida, "eu sou o caminho, a verdade e a vida." (João 14:6) Se Jesus veio abolir algo não foi a lei nem os profetas, ( o que Jesus confirmou e Paulo insistentemente ensina ao contrario), o que Jesus aboliu foram os sarcedotes (Mateus 15:7-9; 18: 1-5; 21:21-22).
O esforço daquele que escreveu a Epistola aos Hebreus é em garantir a ordem das coisas, o sacerdócio, o fariseismo, agora sobre o dogma do sacrifico de Jesus pelos pecados da humanidade e da ressureição.
Temos aqui um paralelo com o anarco-primitivismo, somos contra a hierarquia, especialização e a divisão de trabalho, assim como Jesus (mateus 10:26-27; 11:25-30; 12:50; Marcos 9:33-41).

Hebreus 11:1 "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem."
Hebreus 11:38 "(Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra."


O autor de Hebreus no capitulo 11 descorre sobre a fé de diversos personagens Biblicos e sistematicamente exclui a natureza da obra justa destes.
É o caminho reto (obras) unido da fé que agradou a Deus e fez de Noé e Abraão seus amigos. Tal doutrina que separa a fé da obra domestica o espirito (fé) e definha o corpo (obras).
Um antidoto a esta deturpação que exalta a fé sem obras está em Tiago 2:19: "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem."
E em Mateus 7:21: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que FAZ a vontade de meu Pai" (grifo meu)

Romanos 8:35-39
"Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor."


Foi exatamente Paulo com a sua doutrina que nos separou dos ensinamentos e exemplos de Jesus. Nas palavras de Paulo temos sua propria acusação:

Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores. (1 Coríntios 4:16)
"Sede meus imitadores, como também eu de Cristo." (1 Corintios 11:1). Paulo sutilmente se colocando como mediador, eis a astúcia de um sacerdote.
"E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor" (1 Tessalonicenses 1:6) Aqui novamente Paulo, o astuto.
"Sede também meus imitadores" (Filipenses 3:17)
"Irmãos, rogo-vos que sejais como eu" (Galatas 4:12)
"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema." (Gálatas 1:8 )
"Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." (Gálatas 1:9)
"Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho." ( 2 Timóteo 2:8 )

Cruzadas cristãs, inquisição católica e protestante, holocaustos, genocídios, guerras religiosas, dissenções e separatismo, exploração sexual e abusos cometivos pelo clero e religiosos cristãos contra crianças e e pessoas indefesas (Mateus 18:5-6), anti-semitismo ( de Paulo (3), Lutero (4) a Hitler e seus seguidores(5)), escravidão, alienação espiritual, punição e tortura, autoflagelação, castidade, entre outras incontáveis abominações contra a vida e a Deus.
Nunca tamanho escurecimento do espirito humano, e definhamento da vida apareceu na face da terra, nunca houve tantas calamidades, genocidio e destruição frutos do império de uma "fé".
Nao seria a historia e o fruto da cristandade a abonição predita pelo profeta Daniel? Hitler, leitor assiduo de Lutero, resume seu feito em uma frase, afirmando que o que ele fazia aos judeus era "o que a igreja tem feito por 1.500 anos"
A doutrina de Paulo foi o combustivel para todas estas abominaçãos praticadas neste planeta nos ultimos dois mil anos. Em 1 corintios 5, Paulo fornece a lenha e o fogo para as fogueiras da inquisição catolica e protestante:
"Ouve-se dizer constantemente que se comete, em vosso meio, a luxúria, e uma luxúria tão grave que não se costuma encontrar nem mesmo entre os pagãos: há entre vós quem vive com a mulher de seu pai!...E continuais cheios de orgulho, em vez de manifestardes tristeza, para que seja tirado dentre vós o que cometeu tal ação!
Pois eu, em verdade, ainda que distante corporalmente, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim se comportou.
Em nome do Senhor Jesus -, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de nosso Senhor Jesus -,
seja esse homem entregue a Satanás, para mortificação do seu corpo, a fim de que a sua alma seja salva no dia do Senhor Jesus.."

Jesus, a quem devemos ter como exemplo, a quem UNICAMENTE temos que ter como mestre (João 14:6), em João 8: 1-11 nos dá seu exemplo e sua a sabedoria:

"Dirigiu-se Jesus para o monte das Oliveiras.
Ao romper da manhã, voltou ao templo e todo o povo veio a ele. Assentou-se e começou a ensinar.
Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério.
Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério.
Moisés mandou-nos na lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes tu a isso?
Perguntavam-lhe isso, a fim de pô-lo à prova e poderem acusá-lo. Jesus, porém, se inclinou para a frente e escrevia com o dedo na terra.
Como eles insistissem, ergueu-se e disse-lhes: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.
Inclinando-se novamente, escrevia na terra.
A essas palavras, sentindo-se acusados pela sua própria consciência, eles se foram retirando um por um, até o último, a começar pelos mais idosos, de sorte que Jesus ficou sozinho, com a mulher diante dele.
Então ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?
Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Disse-lhe então Jesus: Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.

Sejamos como Jesus.


Gálatas

Galatas é a carta de sua autodenuncia, Paulo indica para qual "evangelho" veio.

"De fato, não há dois {evangelhos}: há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo.
Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. (Galatas 1 7-8)

"Bom, só existe um poder que no céu e na terra que desafiaria amaldiçoar os anjos de Deus. Paulo não só desmascarou a si mesmo, mas o poder que esta por detras de sua missão. em um mesmo folego de tinta, ele amaldiçoou os apostolos, ao Senho Deus, aos anjos de Deus e Seus ministros"

Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! (galatas 1-9)" (6)


-Segundo Ched Myers "Paulo clama por um radical não-conformismo contra os códigos culturais dominantes da civilização romana (Romanos 12:1-2)":
" Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."


Myers, como ignorar isso?

O mesmo Paulo na mesma carta afirma "Cada qual seja submisso às autoridades constituídas, porque não há autoridade que não venha de Deus; as que existem foram instituídas por Deus.Assim, aquele que resiste à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus; e os que a ela se opõem, atraem sobre si a condenação.." (Romanos 13: 1-2)

Myers, como ignorar isso?

"O demônio levou-o em seguida a um alto monte e mostrou-lhe num só momento todos os reinos da terra,
e disse-lhe: Dar-te-ei todo este poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero.
Portanto, se te prostrares diante de mim, tudo será teu.
Jesus disse-lhe: Está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e a ele só servirás" (lucas 4: 5-8, grifo meu)

Qual é o deus de Paulo?

1 Coríntios 15:45
"Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante."


No versiculo que encerra este raciocinio Paulo investe alto na separação entre corpo e espirito.O que significa investir alto na separação entre Terra , Deus e humanos.
"O que afirmo, irmãos, é que nem a carne nem o sangue podem participar do Reino de Deus; e que a corrupção não participará da incorruptibilidade." (1 Coríntios 15:50
Paulo amaldiçoa o corpo acusando-o como fonte de pecado dos homens.

2 Corintios 10:4;
"Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas;"


Seguindo na mesma linha, na mesma carta vemos a natureza inquizidora da doutrina de Paulo, o escurecimento do espirito.
"Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo.
Estamos prontos também para castigar todos os desobedientes, assim que for perfeita a vossa obediência." 2 Corintios 10:5-6

continua..











Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:30 PM



Quinta-feira, Novembro 19, 2009 :::





Gálatas

Galatas é a carta de autodenuncia de Paulo. Paulo indica para qual "evangelho" veio.

"De fato, não há dois {evangelhos}: há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo.
Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. (Galatas 1 7-8)

"Bom, só existe um poder no céu e na terra que desafiaria amaldiçoar os anjos de Deus. Paulo não só desmascarou a si mesmo, mas o poder que esta por detras de sua missão. em um mesmo folego de tinta, ele amaldiçoou os apostolos, ao Senhor Deus, seus anjos e ministros"

Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! (galatas 1-9)"


Fonte: interfaith








Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -10:14 PM



Sexta-feira, Novembro 06, 2009 :::

Paulo, o chato... ja repararam como suas cartas sao maçantes?
Ao ler os Salmos, meu coração esquenta em alegria, o mel é doce, cheiros de frutas
agradam o olhar.
Ao ler Saulo o Paulo, tudo atola, a leitura é tortura, é o reflexo da sua doutrina.
tem traves em suas letras. coleiras para se usar.

A leitura de Tiago, pelo contrário , é uma leitura de sutil e agradável tom azul, que nos da uma
agradável sensação de ventos macios e de vigor , num campo verde para dar flor.
Aurora contemplada em roupas bonitas e confortáveis.



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -7:58 PM



Terça-feira, Novembro 03, 2009 :::



Culto do gênio por vaidade
Por Nietzsche

Porque pensamos bem de nós, mas no entanto não esperamos de nós que possamos alguma vez fazer o esboço de uma pintura de Rafael ou uma cena tal como a de um drama de Shakespeare, persuadindo-nos de que a faculdade para isso é maravilhosa, acima de todas as medidas um raríssimo acaso, ou, se ainda temos sentimento religioso, uma graça do alto. Assim, nossa vaidade, nosso amor-próprio, propiciam o culto do gênio: pois somento quando este é pensado bem longe de nós, como um miraculum, ele não fere (mesmo Goethe, o sem inveja, denominava Shakespeare sua estrela da altura mais longínqua; a propósito do que, se poderia lembrar o verso: “As estrelas, essas não se desejam“). Mas, sem levar em conta essas insinuações de nossa vaidade, a atividade do gênio não aparece de modo algum como algo fundamentalmente diferente da atividade do inventor mecânico, do erudito em astronomia ou história, do mestre de tática. Todas essas atividades se explicam quando se tem em mente homens cujo pensar é ativo em uma direção, que utilizam tudo como material, que sempre consideram sua vida interior e a de outros com empenho, que por toda parte vêem modelos, estímulos, que nunca se cansam de combinar seus meios. O gênio também nada faz a não ser aprender, primeiro, a pôr pedras, em seguida a edificar, procurar sempre pôr material e sempre modelar nele. Toda atividade do homem é complicada até o miraculoso, não somente a do gênio: mas nenhuma é um “milagre”. – De onde então a crença de que somente em artistas, oradores e filósofos há gênio? De que somente eles têm “intuição”? (com o que se atribui a eles uma espécie de óculos milagrosos com que vêem diretamente dentro da essência!). Os homens, evidentemente, só falam do gênio ali onde os efeitos do grande intelecto lhes são mais agradáveis, e eles, por sua vez, não querem sentir inveja. Denominar alguém “divino” quer dizer: “aqui não precisamos rivalizar”. Depois: tudo que está pronto, perfeito, é admirado, tudo o que vem a ser é subestimado. Ora, ninguém pode ver, na obra do artista, como ela veio a ser; essa é sua vantagem, pois por toda parte onde se pode ver o vir-a-ser há um certo arrefecimento. A arte consumada da exposição repele todo pensamento do vir-a-ser; tiraniza como perfeição presente. Por isso os artistas da exposição são considerados geniais por excelência, mas não os homens de ciência. Em verdade, aquela estima e esta subestimação são apenas uma infantilidade da razão.


Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:46 PM



Sexta-feira, Outubro 23, 2009 :::


Salmos 103 (104 hebreus)


Bendize, ó minha alma, o Senhor! Senhor, meu Deus, vós sois imensamente grande! De majestade e esplendor vos revestis,
envolvido de luz como de um manto. Vós estendestes o céu qual pavilhão,
acima das águas fixastes vossa morada. De nuvens fazeis vosso carro, andais nas asas do vento;
fazeis dos ventos os vossos mensageiros, e dos flamejantes relâmpagos vossos ministros.
Fundastes a terra em bases sólidas que são eternamente inabaláveis.
Vós a tínheis coberto com o manto do oceano, as águas ultrapassavam as montanhas.
Mas à vossa ameaça elas se afastaram, ao estrondo de vosso trovão estremeceram.
Elevaram-se as montanhas, sulcaram-se os vales nos lugares que vós lhes destinastes.
Estabelecestes os limites, que elas não hão de ultrapassar, para que não mais tornem a cobrir a terra.
Mandastes as fontes correr em riachos, que serpeiam por entre os montes.
Ali vão beber os animais dos campos, neles matam a sede os asnos selvagens.
Os pássaros do céu vêm aninhar em suas margens, e cantam entre as folhagens.
Do alto de vossas moradas derramais a chuva nas montanhas, do fruto de vossas obras se farta a terra.
Fazeis brotar a relva para o gado, e plantas úteis ao homem, para que da terra possa extrair o pão
e o vinho que alegra o coração do homem, o óleo que lhe faz brilhar o rosto e o pão que lhe sustenta as forças.
As árvores do Senhor são cheias de seiva, assim como os cedros do Líbano que ele plantou.
Lá constroem as aves os seus ninhos, nos ciprestes a cegonha tem sua casa.
Os altos montes dão abrigo às cabras, e os rochedos aos arganazes.
Fizestes a lua para indicar os tempos; o sol conhece a hora de se pôr.
Mal estendeis as trevas e já se faz noite, entram a rondar os animais das selvas.
Rugem os leõezinhos por sua presa, e pedem a Deus o seu sustento.
Mas se retiram ao raiar do sol, e vão se deitar em seus covis.
É então que o homem sai para o trabalho, e moureja até o entardecer.
Ó Senhor, quão variadas são as vossas obras! Feitas, todas, com sabedoria, a terra está cheia das coisas que criastes.
Eis o mar, imenso e vasto, onde, sem conta, se agitam animais grandes e pequenos.
Nele navegam as naus e o Leviatã que criastes para brincar nas ondas.
Todos esses seres esperam de vós que lhes deis de comer em seu tempo.
Vós lhes dais e eles o recolhem; abris a mão, e se fartam de bens.
Se desviais o rosto, eles se perturbam; se lhes retirais o sopro, expiram e voltam ao pó donde saíram.
Se enviais, porém, o vosso sopro, eles revivem e renovais a face da terra.
Ao Senhor, glória eterna; alegre-se o Senhor em suas obras!
Ele, cujo olhar basta para fazer tremer a terra, e cujo contato inflama as montanhas.
Enquanto viver, cantarei à glória do Senhor, salmodiarei ao meu Deus enquanto existir.
Possam minhas palavras lhe ser agradáveis! Minha única alegria se encontra no Senhor.
Sejam tirados da terra os pecadores e doravante desapareçam os ímpios. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Aleluia.



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -7:39 PM



Sexta-feira, Setembro 11, 2009 :::



As Conseqüências da Domesticação e do Sedentarismo
Por Emily A. Schultz e Robert H. Lavenda

O sedentarismo e a domesticação, separados e juntos, transformaram a vida humana em proporções que ainda nos afetam atualmente.

"Nossa terra"
Sedentarismo e domesticação não representam apenas uma mudança tecnológica, mas uma mudança do modo de ver o mundo. A terra não é mais um bem livre, disponível para qualquer um, com recursos espalhados aleatoriamente pela paisagem; A terra foi transformada em territórios particulares, sendo possuída coletiva ou individual, onde as pessoas cultivaram cereais e animais. Portanto, o sedentarismo juntamente com um alto nível de extração de recursos (seja pela coleta ou pela agricultura) leva os conceitos de propriedades que por sua vez eram raros em sociedades coletoras nômades. Cavernas, habitações permanentes, equipamentos de processamento de grãos, assim como as plantações e o gado, conectou pessoas a lugares. O impacto humano no ambiente foi grande e ainda mais obvio depois do sedentarismo e do surgimento da agricultura; as pessoas transformaram o ambiente da maneira mais dramática possível - construindo plataformas ou muros para se proteger de inundações.

Fertilidade, sedentarismo e dieta
Um dos efeitos mais dramáticos do sedentarismo foi a mudança na fertilidade feminina e o aumento populacional. Um numero de diferentes efeitos, juntos, estimulou o crescimento populacional.

O Espaço de tempo entre duas gestações
Entre os coletores-caçadores atuais, a gestação de uma mulher tende a ter um espaço de três a quatro anos, devido ao extenso período de amamentação , característico destas sociedades. Extenso período de gestação não significa que a criança deixa de amamentar aos três ou quatro anos de idade, significa que as crianças amamentam sempre quando tem vontade, frequentemente muitas vezes durante uma hora (Shostak 1981,67). Esta amamentação estimula a produção de um hormônio que anula a ovulação (Henry 1989, 41)
Henry coloca que "O significado de adaptação de tal mecanismo é obvio num contexto de coleta e mobilidade. Uma única criança, que deve ser carregada por alguns 3 ou 4 anos, cria uma pesada responsabilidade para a mãe, uma secunda ou terceira criança num intervalo de tempo poderia criar um difícil problema para ela e também colocar a sua saúde em risco.”

Existem muitas razões para que a amamentação continue por durante três ou quatro anos em sociedades de coletores e caçadores. A sua dieta é rica em proteína, e baixa em carboidratos, e são poucos os alimentos de fácil digestão para crianças de pouca idade. De fato, Marjorie Shostak observa que entre o povo JU/´hoansi (!Kung), um povo de coletores-caçadores contemporâneos que habitam o deserto de Kalahari, o alimento de vegetação rasteira geralmente é rude e de difícil digestão: "para sobreviver com este alimento a criança deve ter mais de dois anos - preferencialmente com mais idade" (1981, 66). Por ter que amamentar sua criança exclusivamente por seis meses, uma mãe não precisa ter que procurar alimento para a criança como algo a mais em sua rotina comum. Entre os Ju/´hoansi, para crianças acima dos seis meses são dadas alimentos sólidos em forma de comida pré-mastigada ou amassada, um suplemento que inicia a transição aos alimentos sólidos.

A distancia de tempo entre o nascimento de crianças nas sociedades de coletores-caçadores serve para manter mulher um equilíbrio de energia a longo prazo durante seus anos reprodutivos. Em muitas sociedades coletoras-caçadoras, adicionando as necessidades calóricas da amamentação às necessidades físicas da mobilidade, e os cuidados da coleta de alimentos num contexto de uma dieta rica em proteína e pobre em carboidratos podem manter o nível de energia da mãe baixo. Onde as circunstancias nutricionais possuem barreiras, o período de gestação e a amamentação podem constituir uma rede de gasto de energia, resultando numa nítida queda na fertilidade. Em tais circunstancias, irá levar um longo tempo para que a mulher recupere suas condições de fertilidade. Desta forma, o período em que a mulher esteja grávida ou amamentando frequentemente é essencial para construir seu equilíbrio energético para futuros nascimentos.

Mudanças no índice de fertilidade
Em adição aos efeitos da amamentação, Ellison observou, que a idade, condição nutricional, equilíbrio energético, dieta, e exercícios afetam a fertilidade feminina de uma maneira gradual.
Ou seja, exercícios intensos podem levar a perda do ciclo menstrual (amenorréia), porem, menos exercícios intensos pode estimular a fertilidade de maneira significativa.

Estudos recentes em mulheres norte americanas que praticam elevadas quantidade de exercícios pesados (corredoras de longas distancias e jovens bailarinas, por exemplo) demonstram vários reflexos na gestação.
Este dado é relevante para a transição ao sedentarismo, porque os níveis de atividades das mulheres estudadas se aproximam aos níveis de atividades das mulheres em sociedades coletoras-caçadores modernas.

Foram observados dois diferentes tipos de efeitos na fertilidade. Jovens dançarinas de ballet estudadas por Warren (citado em Henry 1989) tiveram sua primeira menstruação em media aos 15 anos, bem mais tarde do que um grupo controle de jovens garotas que não praticavam dança, cuja primeira menstruação ocorreu próximo aos 12 anos. Altos índices de exercícios também parecem afetar o sistema endócrino, reduzindo o tempo durante o qual a mulher fica fértil em até um terço.

Somando os efeitos da vida primitiva na fertilidade feminina, Henry observa:
"Pode parecer então que um numero de fatores inter-relacionados associados com a estratégia de mobilidade das sociedades coletoras são plausíveis em fornecer um controle natural da fertilidade e possivelmente explica a pouca população humana do paleolítico. Em sociedades coletoras nômades, mulheres são passiveis de experimentar longos intervalos de amamentação assim como altos níveis de consumo de energia associado com as atividades de subsistência e mudanças periódicas de acampamento. Adicionalmente , suas dietas, sendo relativamente ricas em proteínas, pode ter contribuído para manter os baixos níveis de gordura, deste modo diminuindo significativamente a fertilidade." (1989, 43)

Com uma coleta cada vez mais complexa e o aumento do sedentarismo, estes freios da fecundidade feminina podem ter sido anulados. A duração do período de amamentação pode ter decaído, assim como o consumo de energia na mulher (uma mulher Ju/´hoansi , por exemplo, anda cerca de 1,500 milhas por ano, carregando equipamentos, alimento coletado, e sua criança pequena). Isto não quer dizer que a vida sedentária seja fisicamente "fácil". A Agricultura requer seu próprio trabalho pesado, ambos do homem e da mulher. A diferença parece ser no tipo de atividade física envolvida. Andar longas distancias, carregar lenha e crianças foi substituído por semear, cavar terra, ceifar, armazenar, e processar os grãos. Uma dieta crescentemente rica em cereais pode ter mudado significativamente a relação entre a proteína e o carboidrato na dieta. Isto mudaria o os níveis de prolactina, aumentando os níveis de energia, levando a um crescimento mais rápido das jovens e a primeira menstruação aparecendo cada vez mais cedo.

A disponibilidade de cereais moídos, pode ter permitido as mães alimentarem suas crianças com um alimento mais macio, mingau rico em carboidrato. A análise de matéria fecal infantil recuperada do sítio arqueológico Wadi Kubbaniya no Egito parece demonstrar que uma prática similar estava em uso ao longo do Nilo, com cultivo de raízes em uma localidade que pode ter sido funcional o ano todo, há 19000 anos (Hillman 1989, 230). A influencia dos cereais na fertilidade foi observado pelo antropólogo Richard Lee nos assentamentos de povos Ju/hoansi , que recentemente começaram a comer cereais e experimentaram um marcante aumento na fertilidade. Renee Pennington (1992) notou que o aumento do sucesso reprodutivo entre os Ju/´hoansi parece estar relacionado com a redução dos índices da mortalidade infantil.

O declínio da qualidade da dieta
Os ocidentais tem visto a agricultura como um avanço evolucionário em relação à coleta, um sinal do progresso humano. Simplesmente, de qualquer modo, os primeiros agricultores não se alimentavam tão bem quanto os coletores. Jared diamond escreveu:

"Enquanto os fazendeiros se concentram em colheitas de alto teor de carboidratos como o arroz e batatas, a mistura de plantas e animais selvagens das dietas dos sobreviventes caçadores-coletores oferecem mais proteína e um melhor equilíbrio de outros nutrientes. Em um estudo, a ingestão média diária de alimento do bosquímano (durante um mês, quando a comida era abundante) era de 2.140 calorias e 93 gramas de proteína, consideravelmente maior que a ração diária recomendada para as pessoas de seu porte. É quase inconcebível que os bosquímanos, que comem 75 ou mais plantas silvestres, possam morrer de fome da mesma maneira que centenas de milhares de fazendeiros irlandeses e suas famílias morreram durante a escassez de batata da década de 1840."

Evidências de ossadas sustentam a hipótese. Esqueletos da Grécia e da Turquia no fim do período paleolítico indicam uma altura média de 1,75 m para os homens e 1,65 m para as mulheres. Com a adoção da agricultura, a altura média declinou acentuadamente; há cerca de 5000 anos, o homem médio tinha aproximadamente 1,60 m de altura, a mulher média, 1,52 m. Até os gregos e turcos modernos não são, em média, tão altos quanto as pessoas do fim do Paleolítico da mesma região.

O aumento da incerteza
No curto prazo, a agricultura foi provavelmente desenvolvida no antigo sudoeste da Ásia, e talvez em outras partes, para aumentar os suprimentos de comida para sustentar uma população crescente em uma época de sérios problemas com recursos. Com o passar do tempo, contudo, conforme a dependência de cultivos sofisticados aumentou, também aumento a incerteza geral do sistema de suprimento de comida. Por quê?

Proporção de plantas domesticadas na dieta
Existem muitas razões do porque que os primeiros agricultores dependiam cada vez mais de plantas cultivadas. Devido a agro-ecologia ter criado um ambiente favorável às plantas, possibilitava o agricultor cultivar terras anteriormente não utilizáveis. Quando necessidades vitais coma água podiam ser levados para as terras entre os rios tigre e Eufrates na mesopotâmia, a terra no qual o trigo e cevada não eram nativos, poderiam sustentar grandes extensões de grãos domesticados. Plantas domesticadas, também forneciam mais e maiores partes e eram fácil de colher, processar e digerir. Existem evidencias de que também possuíam um melhor sabor. Finalmente, o grande lucro das plantas domesticadas por unidade em terra também levou a uma grande proporção de plantas cultivadas na dieta, mesmo quando plantas selvagens ainda eram comidas e eram tão abundante quanto antes.

Relação com um numero pequeno de plantas
A relação com um numero cada vez menor de plantas aumenta muito mais o risco de que a plantação falhe. De acordo com Richard Lee, os Ju/'hoansi, que vivem no deserto do kalahari, usavam mais de 100 variedades de plantas, 14 frutas e castanhas, 15 bacíferas, 18 espécies de gomas comestíveis, 41 raízes e bulbos comestíveis, e 17 folhagens, feijões , melões, e outros alimentos; 1992b, 48). Em contraste, os agricultores modernos se dedicam em não mais que 20 plantas, e das quais 3 - trigo, milho, e arroz - alimenta a ampla maioria da população mundial. Historicamente, eram apenas um ou duas safras de grãos que eram de grande importância para um grupo de pessoas. Uma diminuição desta safra teria efeitos catastróficos na população.

Reprodução seletiva , monocultura e variedade genética
A reprodução seletiva de qualquer espécie de planta diminui a diversificação de suas informações genéticas, eliminando variedades com resistência natural a pestes sazonais, doenças e ameaçando suas chances de sobrevivência a longo tempo, aumentando os riscos de perdas severas em tempos de seca.
Novamente, quanto mais um povo depende de espécies de plantas particulares, mais riscos surgem no futuro. Monocultura é a pratica de cultivar apenas uma espécie de planta numa área, apesar de um crescimento de ganhos em eficiência a curto prazo, a monocultura expõem um campo inteiro a destruição por doenças ou pragas. A conseqüência seria a fome.

O Aumento da dependência de plantas
Com as plantas cultivadas exercendo um papel cada vez maior na dieta, as pessoas começaram a depender das plantas e as plantas por outro lado começaram a depender das pessoas - ou do ambiente criado pelas pessoas. Mas as pessoas não podem controlar completamente tal ambiente. Chuvas de granizo, enchentes, seca, infestações, geadas, calor, ervas daninhas, erosões, e outros fatores poderiam destruir ou afetar significativamente a safra, ainda que se disponha do controle externo humano. O risco de fracasso e fome crescem.

Aumento das Doenças
Conectado com a evolução da domesticação das plantas está o aumento das doenças, especialmente das variedades epidêmicas, pelo qual existem muitas razões. Primeiro, devido ao sedentarismo, os dejetos humanos eram depositados próximos às áreas de convivência. Um crescente numero de pessoas começaram a morar próximos uns dos outros em assentamentos relativamente permanentes, a disposição dos dejetos humanos se tornou cada vez mais problemático: grande quantidade de material fecal tem potencial para transmitir doenças, e os dejetos de animais e plantas te potencial de alimentar pestes, das quais muitas são vetores de doenças.

Segundo, um grande numero de pessoas morando próximos uns aos outros servem como deposito de doenças. Uma vez que a população seja grande o suficiente, a probabilidade de transmissão de doenças aumenta. No tempo em que uma pessoa se recupera de uma doença, uma outra entra num estagio infeccioso , podendo então re-infectar a primeira. Consequentemente a doença nunca deixa a população. A rapidez com que as crianças espalham resfriados, gripes, e piolhos ilustram como populações aglomeradas e os germes interagem.

Terceiro, povos assentados não podem fugir das doenças; em contraste, se alguém num bando de coletores adoece, os outros podem se distanciar, reduzindo a probabilidade da doença se espalhar. Quarto, a dieta agricultora pode ter reduzido a resistência a doenças. O Crescimento na população humana fornece uma grande oportunidade para que germes parasitem humanos. Se fato, existem evidencias de que o desmatamento para a pratica agricultura na áfrica sub-saariana criou um excelente ambiente para os mosquitos transmissores de malaria.

Degradação ambiental
Com o desenvolvimento da agricultura, humanos começaram a intervir mas ativamente no ambiente.
Desmatamento, perdas de solo, assoreamento e perda de nutrientes, e a extinção de diversas espécies nativas seguiu a domesticação. No baixo vale do Rio Tigre e Eufrates, as águas para irrigação usadas pelos primeiros agricultores carregaram autos níveis de sal, contaminando o solo e o tornando inutilizável nos dias de hoje.

Aumento do Trabalho.
Cultivar plantas e animais domésticos requer muito mais trabalho do que a coleta e a caça. As pessoas precisam limpar a terra, plantar as sementes, moldar as plantas jovens, protege-las dos predadores, ceifar, processar as sementes, armazena-las, e selecionar as sementes para as próximas plantações; similarmente, as pessoas precisam proteger os animais domesticados, selecionar os indivíduos, tosquiar, alimenta-los, é um continuo trabalho.

Tradução: Erva Daninha - iniciativa anti-civilização


Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:13 PM



Domingo, Agosto 30, 2009 :::



O Anarco-Primitivismo e a Bíblia
Por Ched Myers

O "Anarco-Primitivismo" é uma importante corrente do pensamento ecológico profundo contemporâneo que reage a crise social e ambiental contemporânea com uma revisão radical da historia da civilização. Apesar de ter ocorrido poucos engajamentos vigorosos entre a Teologia Cristã e esta corrente filosófica radical (exceções incluem Jaques Ellul e Vernard Eller), este artigo reflete sobre os possíveis pontos de contato entre as idéias Anarco-Primitivistas e certas trajetórias encontradas na Bíblia.
A vigorosa crítica Anarco-Primitivista da civilização encontra surpreendentes ressonâncias entre as escrituras hebraico-cristãs – se, lidas como documentos da resistência israelita contra os impérios do antigo oriente médio, do Egito a Roma, ao invés de uma legitimação ideológica da cristandade.
Os seguintes oito "pontos de diálogo", representam aspectos salientes da perspectiva Anarco-Primitivista articulada por exemplo por John Zerzan, e estão aqui correlacionadas com temas bíblicos secundários e principais.

1) Para o Anarco-Primitivismo a civilização representa uma regressão patológica, ao invés de uma ingênua progressão da consciência humana.
Apesar de a teologia majoritária ter adquirido amplamente a narrativa dominante do "progresso" , a perspectiva Bíblica sobre as origens históricas é completamente oposta - possivelmente é o motivo pela qual tem sido tão marginalizada desde o iluminismo. A "história primitiva" de Gênesis 1-11, por exemplo, retrata a civilização como o "fruto" não do gênio humano, mas sim da alienação do estilo de vida simbiotico do "Jardim". A sua narrativa da "Queda" é uma narrativa de trabalho penoso, assassinato, violência e urbanismo predatório, culminando no símbolo da torre de Babel como a zênite da rebelião humana contra Deus e a natureza. Isto pode ser lido não apenas como uma polemica contra os antigos impérios do oriente médio que circundavam Israel , mas também como um diagnóstico arquétipo da civilização-como-patologia. No decorrer do resto da literatura bíblica esta forte linha de ceticismo prevalece, melhor resumida provavelmente pelo tropo de Jesus de que "Salomão em toda sua glória" (uma alusão ao Templo-Estado de David, o auge do poder da civilização israelita) era intrinsecamente de menos valor do que uma simples flor selvagem (Lucas . 12:27).

2) A perspectiva Anarco-Primitivista da "pré-história" argumenta que a domesticação neolítica das plantas e animais leva a domesticação dos seres humanos.
A agricultura inexoravelmente deu origem a concentração populacional e a sociedades altamente centralizadas e hierárquicas em ambientes urbanos. E acabou se desenvolvendo em opressivas cidades-estados, uma agressiva civilização colonizadora que empregou uma poderosa força centrípeta contra as regiões distantes. Desta forma, a agricultura é retratada no Gênesis não como uma dádiva dos deuses - como é retratada em outros mitos do antigo oriente médio - mas como uma maldição, o resultado da rejeição humana do modo de vida simbiotico do "Jardim" (Gênesis 3:17-19). Enquanto que o pastoralismo é visto de maneira mais empática na literatura bíblica , devemos manter em mente que durante o período pastores eram habitantes da periferia socialmente marginalizados.
Da historia de Babel adiante, a cidades muradas e sua arquitetura de dominação são denunciadas regularmente, como Jaques Ellul argumenta, incluindo as "cidades armazéns" construídas pelo trabalho escravo hebreu (Êxodo. 1:11-14) e a fortaleza canaanita de Jericó (Josué 6:26). Enquanto que muita literatura da era pós-David romantiza Jerusalém como a "cidade de Deus" a voz profética continua a denunciar aqueles que "impõem impostos e confiam em fortalezas" como agentes do terror - incluindo os lideres israelitas (Isaias 33:18; Ezequiel 26:3-9; Sofonias 1:16; 3:6). Esta antipatia urbana é melhor captada pelo lamento do salmista "Oh! Quem me dera asas como de pomba! Voaria , e estaria em descanso. Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto ... pois tenho visto violência e contenda na cidade ... astúcia e engano não se apartam das suas ruas" (Salmos 55:6-11). No Novo Testamento , a visão de João da Nova Jerusalém pressagia um "verdejamento" radical da cidade: portões sempre abertos e um rio que corre ao meio da avenida da qual cresce a arvore da vida (Apocalipse 21-22).

3) O Anarco-Primitivismo endossa estudos antropológicos revisionistas que oferecem uma avaliação mais harmônica da organização social e econômica dos coletores-caçadores, enfatizando o que Marshall Sahlins chamou de "abundancia original" das culturas da pré-história.
Até a ultima metade do século passado, os antropólogos modernos tendiam em compartilhar o preconceito de Thomas Hobbes de que a vida de humanos não civilizados era "solitária, pobre, horrível, bruta e curta". A partir de Sahlins , o consenso tem mudado completamente: as culturas coletorás-caçadoras agora tendem a ser retratadas como saudáveis, plenas em lazer, livres, materialmente mais satisfeitas, menos ansiosas e infinitamente mais ecologicamente sustentáveis do que as culturas industriais modernas. Em particular, as praticas indígenas de subsistência e dádiva são agora apreciadas como um paradigma econômico viável e radicalmente diferente.
Isto encoraja uma reavaliação da cosmologia econômica da Bíblia. Por exemplo, a história do maná no deserto instruiu Israel (agora libertos da escravidão do Egito) sobre o sustento material como uma dádiva divina (Êxodos 16:4). A narrativa enfatiza princípios de "simplesmente colete": apenas pegue o que é necessário, não acumule, e esteja certo de que todos os membros da comunidade tenham o suficiente - mas não muito! (16:16-25)
A Bíblia enfatiza a abundância natural da providencia, a auto-limitação comunal e o compartilhar. O planejamento do ano Sabático de perdoar débitos e de redistribuir as riquezas - Mais notavelmente no Jubileu Levítico (Levítico 25) - foi uma restrição contra a intensa estratificação que caracteriza a escravidão - e a economia de impostos do Antigo Egito, Assíria e Babilônia. A cosmologia da dádiva é reiterada pelos profetas: "O vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite" (Isaias 55:1). Isto toma um melhor sentido nos textos do Novo Testamento, o que tem sido a maldição para a religião capitalista, tal como o ensinamento de Jesus sobre doar as suas posses (Lucas 12:13-34), a economia do compartilhar na comunidade de Atos (Atos 2:42-47). Isto sugere que os escritores bíblicos estavam tentando reabilitar o caráter econômico das culturas indígenas "pré-civilizadas" como um melhor caminho a se seguir.

4) Para o Anarco-Primitivismo a crise ecológica necessita de uma critica radical da tecnologia e de todas as formas de tecnologia industrial, na crença de que quando usamos tecnologias as tecnologias nos usam de um modo que nos desumaniza e destróis as nossas competências naturais.
A Bíblia, como um texto antigo, tem relativamente pouco a dizer sobre a "tecnologia" propriamente dita, porém dois textos da antiga Torá são pertinentes. Um é a proibição do fogo doméstico no Sábado (Êxodos. 35:3), portanto restringe o que é claramente a ferramenta humana mais antiga. O outro reflete uma suspeita primitiva das ferramentas como instrumentos de dominação em relação a natureza: " Se me levantares um altar de pedra, não o construirás de pedras talhadas, pois levantando o cinzel sobre a pedra, tê-la-ás profanado."(Êxodo 20:25).
As escrituras têm abundantemente o que dizer sobre o perigo dos objetos manufaturados, particularmente na bem conhecida proibição da fabricação de imagens. Porem este tabu é mais anti-fetichista do que anti-ícone, reconhecendo que "fazer objetos" inevitavelmente os torna mistificados e sagrados, assim tomando mais valor do que os seus construtores (uma declaração clássica é encontrada em Isaias 43:9-20). Este insight foi depois ressuscitado na teoria do fetichismo da mercadoria no capitalismo em Marx, como foi demonstrado por Guy Debord.

5) O trabalho assalariado e a hierárquica divisão de trabalho, condição indispensável para a civilização, é inerentemente alienante.
Temos visto que o trabalho da agricultura é retratado como antitético ao desejo divino na historia da queda (Gênesis 3:19). De modo mais generalizado, as leis Sabaticas, fundadas na vontade de Deus de um caráter de uma auto-restrição (Gênesis 2:2-25), procurou refrear o potencial compulsivo-viciante de todo o trabalho através da limitação do mesmo. Guardar o Sábado é o primeiro (Êxodo 16:23) e o ultimo (Êxodo 35:1-3) mandamento da Aliança Divina, regularmente interrompendo o ritmo do ano agrícola de Israel pelo ritual de "impedimento do trabalho" (Levítico 23). A Lei e os profetas inflexivelmente criticam a exploração do pobre pelo rico (Levítico 19:13; Amós 5:11). Jesus tece historias que minam a santidade do trabalho assalariado (Matheus. 20:1-16), e que opunha camponeses rebelados contra proprietários de terra ricos (Marcos 12:1-10) . Jesus defendeu o direito dos famintos de tomarem o alimento (Marcos 2:23 e seguintes) e invocou a cosmologia da dádiva divina: "Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta." (Mateus 6:26; Lucas 12:24). Apesar da prisão da moderna teologia cristã à ética protestante do trabalho, o caráter bíblico do Sábado (incluindo a teologia da graça de Paulo) privilegia o ser sobre o fazer, a celebração sobre o trabalho, e a dádiva sobre a possessão - novamente ressonante com a sabedoria indígena no que diz respeito a ecologia física, social e pessoal.

6) Para alguns teóricos Anarco-Primitivistas, a representação simbólica (incluindo a própria linguagem) esta no coração da "queda" para a civilização, se tornando uma substituição para a experiência sensorial direta da natureza produzindo assim diferenciações sociais.
Enquanto que uma crítica radical da linguagem não encontra eco na Bíblia (de fato, João especula que " no princípio era o Verbo", João 1:1), a suspeita contra a "representação" encontra referencias. O pacto de Israel é selado não apenas nas palavras da Torá , mas também pela "testemunha" de uma pedra abaixo de um carvalho (Josué 24:27).
É a idolatria (ou seja, o super-representacionalismo) o problema para os escritores bíblicos, não a natureza. De fato, mesmo os profetas reconhecem que os próprios aparatos de culto de Israel podem se tornar um veiculo de opressão (Amos 5:21-24; Jeremias 7:9-14 , um texto que inspirou a ação direta de Jesus , Marcos 11:15-33).
Portanto, a história do principio de Israel é repleta de paisagens selvagens e muitas vezes mágicas que revelam Deus diretamente. (Salmos 104 e Jó 38-41).
O que inclui desertos remotos (Êxodo 17:1) e rios de águas transbordantes (Josué 3); planícies (Gênesis 26:19-22); e grutas em montanhas altas (Gênesis 19:30, Juizes 6:2; 1 Reis 19:9); florestas e vales (Isaias 44:23; 55:12).
YHWH aparece embaixo de carvalhos (Gênesis 12:6-20; 18:1; Juizes 6:11) e sua divina voz é encontrada em arbustos flamejantes (Êxodo 3) ou no alto de uma montanha encoberta por nuvens (Êxodo 19; ver Marcos 9:7) Heróis da comunidade são "nascidos" em rios (Êxodo 2:3, ver Marcos 1:9-11), enterrados entre arvores (Gênesis 35:8; 1 Samuel 31:13) e andaram sobre o mar (Marcos 4:35-41). A visão extática de Jacó do Axis mundi se deu numa terra selvagem desértica, sonhando com sua cabeça deitada numa pedra: "Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus!" (Gênesis 28:16-17). YHWH é imaginado - mas nunca feito imagem - como um Leão que ruge (Oséias 11:10), uma Águia com ninhada (Deuteronômio 32:11) e uma Mãe Ursa furiosa (Oséias 13:18). Como em toda sociedade tribal, existem historias de perigosas aventuras entre os animais selvagens, desde o grande peixe de Jonas, aos leões de Daniel. E a vida ritual de Israel está em sintonia com a passagem das estações (Levitico 23) e com as fases da lua (Salmos 81:3). Jesus prefere a solidão do deserto (Marcos 1:35), e convida a seus discípulos a aprender com as sementes (Marcos 4), com as arvores (Marcos 13:28), pássaros (Lucas 12:24) e com a chuva (Mateus 5:45). Existe também uma sugestão escatológica de que a comunhão primal e não mediada entre Deus, natureza e humanos será um dia restaurada (Jeremias 24:7 ; 31:33; Ezequiel 36:26), o que é intensificado na metáfora de João da unidade existencial (João 6:35); na noção de Paulo de estar "em Cristo" (Romanos 8:35-39); e na nova Jerusalém sem Templo na qual Deus habitará diretamente (Apocalipse 21:22).

7) O Anarco-Primitivismo defende uma variedade de estratégias individuais e de grupo para se "tornar feral", tanto combatendo o sistema dominante quanto "re-habitando" espaços naturais para sua proteção e nossa "desintoxicação".
Dois aspectos distintos da teologia bíblica são notadamente valorizados aqui. Um é a maneira na qual YHWH habita os espaços não domesticados pela civilização, e é encontrado apenas por humanos que viajam para lugares selvagens. Isto se torna a metáfora principal da libertação na historia do Êxodos, e continua na vida dos profetas que se tornam "ferais" tais como Elias (1 Reis 19:3 - e seguintes), João Batista (Lucas 3) e Jesus, que começou seu ministério com uma “busca por visões” num ambiente selvagem (Mateus 4:1-11). O escritor de Hebreus convoca os crentes à solidariedade com Cristo "para fora das portas" da civilização (Hebreus 13:12 e seguintes), e nos recorda dos heróis de fé que resistiram ao império se tornando ferais, "errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra." (Hebreus 11:38). No Apocalipse de João a Igreja é retratada fugindo da Besta imperial indo para o deserto (Apocalipse 12:6).
Outro aspecto é a maneira pela qual a natureza é retratada em "oposição" a civilização imperial. Fortificações egípcias sitiadas por desastres naturais (as "pragas" de Êxodos 7-10). Oráculos proféticos denunciam o desflorestamento da Assíria (Ezequiel 31) e a poluição dos rios pelas criações de gado dos Faraós (Ezequiel 32:13), e é esperado pelo dia em que animais selvagens irão re-habitar os espaços que as cidades-estados têm colonizado (Isaias 13:19-22;34:8-15);"a toda espécie de aves de rapina e aos animais do campo eu te darei, para que te devorem." (Ezequiel 39:4). Existe uma fascinante historia de povos retornando (ainda que incompetentemente) aos antigos modos de coleta de alimento durante a fome (2 Reis 4: 38-44), uma parábola da divina abundancia versus a escassez imperial que Jesus restabelece em sua alimentação no deserto (Marcos 6:35 e seguintes). E o apostolo Paulo - que também se retirou ao deserto (Gálatas 3:17) - clama por um radical não-conformismo contra os códigos culturais dominantes da civilização romana (Romanos 12:1-2).

8) O Objetivo do Anarco-Primitivismo não é "voltar ao paleolítico" o que reconhecidamente é impossível, mas sim (re)descobrir a "futura primitividade".
A Bíblia concorda que desde a Queda o mundo natural tem sido continuamente destituído de seu equilíbrio pela violência e ganância da civilização. A Torá é proposta como um código de praticas comunais alternativas tendo relação com a auto-limitação. Nisto encontraremos diversas tentativas interessantes de reprimir tendências ecocidas, como por exemplo o tabu contra o tomar por alimento uma mãe pássaro e sua cria (Deuteronômios 22:6) e a notável proibição de destruir a natureza durante a guerra: “A árvore do campo seria porventura um homem para que a ataques?" (Deuteronômio 20:19-20). Os Evangelhos parecem convocar pelo recomeço dos antigos modos de vida (Marcos 1:2), e Jesus é chamado de arquétipo do "Primeiro Homem" (Marcos 2:28) e de "Adão Escatológico" (1 Coríntios 15:45). Historias de seu poder de cura sugere uma antiga capacidade renovada não apenas para "xamãns" mas para todos os discípulos (Marcos 6:12; Atos 3:1 e seguintes). Sua postura de oposição levou os representantes da civilização romana na palestina a executarem Jesus como um dissidente/herético. O Novo Testamento portanto fala claramente do "custo do discipulado" e da fé: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê; Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados." (Hebreus 11:1). Acredita-se que o mesmo poder criador divino que criou o mundo seja capaz de renová-lo, e a escatologia bíblica visualiza e restauração da "paz original" (Isaias 11:6-9), insistindo que uma "nova terra e um novo céu" irá finalmente eclipsar a realidade árida do império. Esta consciência alternativa não é uma fantasia escapista; tal consciência fortalece tanto a regeneração quanto a resistência (2 Corintios 10:4; Efésios 6:10 e seguintes ). Como Paulo colocou, a natureza esta gemendo em sua condição de escravidão, esperando pelos humanos que irão cooperar com o plano divino de libertação de toda criatura vivente (Romanos 8:20 e seguintes).
Admitidamente, algumas das interpretações aqui esboçadas têm sido desenvolvidas pela teologia da cristandade, e não pela contemporânea academia bíblica dominante - em direção completamente oposta. E existem, para sermos claros, certos traços da literatura bíblica que celebram Israel como civilização, o que tem sido usado para promover tudo aquilo que o Anarco-Primitivismo deplora. Porem, enquanto que as escrituras Judaico-Cristãs podem não concordar com toda a perspectiva Anarco-Primitivista. O que é surpreendente é descobrir a intensidade de ressonância. Como sempre é o caso, novas questões abrem novas visões hermenêuticas. O acima mencionado sugere que o dialogo entre a teologia bíblica e o anarquismo verde radical não é apenas possível, mas também chave para nossa exploração da intersecção entre religião e natureza.

Fonte: Jesusradicals.com
Tradução: Erva Daninha - Iniciativa anti-civilização



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:32 AM



Sexta-feira, Junho 26, 2009 :::




Amor
por John Zerzan

A vertigem da Tecno-modernidade é um invasiva sensação de insignificancia, o que
tambem é certamente registrado no nivel do que é sentido diretamente, e não
apenas pensado.
Já em 1984 Frederic Jameson se referiu a um "declinio do afeto" na sociedade
pós-moderna, uma paralisia ou afastamento emocional. Existe uma dissolução ou
nivelamente tomando caminho para dentro do terreno mais vital do ser humano.
Nosso estado afetivo é a exata textura e timbre de nossas vidas . Nada é mais
imediato para nós do que nossos sentimentos. Isto é fundamental, nos da a
"sensação" que temos do mundo, é o que atualmente nos conecta com a realidade.
Emoções são artefatos culturais, mais ainda do que idéias. Nesta direção Lucien
Febvre (1938, 1941) convocou uma história das sensibilidades, e Anne
Vincent-Buffault (1986) contribuiu com Histoire des Larmes (Historia das Lagrimas).
Estão nossas paixões no centro de nossa existência? Cada cultura possui seu
proprio ambiente emocional, cada luta politica é uma luta afetiva. A luta contra o
percurso da civilização certamente esta inclusa. As coisas são sentidas antes de
serem pensadas ou acreditadas, portanto, a hegemonia - ou a sua eliminação - tem
seu inicio no sentimento.

O primeiro livro de Adam Smith, The Theory of Moral Sentiments (1759), viu nas
emoções a linha que tecia a união da fabrica social. nada disso é uma descoberta
extraordinaria, porém muitas vezes agimos como se o campo do afeto não fosse de
relevância real.
A razão e a reflexão são relativamente expressões refinadas das próprias paixões.
Antonio Demasio fornece a noção de que a "consciencia começa como um
sentimento, um tipo especial de sentimento para ser claro, um sentimento de saber"
Sua sugestão reacende a divisão mente-corpo, tão essencial para a vida na
sociedade de massas.Tantas divisões debilitantes: Humanos da natureza, trabalho
do divertimento, a divisão entre as pessoas. Tambem somos afastados das
sensações fisicas, da experiencia direta.

Sentimentos são personificados, mas o que acontece ao contexto desta
personificação? O isolamento cresce a largos passos e os laços sociais
permanecem frágeis. Amizades são transferidas para "amizades" de rede sociais
de internet, e as casas onde moram apenas uma pessoa são uma porcentagem
cada vez maior de todas as casas. Onde é o lar? O assunto está disperso e o
social não existe mais, de acordo com Baudrillard.
Sentimos tudo isso, mesmo que a superficialidade da cultura dominante trabalhe
para deformar e superficializar nossas emoções centrais a sua propria imagem.
Este centro é seu próprio encorporamento, provavelmente o mais forte reduto da
resistência. Por outro lado, numa amarga ironia, poderiamos nao estar em tamanha
condição de não-saúde. poderiamos nao estar tao aflitivamente de alertas a
destruição de corações deste vazio moderno. Poderiamos naão estar em tamanha
ansiedade , em tamanha dor.

O livro The Affective Turn (2007) reflete pelo seu titulo a atual consciência da
centralidade da emoção como cultura. Apresentado pelo comunista Michel Hardt, é,
de qualquer forma, muito mais um exemplo do paradigma dominante do que uma
correção util. O comprometimento esquerdista com o progresso industrial é uma
parte importante do ataque violento contra a natureza intima. É um problema, não
uma solução.

Personificamos uma continua historia de amor e sofrimento, levando o testemunho
do que tem nos movimentado. O amor, como Kierkegaard enfatizou, é a base de
todo o significado na vida , como a conhecemos. Temos amor e cuidados antes de
aprendermos a formular qualquer coisa em linguagem. Como Martin Amis colocou
(The Times, 11/6/06), "O amor vem a ser a unica parte de nos que é solida,
enquanto o mundo vira de cabeça pra baixo e a tela se apaga."
Mas a falencia do advento do amor nas sociedades contemporâneas é tão obvio
quanto é doloroso, como foi recontado variadamente nas novelas de Michael
Houllebecq, por exemplo.
O anarco-novelista Tom Robbins tem enfatizado a questão de "como você faz o
amor permanecer?" Devemos concordar com o Eclesiastico (6:16) de que "um
amigo fiel é um remédio de vida" , mas onde estão os amigos? O acentuado
declinio da amizade nos EUA nas decadas recentes está bem documentada (por
exemplo, McPherson, Smith - Lovin and Brashears, American Sociological Review,
Junho 2006).

E é precisamente aqui que a teoria radical falha, ou falha em apresentar. Por que é
o "desejo" ( ou mais alienadamente ainda, a "sedução") que é o foco , e não o
amor?
Como Bell Hooks descreveu, "quando converso sobre amor com minha geração,
percebo que isto deixa todos assustados" Ainda que exista tal necessidade neste
deserto do espirito: nossa cultura de desamor acumulado.

O oposto de amor não é a raiva, e sim , a indiferença, carimbo oficial do cinismo
"descolado" posmoderno. Até aqui, tudo tem se ajoelhado diante da existência
producionista na drenagem tecno-cultural. Entretanto, precisamos convocar a
profundidade do relacionamento contra a superficialidade dominante, no qual tudo é
tão inconstante e descartavel.
Uma caracteristica chave é o amor potencial irrealizado da atualidade afetiva, em
nós mesmos e nos outros.
Existem obviamente potenciais "becos sem saidas" e ciladas no caminho. Por
exemplo, a arrogancia sexista que muitas vezes acomoda o amor romântico numa
cultura definidamente masculina-patriarcal. Ou a frequente e mundial negação do
aspecto do amor religioso, e a tendência em retrair a autêntica individualidade em
favor de uma identificação devoradora que nega e nâo aceita os outros.
Se emoção é um comportamento, o amor é certamente uma ação, assim como um
processo mental basico.
O amor é uma chave para o crescimento e fortalecimento emocional que pode nos
levar a uma grande comunhão com o mundo. O amor redime e da significado,
enfatizando a graça e a dádiva. A dádiva como uma oposição a atualidade
impiedosa.
Luce Irigaray expressa habilmente: " A dádiva não tem objetivos, propósitos - a
dadiva é doar. Antes de qualquer divisão entre aquele que doa e o que recebe.
Antes de qualquer identidade que separa o doador do que recebe. Mesmo antes da
propria dádiva."

Falar daquilo que pode ser doado pode nos lembrar o que nos tem sido tirado. Na
decada de 1950 Laurens van der Post encontrou um povo que podia carregar tudo
o que tinham em uma mão. Ele se referiu a "maravilhosa risada dos Bushman, que
sai do centro do ventre, um riso que não se ouve nunca entre civilizados."
Que proeza, a extinção do prazer de estar vivo na Terra. O objetivo psicanalitico de
Freud foi transformar a miseria neurotica em infelicidade "normal"; E o objetivo de
Lacan é que o analista aprenda a ser um infeliz como todo mundo.
É impressionante como é extremamente raro a menção de termos como sofrimento,
angustia ou tristeza na literatura da psicologia. Tais questões são claremente de
nenhum interesse teórico, meramente sintomas a serem classificados sob
descrições "menos emocionais". Simone weil visitou fabricas para entender o
sofrimento. As fabricas permanecem, a miséria está agora mais generalizada numa
sociedade cada vez mais sintética e deslocada.

Elaine Scarry em seu livro O Corpo e a Dor (1985) viu a tortura como "uma
miniaturização do mundo, da civilização." Um outro comentário sobre o estado da
sociedade que contém a cada dia mais desastres, ou até mesmos atrocidades
diárias. A Observação de Chellis Glendinning se aplica: traumas pessoais
comumente refletem o trauma da propria civilização em si.
Nos Estados Unidos é um fato que as doenças mentais/emocionais são os
principais problemas de saúde. E como Melinda Davis tem observado "A
ansiedade é a peste negra de nossos dias".
Um ótimo exercício, como eu vejo, é colocar toda as políticas em termos de saúde,
por exemplo, o que em nossa vida social é saudavel ou não-saudavel? Não é afinal
de contas a linha central de tudo?
O cenario geral é bem conhecido. Ansiedade e estresse debilitam o sistema
imunologico; 50 por cento das pessoas que possuem uma condição de ansiedade
também sofrem de depressão profunda. O surto de ansiedade ocorre contra o
cenario de um aumento da depressão entre todas os países industrializados.
De forma interessante, R.C. Solomon, encherga a depressão como "uma maneira
de deslocar a si mesmo dos valores pré-estabelecidos de nosso mundo."

No começo de Maio de 2008, diversas notícias vieram a tona sobre a alta
incidência de dores fisicas crônicas: ao menos 30 por cento da população
americana esta angustiada. E assim, dando continuidade, do crescente número de
incidentes com armas de fogo e índices de obesidade, agora crianças sofrem de
diabetes e doenças do coração; crianças em mudança de comportamento devido a
drogas infantis, o enorme crescimento de asma, autismo e alergias; Pais matandos
seus filhos; milhões "encantados" pelo viagra; dezenas de milhares de pessoas
dependentes de remédios para dormir, etc. etc. O cenario total é cada vez mais
patológico e assustador.
Não é surpresa que encontremos toneladas de livros de auto -ajuda vendidos, uma
intensa preocupação com o bem estar psicológico, e um infinito espetáculo do
sofrimento emocional via televisão e internet. Observe a sequência das revistas
americanas mais vendidas: Life, people, Us e Self. A redução da perspectiva em
uma sociedade individualista é obvia.

O livro de Cristopher Lasc , Cultura do Narcisismo (1979) citou: " uma sensação de
vazio interior, de raiva infinitamente reprimida". Escrevendo em 2008, Patricia
Parson concluiu que atualmente vivemos "numa condição muito mais fria que o
narcisismo" (Uma Breve história da Ansiedade).

Como sempre a acomodada sensibilidade do posmodernismo proclama o fim de
um "self" central, em favor de uma multilpicidade de papéis alternados a serem
encenados. Com os laços sociais atrofiados, existe algo central? Dispersados,
assim como o contato humano, desaparece o contato com a natureza, sentimos
medo de estarmos sozinhos com nós mesmos. Um modo de vida de distração
reprime memórias de sofrimento e a espera de um afeto. O que é o Progresso, ou
em outras palavras Modernidade? "É a enorme quantidade de resíduos químicos
potencialmente letais em nossas células. É estar sentado em frente a uma tela de
televisão ou de um computador num dia lindo. É fazer compras quando se esta
deprimido. É o sentimento de que algo esta sendo perdido." (Kevin Tucker, O Que é
Totalidade?") Provavelmente é uma surpresa que Descartes, progenitor da
alienação moderna, identificou o maravilhamento ou admiração como a primeira
das seis paixões humanas primitivas, no livro As Paixões da Alma (1649).
Onde está nossa capacidade de uma admiração genuína numa sociedade
desencantadora?

Posso dizer a vocês que eu fico emocionado pelo canto perserverante dos grilos,
suas fortes vozes de vida assim que o verão se encerra no Noroeste Pacifico. É
sempre um prazer especial ouvir a migração dos gansos logo acima, seus gritos
soam para mim como cães que latem suavemente logo acima. Não existe uma
consciência que é separada de algo que se experimenta. O que acontece então
quando tudo é experimentado de forma massiva, em produtos, imagens?
A diminuição do afeto , como Jameson colocou, é a diminuição de tudo aquilo que é
vivo também. Podemos realmente viver uma vida sem sentido (tecnificada, sem
encanto, e indireta)?O que é vivo e imadiato não existe numa tela.
Sabemos em qual direção a saude está. Freud escreveu para Wilhelm Fliess, "
Felicidade é um anseio pré-historico adiado. Isto é o porque que a riqueza fornece
tão pouca felicidade" (janeiro, 1898).
A simplicidade contém tudo e na simplicidade tudo é presente. Albert Camus
acertou bem com esta nota: " Eu cresci com o mar e a pobreza para mim era
luxuosa; então eu perdi o mar e percebi toda a luxuria cinza e a pobreza intolerável."

Tradução daninha


Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:52 AM



Segunda-feira, Junho 15, 2009 :::


NÃO EXISTEM CATÁSTROFES NATURAIS

(Baseado em um texto escrito por anônimos e anti-autoritários na época em que uma grande inundação acometeu a Itália)


Mais de vinte feridos, certa de dez desaparecidos, 40 mil evacuados. E centenas de milhões de dolares em prejuízos. Como se não tivessem sido gotas de chuva, mas bombas caindo sobre suas cabeças. Como se não tivesse sido uma inundação, mas um guerra, devastando suas casas. De fato isso foi. Mas o inimigo que atingiu tão severamente não foi o rio ou a montanha. Essas não são, na verdade, armas para uma vingança de uma natureza que estamos acostumados a pensar como hostil. A guerra que tem sido travada por séculos agora não é entre a humanidade e o meio ambiente natural, como tantos gostaríam que acreditássemos para garantir nossa obediência. Nosso inimigo é nossa própria atividade. Essa é a guerra. Esta civilização é a guerra. Natureza é simplesmente seu principal campo de batalha.Nós causamos essas poderosas tempestados ao transformarmos o clima atmosférico com nossa atividade industrial. Nossa atividade tem erodido os leitos dos rios, enchendo-os de lixo e deflorestando suas margens.Temos feito pontes desabarem contruindo-as como materiais defeituosos escolhidos para vencer o contrato. Temos devastado vilas inteiras contruindo casas em áreas de risco. Nós temos criado chacais que enchergam lucro em qualquer situação. Nós temos sido negligentes em não tomar medidas preventivas contra esses eventos, estando preocupados apenas em abrir novos estádios esportivos, shopping centers, linhas de metrô e ferrovias.


E como nós somos os responsáveis? Nós permitimos que tudo isso tenha acontecido repedidamente, delegando as decisões que afetam nossas vidas à outras pessoas. E agora, após devastar o planeta inteiro para nos mover mais rápido, comer mais rápido, trabalhar mais rápido, fazer dinheiro mais rápido, assistir TV mais rápido e "viver" mais rápido, nós ainda nos atrevemos a nos queixar quando descobrimos que nós também morremos mais rápido?


Não existem catástrofes naturais, apenas catástrofes sociais. Se nós não quiesermos continuar a sermos vítimas de imprevisíveis terremotos, inundações excepcionais, vírus desconhecidos ou qualquer outra coisa, nossa única chance é agir contra nosso verdadeiro inimigo: nosso estilo de vida, nossos valores, nossos habitos, nossa cultura, nossa indiferença. Não é contra a natureza que nós precisamos urgentemente declarar guerra, mas contra a nossa sociedade e todas as suas instituições. Se nós não estivermos preparados para inventar uma existência diferente e lutar por realizá-la, estaremos nos preparando para morrer nessa existência que outros escolheram e impuseram. E morrer em silêncio, assim como sempre vivemos.

Tradução: Renato



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:32 PM



Terça-feira, Maio 12, 2009 :::


O Anarco-primitivismo e o que isso tras de bom

*Após ler abandone o termo anarco-primitivismo

O anarco-primitivismo fundamentalmente é dizer que vivemos sujeitos a um processo de alienação. Afastados do que realmente podemos, vivemos simbolos, vivemos ideologias, que se iniciam com a domesticação. Os simbolos não são mais ferramentas efemeras e mutáveis.
Esta frase de Nietszche simboliza muito bem: "o ideal é a blasfemia contra a realidade".

O pacote anarco primitivismo tem sido mais falado sobre o que não é do que sobre as criticas e
sugestões que oferece. Tem sido tambem o bode expiatorio de de muitos "experimentos" que querem ser desafogados por
alguns. Um exemplo é apontar o anarco-primitivismo como Neo-rousseaunismo.
O anarco-primitivismo também tem sido visto como Extremismo e dogma, e não pela sua
radicalidade.
Radical, pois trazem criticas a domesticação e a divisão de trabalho, Pré condições de qualquer
sociedade dividida.

Pacote Anarco-primitivismo:

- Divisão de trabalho
É o inico da divisão, da separação. A miniaturização e fragmentação do universo humano.
dissociação de aspectos aparentemente desconexos de nossas vidas.
Sociedade dos que não sabem e dos que sabem, dos tolos e dos espertos.

- Domesticação
É a miniaturização alheia. Processo a base de ideologia

- Povos primitivos como inspiração - primitivismo:
Devido o anarco-primitivismo ser confundido tambem como um sistema (como o o socialismo,
comunismo e o anarquismo) se conta que os povos primitivos seriam o sistema do anarco-primitivismo.
Diferente de romantizar a vida coletora, informados antropologicamente, podemos compreender muitos aspectos de uma vida sem divisões.

- Retorno ao natural:
Simbolos como ferramentas efemeras e mutáveis.
A sociedade contra o estado, contra a divisão.

- Cultura
Resultado da divisão de trabalho, a cultura surge como arte humana fragmentada pelo culto ao genio por vaidade.



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -6:43 PM



Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009 :::

Olá macadada (aspirantes a bonobo), a Biblioteca Daninha foi atualizada com novos textos do Zerzan, Feral Faun, Massimo Passamani, etc e sobre as praticas do dia a dia. visitem...
aqui ao lado os links do blog também foram atualizados , muitas coisas boas e necessarias por ai...


Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -11:15 AM



Quinta-feira, Janeiro 22, 2009 :::




Brevemente Antipolitica

-não confundir com conformismo, isso sim é boa politica.
e ativismo muitas vezes se encaixa em conformismo.

-porque a vida é sem adjetivos

-o que impede ou o que favorece a vida livre nao é necessariamente o Estado ou o anarquismo.
alias, até agora parece que ambos tem trabalhado juntos contra a
anarquia.

-porque o relogio é talvez o "ultimo inimigo a ultrapassar", e isso nao envolve politica.

-antipolitica tambem é antieconomia, os numeros tambem sao dos
ultimos inimigos a serem ultrapassados e isso nao envolve politica.

-porque qualquer subcultura e a subcultura anarquista é ideologia como a dos evangelhicos e esquerdistas, terapistas, e comerciantes, seguidores de alguma coisa.

-porque os sentidos nao reconhecem o ideal, apenas sao atrofiados por ele.

gorroverde


Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -8:27 PM



Barba a fazer

Quando acordo cedo e ja ando por ai, passo a mão em uma
arvore pra sentir como esta o dia, e dizer um oi.
calçadas me fazem lembrar que estou na cidade. reparo nos muros e
vejo as grades das casas.
sigo em frente e esqueço de toda essa paranoia.
sim, é uma praça o primeiro lugar a parar.

começo a pensar em musica...
sobre uma melodia e os efeitos dela
é um nobre motivo para se recorrer a razão.

penso nessa praça como um belo jardim abandonado.
imagino como cada muro e concreto será consumido pela vegetação.
fico sorridente.

a pratica da sanidade leva a pobreza capital
e muitas vezes tenho dormido somente pela exaustão, e por nada que
gere capital.
mas meu sono é bom. como tem que ser...

é uma epoca cruel como todas as epocas desde o surgimento dos calendários.
Não corremos risco de sermos crucificados, mas saibam qual é o valor de
uma floresta ou mesmo de um deserto hoje, na sociedade de massas, tecnologica, industrial e envolvente.

qual sera o tempo de vida de uma civilização global?
ruinas de predios servirão para ver a passagem das constelações.



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -3:03 AM



Terça-feira, Janeiro 13, 2009 :::


O corpo e a revolta
por Massimo Passamani

A historia da civilização ocidental pode ser lida como o empreendimento sistematico em excluir e isolar o corpo.
De Platão adiante, o corpo tem sido visto através dos tempos como loucura para ser controlada, impulsos para serem reprimidos, força de trabalho para organizar, e inconsciente para a psicanalise.

A separação platonica entre o corpo e mente, uma separação para a total vantagem desta ultima ("o corpo é a tumba da mente"), acompanha até mesmo as aparentes expressões dos pensamentos mais radicais.

Hoje, esta tese é apoiada em numerosos textos filosoficos, todos exceto aqueles hostis a rarefeita e insalubre atmosfera das universidades. Uma leitura de Nietzche e autores como Hannan Arendt tem encontrado sua apropriada sistematisação escolastica (psicologia fenomenologica, idéia de diferença, um modo de"por de lado").
Entretanto, ou devido a isto, nao me pearece que este problema e suas implicações, que são muitas e fascinantes, têm sido consideradas com profundidade.

Uma profunda libertação do individuo integra uma igual e profunda transformação do modo de conceber o corpo, sua expressão e suas relações.

Devido a uma herança bem treinada de guerra cristã, somos levados a acreditar que a dominação controla e expropria uma parte do ser sem danificar o seu intimo (e muito poderia ser dito sobre a divisao entre um suposto ser intimo e as relações externas). É claro, relações capitalistas e imposições estatais adulteram e poluem a vida, mas pensamos que a percepção de nós mesmos e do mundo permanecem inalteradas. Portanto mesmo quando imaginamos um rompimento radical com o existente, estamos claros de que é o nosso corpo que nos torna presente.

Eu penso, em vez disso, que nosso corpo tem sofrido e continua a sofrer uma terrivel mutilação. E não apenas devido aos aspectos obvios do controle e alienação determinadas pela tecnologia.
(Que os corpos têm sido reduzidos a reservatórios de orgãos está claramente evidente pelo triunfo da ciencia dos transplantes, o que é descrito com um insidioso eufemismo "fronteria da medicina". Mas para mim a realidade me parece muito pior do que as especulações farmaceuticas e a ditadura da medicina como mostra um corpo separado e poderoso.)
O alimento, o ar, as relações diárias tem atrofiado nossos sentidos.
A insensatez do trabalho, a sociabilidade forçada, a terrivel materialidade da conversa forçada e a toa, regimentam o pensamento e o corpo, visto que nenhuma separação é possivel entre eles.

O doce cumprimento da lei, os canais que aprisionam, cujo os desejos, que por tal captividade realmente se transformam em tristes monstros deles mesmos, sao fraquesas anexados ao organismo assim como a poluição ou a mediação forçada.

"moralidade é exaustão" - disse Nietzsche.

Afirmar a propria vida, e tal exuberância que demanda ser dada, integra as transformações dos sentidos assim como a transformação das ideias e das relações.

Frequentemente vejo as pessoas como belas, mesmo fisicamente, aquelas que pareciam para mim insignificantes até um momento. Quando você está projetando sua vida e testa a si mesmo, juntamente com alguem, numa possivel revolta , você ve em sua companhia individuos maravilhosos, e não mais as faces e corpos tristes que extinguem sua luz em habitos e coerção. Acredito que tais individuos estão se tornando realmente belos (e nao porque simplesmente os vejo como tais) no momento em que eles expressam seus desejos e vivam suas idéias.

A determinação etica de alguem que abandona e ataca as estruturas de poder é uma percepção, um momento no qual se experimenta a beleza dos companheiros e a miséria das obrigações e da submissão.
"Eu me revolto, portanto eu existo" é uma frase de Camus que nunca para de me encantar como uma razão unica pela qual a vida pode ter.

Face a um mundo que apresenta etica como o espaço da autoridade e da lei, eu penso que não existe dimensão etica a nao ser na revolta, no risco, no sonho. A sobrevivencia na qual somos confinados é injusta porque brutaliza e torna feio.

Apenas um corpo diferente pode perceber a visão ampla da vida que se abre ao desejo* e a mutualidade, e apenas um esforço em direção ao maravilhoso e ao desconhecido pode libertar nossos corpos acorrentados.

Tradução: erva daninha



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -7:54 PM



Quinta-feira, Janeiro 08, 2009 :::




"Divisão de trabalho. 1. Especificamente o colapso. 2.A fragmentação ou redução da atividade humana em trabalhos separados que é a prática raiz da alienação; especialização básica que faz a civilização surgir e desenvolver."

"A relativa plenitude da vida pré-civilizada foi primeiramente e principalmente uma ausência de limitações." Algumas questões hoje:

- A fragmentação da resistência em iniciativas parciais (exploração animal, anti-patriarquia, preservação ambiental, exploração social) como questoes distintas é uma consequencia direta da divisao de trabalho e da framentação da vida. o que estamos perdendo com as abordagens parciais?

-Como a divisão de trabalho influencia para que tenhamos uma percepção parcial e incompleta da realidade?

-A divisão de trabalho constantemente favorece uma fragmentação onde separamos em aspectos distintos e separados todas nossas habilidades e atividades, nos fazendo crer que atividades dinstintas como por exemplo tocar musica e nadar não se relacionam. Como a critica a divisao de trabalho e a domesticação pode influenciar em nossa vida diaria em direção a uma vida sem mediações, por uma vida de presença e fluidez?

--A idéia de que está nas mãos humanas derrubar a civilização, uma especie de responsabilidade revolucionaria, não seria uma ideologia que nos afasta de uma experiencia real, nos afastando talvez de compreender melhor nossa participação no desmantelamento da domesticação?



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:30 PM



Sábado, Janeiro 03, 2009 :::

Sobre as origens da guerra
John zerzan

alguns trechos:

"Como o ritual próprio, a guerra se executa através de um intermediação de gestos, de posturas e de modos de falar. Os soldados são idênticos e estruturados de uma maneira regular. As formações da violência organizada, com suas colunas e suas linhas são como a agricultura com seus sulcos, classificados sobre uma quadra (34). Controlados e disciplinados são também úteis para a ritualização dos comportamentos, que são sempre o meio para uma grande construção da autoridade. "

"As expressões de poder são a essência da civilização, o centro principal da ordem patriarcal. Pode-se pensar que a dominação masculina sistemática é um subproduto da guerra. A subordinação ritual e a desvalorização das mulheres é certamente o fruto da ideologia do guerreiro que tem valorizado cada vez mais as atividades masculinas
e diminuído a interações das mulheres."

"Não mudou grande coisa desde que a guerra foi instituída pela primeira vez, enraizada no ritual e encontrando terra fértil na domesticação. Marshall Sahlins primeiramente apontou que o crescimento do trabalho segue o desenvolvimento da cultura simbólica. Pode se dizer que a cultura gera a guerra, apesar das declarações contrárias. Depois de tudo, o caráter impessoal da civilização se desenvolve com o surgimento do simbólico. Os
símbolos (por exemplo as bandeiras nacionais) permitem a nossa espécie desumanizar os nossos semelhantes, o que possibilita a carnificina sistemática dentro da espécie."

texto completo:
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2009/01/436491.shtml



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -9:28 PM



Sábado, Dezembro 13, 2008 :::

Contra as atividades conduzidas

Fragmentação da vida: A idéia de que pelo fato de você não fazer música, não saber quais plantas são comestíveis ou não saber nadar não afeta o modo como você enxerga a vida, ou seja, menor;
Fragmentação da vida é a idéia de que as diversas atividades humanas (como fazer musica e nadar) não se relacionam.
É a existência dos especialistas, a dependência de especialistas, a divisão de trabalho.


Então um disse pro outro:
-vamos fazer isso? Vamos?
-sim, vamos.


Creio que as iniciativas livres se iniciam ai, e nada mais. O decorrer é espontâneo, sério e divertido.
A dominação tem uma lógica, ela não têm dono. É muito obvio que o estado, a escola e tantas outras instituições são fonte do exercício do controle, da domesticação. Mas a dominação não tem dono, é um "espírito" que tem habitado a espécie humana. Um espírito que sobrevive na medida em que reproduzimos seus direcionamentos. Isso é dizer que as raízes e o alimento da dominação se encontram mesmo em práticas ou atividades de proposta libertarias.

Pedagogia, palavra grega para condução de crianças.
Aqui a palavra condução oferece um risco de engano quanto ao ensinar.
Ensinar não é conduzir, ensinar é compartilhar.
Sim, você pode conduzir crianças até um rio para que aprendam a nadar.
Mas a prática de qualquer pedagogia é a permanente intromissão de um especialista.
É a permanente fragmentação do contínuo em momentos.

A tentativa de tentar unir domesticação com liberdade é mesmo persistente.
É como dizer Estado-libertário, feira-libertária, produção-de-excedente-libertário, agricultura-libertária, terapia-libertária e pedagogia-libertária.

Não interessa a medida que os instrutores-condutores-terapeutas-gurus permitem a iniciativa livre e espontânea de um individuo ou de um grupo, a questão é a existência de instrutores-terapeutas-condutores e gurus.

Nas iniciativas de reprodução do cotidiano, como a pedagogia-terapia-libertaria ou seitas existe sim momentos em que indivíduos descobrem novas possibilidades, se percebem e se alegrem com isso. Mas estes "momentos" também surgem em supermercados e em salas de aula. E então você lembra que são os supermercados e as escolas que devem ser abandonados, e também os terapeutas, os pedagogos e as seitas.
Viver nossa individualidade, viver a descoberta de novas possibilidades e sentir alegria de estar vivo não é algo dedicado apenas para alguns momentos, é sim algo para ser experimentado continuamente. Nós anarquistas não estamos em buscas de momentos livres, estamos em busca de uma continuidade livre.
Há um mundo cada vez mais monocromático roubando nossa vida e a fragmentando.
E para que nossa liberdade seja contínua é de forma contínua que devemos experimentá-la.

"Ruínas são playgrounds, seja Zapoteca ou Maya, Egipcia ou moderna.
Ao invés de preservá-las, por que não interagirmos com elas até transformá-las em nada, e esquecer as culturas que as criaram? A memória da cultura é a preservação da cultura - e cultura é meramente o limite sagrado colocado acima da criatividade e da interação. Insurgentes destroem limites sagrados. "
Feral Faun


O cotidiano da domesticação, a obediência diária à rigides e ao sistema deve ser rompida continuamente.
Enfrentar e romper amarras e nadarmos livremente apenas em oras especificas e permitidas?

Enquanto reservamos para nossa liberdade apenas alguns momentos a fragmentação continuará, e o melhor que vamos saber fazer é aprender economizar as coisas, e cairmos novamente na armadilha da economia, da política, da cultura e do relógio.

"A chuva estava caindo, era um maravilhoso evento
mas o mundo e a chuva não são pequenos
e o muro da escola era só mais um muro."





Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -9:25 PM



Terça-feira, Novembro 18, 2008 :::



a critica parcial sempre deixará pontos importantes de lado...
o problema tem uma raiz, tem uma fundação, é onde temos que focar...
é nos fundamentos que entendemos o que se manifesta.
vá fundo...

"Qual o problema da civilização? Por que devemos destruí-la? Pode parecer absurdo afirmações como "destruir a civilização", mas a questão é simples, estamos tão acostumados com a idéia de que 'civilização' significa 'organização humana' que quando ouvimos uma ameaça contra a civilização entendemos que seja uma ameaça contra a própria humanidade. "

"e o cinismo também existirá enquanto permitirmos a cultura existir no lugar da vida não mediada. "





Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:27 PM



Quinta-feira, Novembro 13, 2008 :::

De volta ao básico - Habilidades da Terra (parte 2)
Por Wildroots*


Roupas
A maneira como as pessoas se adornam e se vestem revela o que elas são, quais suas tradições culturais, o que consideram como belo, e como gastam seu tempo.
Numa economia global nossa forma de auto-expressão mais notável é controlada por especialistas e manufaturadas em condições de trabalho extremamente cruéis aos trabalhadores.
Os materiais dos quais as roupas contemporâneas são confeccionadas vem de inúmeras fontes prejudiciais. O algodão que produz tecido está encharcado com pesticidas próprios de uma monocultura de larga escala; a lã, seda, couro e peles estão inexoravelmente relacionados a crueldade e ao desperdício da agricultura industrial; Materiais sintéticos são extraídos de petróleo que por sua vez é extraído das profundezas da terra.
Retorno ao natural significa ter a responsabilidade de satisfazer as nossas necessidades.
Desenvolver roupas e adornamentos a partir de materiais naturais pode ter um sentido pratico, e nos permitir expressar nossa relação intima com as plantas e outros animais.

Ferramentas
Muitos se perguntam: "qual a diferença entre ferramentas (primitivas) e tecnologia?" Ambos parecem facilitar as nossas tarefas, ou faz com que a concluímos mais rápido. Um modo de olhar a distinção é se perguntar se determinado item pode ser encontrado facilmente ou pode ser manipulado pelas nossas mãos sem o uso de processos ou produtos industriais (o que requer a extração de mais "recursos" da terra).
Tal item pode ser consertado sem recorrermos a mais extrativismo ou a uma elite que possui “direito de propriedade intelectual” sobre nós?
Tal item pode ser deixando quando não é mais necessário e então confeccionado novamente em qualquer outro lugar?
Ferramentas simples feitas a partir de ossos, madeira, fibras vegetais e minerais são usados para executar uma tarefa e ainda assim o equilíbrio de oferecer-pegar no ecossistema não é prejudicado.
As substancias usadas não se convertem em compostos biocidas, ou em algo capaz de enfraquecer as forças regenerativas das diversas formas de vida.. Alguns exemplos de ferramentas primitivas são facas, arcos, cuias, flechas, rochas para triturar, raladores, espetos para coletas, lanças, vassouras, cordas, tigelas, redes etc. Superfícies afiadas são altamente essenciais para as ferramentas em si, afiadas a partir de rochas e usadas para cortar cordas ou couro, ou para serem fixadas em cabos como facas.
Esta habilidade ancestral de confeccionar objetos cortantes pode fazer com que a vida baseada na terra se torne mais fácil sem o uso da tecnologia. Podemos usar materiais ferais para fazer ferramentas cortantes que sejam mais fáceis do que achar determinadas rochas; este material pode ser um caco de vidro.
Com a tecnologia, os fins geralmente justificam os meios, e os fins geralmente sendo ganhos financeiros enormes para um numero pequeno de pessoas.
As conseqüências da atividade industrial são muitas vezes escondidas de nossa vista, ou deslocadas para populações distantes cujas pessoas nem mesmo necessitam dos produtos de tais atividades.

Quanto mais dependentes nos tornamos do complexo sistema tecnológico, mais alienados somos da fonte vida. Perdemos a consciência de nossas limitações ecológicas.
Reduzimos o resto da teia da vida como algo a ser usado e controlado no lugar de ser observado para compreendermos e respeitarmos nossa relação dentro desta teia. Nos sentimos isolados em nosso antropocentrismo, perdemos assim nossa identidade ecológica. Nos tornamos maquinas. A observação de que nós humanos temos vivido perfeitamente bem durante 99% de nossa existência sem a tecnologia industrial nos mostra que a vida baseada na terra é a norma da existência humana, e ainda assim a maioria de nós no mundo moderno parece prefere velocidade e complexidade no lugar de simplicidade e ritmo humano.
A comodidade padrão que se busca numa sociedade industrial não é necessária em uma existência mais simples, é uma questão de rejeitarmos o caminho do "progresso" e termos uma boa vontade em viver como um membro da teia da vida novamente.

Diversão
A diversão é predominante no mundo animal. Cachorros, esquilos, golfinhos, borboletas, raposas e humanos se divertem a si mesmos.
A civilização tem deturpado a diversão. No lugar de participarmos ativamente na criação de nosso próprio entretenimento temos nos transformado em espectadores, lotando estádios e sentando em frente de tvs e computadores. A diversão tem sido extraída das outras partes da vida, a tarefa do entretenimento tem sido relegada aos profissionais. A civilização tem roubado ingredientes básicos da diversão - contato pessoal e investigação - e trocado por tecnologia e espetáculo.
Através dos tempos as pessoas fizeram musica, dançaram, e participaram de jogos físicos e intelectuais. A variedade de materiais que podem ser usados para a diversão é infinita - bolas podem ser feitas com couro, percussão podem ser feitas de pele e madeira, flautas podem ser feitas de bambu, o corpo pode ser pintado com minerais e plantas, e simples "jogos de tabuleiro" podem ser jogados com pedras no chão.
Retornar ao natural significa diversão em todos os aspectos de nossas vidas. Significa a participar da criação de nossos próprios jogos, brincadeiras, usando materiais para imitarmos animais em celebrações que honram o selvagem.


*Tradução e adaptação: Erva Daninha - iniciativa anti-civilização

Leituras relacionadas:

Futuro primitivo - John Zerzan
O pior erro da humanidade - Jared Diamond
Nomadismo Feral - Erva Daninha

Sites sobre habilidades da terra (infelizmente todos em inglês)
http://primitiveways.com
http://stoneageskills.com
http://wildwoodsurvival.com (site extremamente completo)
http://www.wildroots.org/

Sobre os habitos materiais dos povos indígenas do Brasil:
http://pib.socioambiental.org/





Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:49 PM



De volta ao básico - Habilidades da Terra (parte 1)
Por Wildroots*



Nota de tradução: O texto a seguir usa como exemplos e fontes de materiais produtos de origem animal como couro, ossos e pele. Apesar de reconhecermos que sociedades de coletores-caçadores lidam com os animais como seus semelhantes (e em alguns exemplos consideram os animais entidades superiores). A iniciativa erva daninha encoraja e acredita ser possível o retorno ao natural sem que precisamos recorrer a caça. é importante lembrar que uma dieta primitiva é basicamente vegetariana, pois até 80% de sua alimentação são de coleta e nao de caça.

A iniciativa Erva Daninha encoraja uma dieta vegan para minimizarmos nosso impacto na vida dos animais e como uma maneira de nos sensibilizarmos de que não habitamos este planeta sozinhos, compartilhamos este lugar com inúmeras outras espécies, são nossos irmãos. Entendemos também que veganismo não é apenas dieta, é antes de tudo o combate a domesticação.




Habilidades da terra são habilidades que permitem as pessoas suprirem suas próprias necessidades básicas, necessárias se estamos indo viver fora da civilização industrial.
O desenvolvimento e a pratica dessas habilidades são predominantes na vida daqueles que vivem em culturas pré-civilizadas. Em nossa própria busca em desenvolver estas habilidades temos que admitir que somos como crianças; ao invés de aprendermos habilidades essenciais para vivermos, tais como confeccionar ferramentas a partir de materiais da terra, fazer roupas, identificar e preparar plantas para alimento ou uso medicinais, nossa educação tem nos treinado para sermos pequenos bons participantes de um sistema capitalista global, nos alienando de nossas vidas, dependentes da tecnologia industrial extrativista de recursos, devoradora de terras, escravizadora de animais, maquina de destruir culturas indígenas.
O que se segue abaixo é uma compilação de descrições de algumas habilidades da terra que nós entendemos como sendo altamente básicas para um conforto razoável em nossa sobrevivência fora da civilização.
Em cada descrição oferecemos razões para desenvolver as habilidades num contexto anticivilização, exemplos do como as habilidades vem sido praticadas por aqueles que estão tentando se tornar ferais, ou escapar da civilização.



Abrigo

Não importa do que uma casa contemporânea é feita, ela é ecologicamente exploradora.
Madeira comercial necessita de derrubada de arvores a um nível industrial; concreto necessita de amontoados absurdos de combustível para tratar a cal e para a extração de pedra e areia; o alumínio usa quantidades massivas de energia que provem de usinas nucleares, minas de carvão, e hidroelétricas. Os materiais de construções modernos não só contribuem para a extração de recursos, mas também para a degradação da saúde humana com a poluição interna do ar. De forma oposta aos assustadores materiais industriais, criar estruturas para nós mesmos com materiais que coletamos nos envolve com a natureza. Povos têm construído inúmeras variedades de estruturas ao decorrer da historia e da pré historia com materiais da Terra (naturais).

As formas das casas/abrigos têm variado dependendo do nível de nomadismo de determinado povo, o clima em que vivem, e os materiais que são achados facilmente ao redor. Estas estruturas tomam formas de cabanas, ocas, cabanas suspensas, barracas feitas com matérias como peles, madeira, fios, palha, tecidos, barro, areia, galhos, folhas de palmeiras, etc. O formato das estruturas influencia nosso psicológico, e muitas dessas estruturas envolvem nossas habitações com curvas no lugar de ângulos desarmônicos. Alguns acreditam que estes ambientes inspiram um modo de pensar diferente. Existem muitas pessoas atualmente integrando aspectos de diferentes habitações tradicionais para criar seu próprio método.
Ao desenvolver seu próprio abrigo, considere os fatores que acompanharam as antigas tradições: facilidade de coleta de materiais, transportabilidade, clima, e necessidades sazonais.


Alimentação
O alimento moderno é sem vida. Totalmente bombardeado por cancerígenos aromatizantes artificiais e gorduras, contribuem para as incontáveis doenças modernas. Possuem também o que muitas vezes são chamados de "antinutrientes" por todos os nutricionistas: gordura hidrogenada, gaseificação, açúcar refinado, entre outros.
Os processos de refinamento usado em produtos feitos a partir de cereais removem a maioria das fibras e nutrientes, e transformam os carboidratos em simples açucares.
A ciência moderna afirma que estes carboidratos simples afetam a quantidade de açúcar no sangue de maneira dramática, desgastando a produção de insulina do pâncreas. Cereais integrais afetam de maneira muito menor os níveis de açúcar no sangue e são ricos em nutrientes essenciais como a vitamina E. Porém, cereais são difíceis de digerir em grande quantidade, ocupam muito espaço e precisam de sistemas complexos de colheita, processamento e transporte. O valor calórico do combustível que se gasta em cultivar o trigo, produzir e transportar um único pão necessita de mais que o dobro de calorias que contem no pão em si.
Uma dieta baseada em grãos era desconhecida para a espécie humana até o surgimento da agricultura. Cereais silvestres representam uma parte pequena na dieta pré-histórica, mas na sua forma moderna tais grãos são alimentos altamente domesticados. A proteína vegetariana (produtos derivados da soja, etc) são totalmente dependentes de processos industriais. Deve se ocupar uma grande quantidade de terra para cultivar soja o suficiente para fazer tofu suficiente para sustentar um corpo vegan faminto de proteína. A carne selvagem pode ser sustentada na natureza, no lugar de fazendas domesticadoras.
Enquanto muitos de nós adotamos uma dieta vegan, deveríamos desafiar a nós mesmos e questionar as relações ecológicas e sociais de um sistema de alimentação dependente da agricultura.
Uma maneira de desafiarmos a nossa dependência das instituições da agricultura pode ser nos familiarizando com os alimentos silvestres e ferais - os alimentos que existem na comunidade da vida ao nosso redor, e que não são dependentes de um sistema artificial de "geração de vida" como a agricultura.
Os seres humanos que têm se alimentado sem a agricultura por milhões de anos são o nosso melhor exemplo, e sua saúde superior é uma evidencia de que seu modelo de dieta básica pode ser útil para nós hoje. Estudos feitos por antropólogos sobre a dieta primitiva têm confirmado o que parece ser instintivamente verdade para muitos de nós: que a carne não gordurosa e pura das fontes de carne selvagem, e o conteúdo de nutrientes superior que a plantas silvestres possuem ajudou a espécie humana manter excelente saúde e vigor (e possivelmente longevidade) para 99% da evolução humana. Foi apenas há 10.000 anos que as plantas e animais domesticados (por razões desconhecidas) entraram em algumas culturas humanas.
Dietas primitivas que têm sido estudadas em tempos atuais tem provado seu alto nível de nutrientes como o cálcio, comparado com a nossa dieta moderna, sem o uso de qualquer produto derivado animal de qualquer forma. A abundancia das folhagens verdes nas dietas primitivas suplementam mais o cálcio e outras incontáveis vitaminas e minerais, e devido a ausência de processos de refinamento e "antinutrientes" como açúcar, cafeína, e gaseificação, tais vitaminas são absorvidas pelo corpo, diferentemente da dieta moderna ocidental.
De forma similar, culturas nativas que moram mais ao norte (o autor se refere ao norte da América do norte. N.T), onde a proteína animal de origem silvestre é majoritária na dieta, tem mostrado ausência da incidência de problemas relacionados a saúde das artérias e doenças do coração comumente associados a gordura animal no mundo moderno.
Muito tem sido teorizado sobre os problemas sociais que surgiram devido a abundancia do armazenamento de comida pelas primeiras culturas agrárias. O excesso de gordura armazenada pelas mulheres agricultoras com uma dieta baseada em grãos em comunidades sedentárias tem sido relacionado como uma causa primaria do crescimento populacional devido a hiper-fertilidade. O modo de vida ativo dos coletores-caçadores é comumente visto como uma chave para a saúde física.

Água
A água na sociedade industrial é tirada do seu importante papel no ecossistema.
Sendo clorada, fluoretada, danificada, usada para resfriar reatores nucleares, e /ou despejada em campos de grãos e golfe encharcados de fertilizantes e herbicidas altamente tóxicos.
A pureza da água, a qual todos os seres vivos dependem, tem sido comprometida. O estado de saúde de um ecossistema determina e é determinado pela pureza de sua água. A saúde de nosso próprio ecossistema é determinada pelo o que esta ocorrendo rio acima. , ou pela poluição do ar, causando chuvas acidas; nossos cursos de água nos ligam aos nossos vizinhos. Pode se dizer que muitas culturas primitivas se fixam em cursos de água
O foco na água presente em muitas culturas é extremamente pratico, devido à vida depender da água.
Sair do sistema industrial de água nos coloca em choque com um entendimento das complexidades necessárias para fazer a água segura para se beber e para lidar com ela.
Ao fazermos uma concessão em usar dutos plásticos que contem substancias que imitam o estrogênio (o que pode causar desordens hormonais). Se alguém pensar em abandonar por completo os materiais de origem industrial deve se levar em conta a enorme quantidade de sacos feitos de couro que serão necessários ser carregados exaustivamente para irrigar uma plantação. Este entendimento pode por outro lado causar um questionamento sobre a necessidade de uma agricultura dependente de irrigação. Plantas selvagens, peixes, e outros animais são encontrados ao redor da água, devido à necessidade da água para as suas vidas; portanto em termos de autonomia, cursos de água não são apenas fontes de água, mas também de alimento natural. Em nossa busca para retornarmos ao estado natural, ou nos tornarmos mais integrados ao nosso redor, podemos começar a entender o modo como a água flui através da cadeia alimentar e de nossa paisagem.

Recipientes
Recipientes são altamente essenciais para manter as suas coisas juntas e fazer uma simples e fácil coleta. Como um vaso, o recipiente está pronto para ser preenchido. Tupperware, sacolas plásticas e qualquer outro recipiente de papel produzido industrialmente significam preencher nossa vida com desperdício.
Produtos prejudiciais e inúteis invadem nossos corpos através do ar e da água causando desordens no sistema imunológico e hormonal.
Sacolas e recipientes plásticos foram introduzidos muito recentemente em nosso meio e até recentemente os materiais usados como recipientes de pouca duração eram feitos de materiais vegetais (refeições servidas em palhas de milho ou em folhas de bananeira, deliciosas pamonhas, por exemplo), e que depois se tornavam ótimos adubos. Recipientes com materiais naturais confeccionados pelas mãos não requerem tecnologia ou especialização. Sua própria natureza nos fornece uma nova ligação com a teia da vida. Num contexto selvagem, um recipiente pode se tornar algo a ser carregado com freqüência junto de si, e em tempos de assentamentos mais longos recipientes podem se tornar mais elaborados e decorativos. Os recipientes podem ter a forma de jarros, potes e cuias feito de materiais animais ou vegetais como cabaças, ou feitos de barro. Pele animal ou plantas que possuem fibras para tecidos são usados para bolsas ou 'mochilas'.
Cestas podem ser confeccionadas a partir da palha da taboa e unidas com outros tipos de fibras vegetais disponíveis (cascas de arvores, galhos, folhas, etc).

Para as pessoas baseadas na terra e que vivem na abundancia de seu habitat, a variedade de materiais que podem ser utilizados fornecem ilimitadas possibilidades apara a autonomia.
A isca da "comodidade" para os produtos industriais e o complexo ritmo da sociedade industrial moderna tem tido sucesso sobre a nossa espécie.

O ritmo de vida exigido para se sentar por ai e fazer cestas e bolsas com materiais da natureza podem criar oportunidades para um profundo conhecimento do ambiente ao redor e fortalecer laços sociais.
Podemos aplicar pouco a pouco deste ritmo em nossas vidas praticando a prazerosa e útil habilidade de confeccionar recipientes da terra.


Fogo
É praticamente impossível conversar sobre coletar alimento e viver de modo selvagem sem mencionar o fogo. O Fogo tem um papel imenso na vida de todos - seja na vida primitiva e selvagem ou na prisão hiper estéril da civilização moderna. Nesta ultima, o fogo é tido facilmente como garantido, enquanto que em nosso estado natural o fogo é apreciado numa relação muito mais intima. Sempre temos usado o fogo para preparar nosso alimento, para nos manter aquecidos, para criarmos ferramentas, e possivelmente o mais importante, no final do dia podemos nos juntar em volta de uma fogueira para compartilharmos histórias, dançarmos e cantarmos.
Na civilização, o calor 'vivo' de uma comunidade saudável é substituído pela lavagem cerebral e destruição da mente via raios de luz da tv e da tela de um computador.

O fogo é uma impressionante força na natureza, e a maneira como temos nos beneficiado dele também exerce uma importante função ecológica. O Fogo em florestas e pradarias tem fornecido um elemento de limpeza sem o qual a sucessão natural num ecossistema não seria possível.
A supressão do fogo selvagem na sociedade moderna tem levado a um declínio na diversidade das espécies e na saúde do ecossistema, sem mencionar a produção de materiais potencialmente inflamáveis que são combustíveis de incêndios catastróficos que vemos atualmente.
A vida neste planeta não poderia existir sem uma enorme bola de fogo (o sol) criando e alimentando a vida.
Apesar do corpo humano ser completamente capaz de digerir e processar uma dieta completamente crua, todos os exemplos de sociedades de coletores caçadores que ainda vivem usam o fogo para cozinhar ao menos alguns de suas comidas, especialmente em climas mais temperados. Cozinhar faz com que novas fontes de alimento sejam disponíveis, alimentos que crus não seriam comestíveis, e que muitas vezes são biologicamente necessário devido a mudanças de clima ou em épocas de poucos alimentos.
Obter fogo na natureza sem o uso de artifícios industrializados, como por exemplo, palitos de fósforo, é o mais importante passo em aprender a viver de modo selvagem. Felizmente, existem muitos métodos de produzir fogo através do atrito. Esfregando madeira com madeira, calor é produzido, e eventualmente uma brasa começa a arder, e assim acende um punhado de palha seca.
Este método parece ser difícil, mas com paciência e pratica pode ser aprendido e praticado com facilidade. Algo interessante é que nem todas as sociedades de coletores caçadores sabem como produzir fogo com o atrito. Por exemplo, os Pigmeus na África carregam uma brasa acesa em um suporte de galhos e palha para onde quer que vão. Não existe consenso sobre se alguma vez souberam como começar o fogo. Porém vivem num ambiente tropical, onde caso eles percam o fogo, sua sobrevivência não está dependente dele. Através da pré historia humana, pessoas e fogo têm convivido harmoniosamente e em simbiose. Para onde vamos, levamos o fogo. Por centenas de milhares de anos aproveitamos e alimentamos de sua força e em troca ele nos alimenta e nos aquece. Hoje, com a terra sendo devastada pela civilização, os aspectos purificadores do fogo não devem ser negligenciados.


Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:46 PM



Domingo, Outubro 05, 2008 :::

é real, mas pouco sabemos disso
estivemos lá...
quando imaginamos nós estamos
lá...
mas aprendemos a não acreditar nisso.
entao é de certa maneira estar cada vez menos lá quando não acreditamos, mas ainda sim estamos.

imaginar nos faz entrar no caminho do que é imaginado.

e lá estamos
é algo que nós temos ,mas que adormeceu vivendo a
vida que levamos...como robos.
como seres civilizados.

é isso que a domesticação causa.




Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -3:27 PM



Domingo, Setembro 28, 2008 :::



Nomadismo Feral


Nota: Nos pontos a seguir vou expor argumentos para compreendermos a importância da mobilidade em todos os aspectos da vida humana, seja em
relação a nossa saúde, seja em relação ao como morar.
A o mobilidade nômade é um ponto de vista natural, nos possibilita entender e embarcar no fluxo natural.
O sedentarismo turva nossa visão da existência, nos fornece uma ilusão, nos separa da natureza em benefício de uma ilusão de domínio.
vivemos em um mundo doente (civilização) devido a esta persistente tentativa de controle do natural. E isto está devastando a muitos e a
tudo.
'Nomadismo feral' se trata da mobilidade no retorno a uma vida natural, em oposição a civilização, em oposição as tentativas de controle. Em
oposição a ilusão de controle. o Controle é uma ilusão.


- Qual animal em estado selvagem é sedentário? Qual partícula da matéria vai ocupar eternamente o mesmo espaço?

- A mobilidade é um aspecto da natureza, um aspecto como a reprodução ou alimentação.

- A vida livre e natural é constante movimento. Mas, existe a tentativa de levarmos uma vida sedentária. Uma vida ausente de movimento.
vivendo em oposição a vida livre.

-Tentando viver - Digo tentando porque de fato nunca irão conseguir
Pois, mesmo numa vida sedentária e estática o movimento ainda existe (e é este movimento que a tentativa domesticadora tenta exercer
controle). Uma vida sedentária necessita que as coisas sejam estáveis.
Mas algo que as "forças" domesticadoras nunca conseguirão controlar é o fato de que as coisas acontecem.

- Vida sedentária é uma constante de frustrações, enfermidades e sofrimentos devido a necessidade de que as coisas estejam estáticas e
controladas, mas elas nunca estão.

- A mobilidade ensina o fluir natural.
O sedentarismo ensina a incessante e frustrada tentativa de controle

- Domesticação: Controle, manipulação (que pode tanto se dispor da violência física como da violência psicologia, ou manipulação sutil de
comportamento visando benefícios de uma espécie ou grupo) indução de comportamentos culturais, criação de cultura, rituais, hierarquia,
divisão de trabalho. eliminação de espécies não domesticadas para beneficio da domesticação de outra (matar lobos para proteger o gado).

- Cultura: Atrofia dos sentidos. uma bolha virtual que tem englobado a espécie humana, mediando-a com o mundo natural através dos
símbolos (linguagem, números, tempo, tecnologia). Muitas vezes confundida com 'costume'. mas se diferem em suas bases, pois cultura
significa cultivo. Cultivo remete a domesticação, controle, exercício contínuo do controle, padronização de comportamento e respostas.

- Hábitos e costumes: Costumes são respostas a situações especificas. Geralmente os castores fazem a mesma coisas em diversos lugares
diferentes, por exemplo, constroem "cabanas em rios". E certamente cada grupo de castores, em cada área, cada rio específico,
lidam de uma maneira peculiar àquele rio e arvores e tudo mais ao redor. eles não cultivam este habito, simplesmente vivem, e no fluir de
suas vidas certas atitudes são necessárias, e isso não é uma questão de cultivo de comportamento. Não é uma questão de criar cultura para
viver.

-Feral: Selvagem, ou existente em um estado natural, assim como ocorre com animais ou plantas; o que foi revertido da domesticação ao estado
selvagem.

- Nomadismo feral é uma ruptura total com a domesticação.

- Ser feral envolve a pratica da mobilidade nômade.Nomadismo feral é sobre a mobilidade no processo de se tornar feral

- Nomadismo ou a 'mobilidade natural' não significa incessante movimento de lugar para lugar. Nomadismo é a atmosfera da mobilidade, mesmo
quando em repouso. é a recusa da permanência. A recusa de construir cultura.

- Movimento e repouso se alternam incessantemente.

- Auto critica anarquista - Praticas de controle, posse, permanência, producionismo, comercio, divisão de trabalho. controle de um espaço
físico. Iniciativas anarquistas que se baseiam em algumas dessas praticas colaboram mais com a reprodução da vida domesticada do que com a
liberdade.

- Nomadismo feral é sobre re-conexão com a natureza. Um nomadismo de cidade em cidade (nomadismo urbano, reprodução do urbanismo como
organização social) não estimula e compromete seriamente o processo de nos tornarmos ferais.
- as relações em meios urbanos são relações de dependência e mediações. Numa vida não urbana, em meio a natureza temos relações de autonomia e
experiência direta.

- O nomadismo feral visa a descentralização. O foco é a distancia dos centros e aglomerados urbanos. A urbanidade ensina e fornece apenas
dependência, vicio, rotina,trabalho, contaminações, ruído, estética atordoante e homogênea.

- Nomadismo feral é sobre o abandono da cidade.

- Se tornar feral é sobre anarquia.Anarquia é sobre a vida livre.Se tornar feral é se tornar livre.

- Romper com a domesticação é romper como medo do amanha. Romper com a dominação é abraçar a confiança. A vida livre é romper com o medo da
morte.

- Medo da morte tem sua origem no cultivo do controle de situações, o cultivo do permanente. O medo da morte é o medo da transformação. Com o
cultivo do permanente surge o medo do fim.

- Medo da morte não deve ser confundido com o impulso de defesa da integridade física, o que todos os seres vivos tem.

- Quando se vive controlando não participamos do fluir natural, e com isso desaprendermos que 'morte' é transformação e não fim.

- Não me cabe e não me interessa falar sobre como é a vida ou se tem vida após o que tem sido chamado de morte. O fato é que a vida está
presente em todas as manifestações físicas.
Moléculas de hidrogênio gerando moléculas de Helio no centro das estrelas ou moléculas de hidrogênio interagindo com moléculas de oxigênio
para formar água é um fenômeno cheio de vida e movimento. No mundo físico tudo se transforma, tudo flui. Não existe morte. Não existe tempo.
Não existe amanha.

- hipótese 1
Amigos se juntam compram ou alugam uma propriedade casa ( aluguel = tipo de vampirismo explicito) com isso dividem obrigações cotidianas e
pontuais baseada em calendários, noção de tempo, rotina, cobrança e expectativa de uma situação específica, controle de movimento para
garantir uma situação específica. Tensão, os desentendimentos têm muitas chances de tomar conta. O desfrutar da convivência de uma amizade
não existe, se existe é seriamente limitada. Existe apenas uma companhia na miséria.
Amigos em tal experiência geralmente tendem a romper em desentendimentos.

-hipotese2
Amigos se juntam e vão viajar. buscam uma re-conexão com o mundo natural, com um modo natural e livre de viver. Dividem camaradagem,
conhecimentos, descobertas, confiança, afinidades, desafios e satisfação.
Amigos em tal experiência se aproximam e aprofundam seus laços de amizade.

- Nomadismo feral é sobre autonomia. A mobilidade nômade requer e estimula a autonomia. A vida domesticada e sedentária requer e estimula a
dependência.

- Auto critica anarquista - Construir autonomia sem aspectos de uma mobilidade nômade resulta em efeitos colaterais do sedentarismo e da
territorização. A construção da autonomia que não ataca a propriedade e/ou se baseia na posse e controle de um determinado local, nada mais é
do que a criação de um pequeno reino.

- As formas de mobilidade são infinitas assim como são infinitas as formas em que a natureza se manifesta

- O nomadismo feral recusa e mina toda relação de domínio, recusa totalmente a domesticação. Todas as outras espécies são tidas como suas
iguais. Uma visão de mundo onde outra espécie ou elemento é visto como inferior, resulta na divisao, hierarquização e domesticação da própria
espécie (humana).

- Se tornar feral nos faz entender que não existe hierarquia no mundo natural.

- Se um animal de outra espécie depende de seus cuidados ( animais domesticados), pense nele como seu ultimo...
A domesticação limita a liberdade e autonomia de ambos, do domesticado e do domesticador. Ao dar impulso a roda da domesticação se perpetua
a mesma e todos os seus efeitos.

- Sedentarismo/domesticação - é a redução dos relacionamentos com as espécies.
- Nomadismo feral significa comunicação com todas as espécies.

- o nomadismo feral , enfrenta uma delicada situação. A civilização tem conseguido perpetuar a domesticação com novas maneiras de controlar
o espaço (com a ajuda da imposição do tempo ).As propriedades privadas (da pequena casa ao latifúndio; propriedades estatais, do prédio de
prefeitura a mega hidrelétricas. Tentam criar um mundo totalmente cercado.
O desafio nômade feral é atravessar através do espaço. De maneira que garanta sua integridade física e espiritual em oposição aos sistemas de
controle.

- o nomadismo enfrenta uma outra delicada situação. a civilização tem conseguido perpetuar a domesticação porque se perpetua a ilusão de
tempo. Pratica-se o cultivo do tempo. Temos como exemplo qualquer tipo de calendário adotado. Calendários perpetuam controle através da
ilusão de tempo (Padronizando e manipulando fluxos através de ciclos baseados em datas criadas; dividindo a existência entre passado,
presente e futuro). o Desafio nômade é não dar impulso ao tempo.

- Mas o nômade feral tem uma importante estratégia de descanso.
Áreas consideradas pelos domesticados de difícil acesso, áreas com dificuldades naturais.
Que são recomendáveis locais de acampamento para um deleite estético.

- a domesticação é antes de tudo auto-domesticação - o ciclo da domesticação é também um ciclo de construção de gaiolas, e cada humano
domesticado constrói a sua. O nomadismo feral não coloca a mão nessa roda. Pois essa é lógica da permanência. Não construa casas, acampe.

- "Não construa casas, acampe" - o acampamento é a habitação natural humana. Nos permite uma constante conexão com a terra. Não ha blocos de
cimento nos aprisionando.
O acampamento e suas habitações, construídos com materiais naturais de acesso livre a todos, simples e leves, porém firmes e aconchegantes,
nos protege do frio de um vento noturno mas não nos priva da circulação do ar. As praticas que um acampamento favorece são a do
companheirismo, e do respeito a individualidade.

- Acampar em grupo é a dinâmica do compartilhar. Acumular em acampamentos pode significar a dispersão do grupo, mas inevitavelmente significa
a solidão de quem acumula.

- Outro desafio nômade - O Estado não concorda que discorde dele. O nômade feral não vive nesta sociedade, ele não colabora com a reprodução
do sistema: voto, serviço militar, documentação, escolarização).O nômade feral se opõe a esta sociedade, logo não compartilha das atividades
desta. Novamente o desafio nômade feral é atravessar o espaço. De maneira que garanta sua integridade física e espiritual em oposição aos
sistemas de controle.

- O controle do movimento é fundamental para o Estado, seja para manter o "corpo físico" ou para garantir que acreditem em fronteiras.
O feral atravessa o espaço sem reconhecer fronteiras, igual ao todos os pássaros, que igualmente "não segam e nem acumulam em celeiros".

- A criança é a natureza intacta, e intacta é a continuação da natureza. A criança é fonte de inspiração para abandonarmos a nossa
domesticação. Por este motivo tem sido o alvo da domesticação. A escolarição é um exemplo de violência, a escolarização obrigatória é um
exemplo de violência explicita.

- Quando solicitado, O feral Compartilha de igual pra igual com a criança as lições de sua experiência individual.

- a domesticação precisa de mais crianças domesticadas. A natureza e a cura contra a domesticação precisa de crianças livres.


- Não ignoramos o fator 'agora'. Como seria ao nômade feral ter filhos agora? eu que aqui escrevo estas palavras não tenho respostas para
isso ( eu por enquanto não tenho filhos), assim como não há modelos para o nomadismo feral (algo inútil de se estabelecer: modelos).
Respostas pra tais questões serão mais fáceis de achar na pratica, e urge de serem compartilhadas.

- Sabemos como evitar a concepção por meios naturais e saudáveis. Sabemos como e quando ter filhos.

- O nomadismo feral rejeita a idéia de controle, e o controle de natalidade como reposta a atual superpopulação humana
é secar a roupa mas guarda-la no rio. Se existe uma superpopulação humana e que compromete o equilíbrio ambiental é devido a revolução
agrícola e o sedentarismo.

- A humanidade antes da agricultura (ou sem agricultura) vivia em perfeito equilíbrio com as demais espécies e com uma estável e equilibrada
população. antes da agricultura fomos uma espécie estável. o crescimento populacional humana é conseqüência direta da domesticação. conter um
desequilíbrio jogando peso pro lado errado, dando reposta ao crescimento populacional baseado no controle de natalidade, é tão inútil quanto
enxugar o chão mas não concertar a goteira.

- Se hoje a humanidade esta superlotando o planeta é devido a um estilo de vida especifico. Se queres uma estratégia para conter o
crescimento populacional, voltemos a ser nômades e naturais como fomos antes da domesticação.


- O sedentarismo não só favorece o super-crescimento populacional, o surgimento da autoridade, da divisão social entre os humanos (entre
aqueles que controlam e os que são controlados). O sedentarismo favorece em igual proporção o enfraquecimento do corpo e as restrições da
mente. O sedentarismo favorece o enfraquecimento da alimentação e a limitação do movimento.

- Uma conseqüência da mobilidade feral é a alimentação natural. A alimentação natural nos conecta a terra. pois é o que nasce naturalmente ao
nosso redor.

- a revolução agrícola e a revolução industrial nos expôs a uma infinidade de enfermidades devido a profundas alterações no nosso modo de
vida. Nos corrompe de uma vida selvagem e livre para uma vida domesticada e restrita. Alterações que se refletem nitidamente em nossa
alimentação.

-A Revolução industrial acentuou os efeitos da revolução agrícola. Acentuou ainda mais a divisão de trabalho, a dependência de
especialistas, o enfraquecimento do corpo e o empobrecimento da mente, a restrição do movimento. Hoje não apenas ficamos limitados a uma vila
agrícola com uma única tarefa, ficamos condicionados a paredes, geralmente dentro de quatro paredes olhando para imagens numa tela iluminada,
e para se locomover, usa-se uma cápsula de metal.

- A revolução agrícola, a revolução industrial, a sociedade industrial são a separação definitiva entre espécie humana e mundo natural.

- a revolução agrícola (a soma da domesticação, divisão de trabalho, sedentarismo e cultura) acrescentou em nossa dieta uma maior proporção
de alimentos cozidos, de grãos, leite de outras espécies, um superconsumo de derivados animais.
Isto significa um super aumento no consumo de proteínas de origem animal, gorduras, carboidratos e açucares. A nossa alimentação ficou pobre
em vitaminas, enzimas, minerais e outras proteínas, ricos em alimentos naturais como frutas, folhagens e raízes. Nos privou da alimentação
integral, dando origem a problemas na dentição (caries, mas formações), alergias, obesidade, inúmeras outras enfermidades que atingem desde
os ossos até órgãos, nervos, músculos e pele.

- A revolução agrícola nos entupiu de cereais mas nos privou de inúmeras frutas.

- A revolução industrial ( a soma da domesticação, divisão de trabalho, cultura e tecnologia) por sua vez acrescenta na dieta humana o
consumo de alimentos sintéticos, processados, refinados, imersos em conservantes, coadjuvantes, estabilizantes, aromatizantes, corantes.

- A alimentação industrial juntamente com o ambiente urbano e hiper-tecnológico potencializa as enfermidades criados com a revolução agrícola
e nos acrescenta ainda mais novas enfermidades ainda mais crônicas. Neste sentido, é útil lembrar que as doenças tidas como incuráveis, por
exemplo, são resultado de uma soma de fatores do estilo de vida sedentario-urbano-industrial, pouco tem a ver com o resultado da ação de um
vírus. Um corpo debilitado é um corpo fértil para enfermidades.

- O retorno a um alimentação natural, livre de todos os aditivos industriais e do empobrecimento nutricional da agricultura é fonte de cura e
de vitalidade, fonte de vigor físico e espiritual.

- o feral não pratica a agricultura, mas eles sabe que da semente vem o fruto e o abrigo. o nômade feral estimula isso. Por onde passa sua
pegada é fértil.

- O nômade feral necessita de uma coisa: não ter nada. Nada que comprometa a sua mobilidade.

- O nômade feral necessita de uma segunda coisa: necessita aprender habilidades da Terra.
Fazer corda, fogo, tecer fios, tecidos, filtrar água, montar abrigos, confeccionar cestos, confeccionar ferramentas cortantes, ferramentas
macerantes, cerâmicas, apanhadores de frutas, canoas, confeccionar come madeiras, pedras.
aprender tais habilidades significa autonomia , significa retornar ao modo de vida natural, significa conhecer e respeitar como igual o lugar
e as espécies com quem habita

- Podemos atacar a civilização, podemos abandonar a civilização. O que define ataque? O que define abandono?

- Há situações em que a domesticação precisa ser atacada, mas inevitavelmente em todas as situações a domesticação deve ser abandonada.

- A domesticação é uma vaidade humana. É um exemplo de arrogância. A arrogância de subir num pedestal inexistente e querer ditar as regras
neste planeta, este é o significado de civilização.

- Nosso maior ataque a essa arrogância é recusar continuar com essa loucura e descer deste fantasioso pedestal - Abandonar a domesticação,
abandonar a civilização, abandonar o controle , fluir novamente, caminhar suavemente neste planeta e voltar a falar com os animais.




Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -11:38 PM



Terça-feira, Setembro 16, 2008 :::


"A dominação de um grupo sobre outro, a sociedade de classes, se origina na sedentarização do ser humano. Ainda vivemos com os mitos gerados na época dessa fixação em alguma parte de nossa mãe-terra: mitos da terra natal, do estrangeiro; mitos que limitam a visão do mundo, que mutilam. É óbvio que a reação não pode ser um retorno a um nomadismo do tipo praticado por nossos distantes ancestrais, que eram coletores. Homens e mulheres adquirirão um novo modo de ser, para além do nomadismo e do sedentarismo. Uma vida sedentária constituída pela inatividade corporal é a causa radical de quase todas as doenças somáticas e psíquicas dos atuais seres humanos. Uma vida ativa e não-fixa curará todos estes problemas sem medicina nem psiquiatria."

Jacques Camatte



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -9:20 PM



Terça-feira, Agosto 12, 2008 :::

Receita nômade do dia:

Beterraba

como fazer:
você pega a beterraba e come



Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:11 PM






_______________
_______________

Iniciativa Anti-Domesticação



links:
Erva Daninha-Site
Edições Daninhas
Lenguas Nómades
largue
insurgentdesire.org.uk
ArtedocaoS
loitaluddita
Green Anarchy
Green Anarchist-uk
taoteblog
greenanarchy.info
primitivism.org
antipolitics
ProjetoPeriferia
freegan.info
anthropik
bombsandshields
biteback
EarthFirst!news
eco-action
blackandgreenbulletin
Alasbarricadas
eco-anarquista
ravidita-notícias
Punkcanibal
Ativismo-ABC
Célula-zero
ambi
indios.blogspot
nomadology
anarchist news
Ação Direta Grécia
canibais e reis
lucio e a serra
Indios "do" Brasil
ciclovida
wildroots
325 collective
anticarceraria
marsemfim
Raiz Primitiva
Pequena ameaça
TAPS
Jesus Radicals
Distúrbios Sociais zine
Espiritualidade Libertária
o Taborita
Anarchists against the wall
Judeus Contra o Sionismo
tinta sobre superficie
dedo sobre corda e madeira


Powered by Blogger