Erva Daninha Iniciativa Anti-Domesticação



Sexta-feira, Junho 26, 2009 :::




Amor
por John Zerzan

A vertigem da Tecno-modernidade é um invasiva sensação de insignificancia, o que
tambem é certamente registrado no nivel do que é sentido diretamente, e não
apenas pensado.
Já em 1984 Frederic Jameson se referiu a um "declinio do afeto" na sociedade
pós-moderna, uma paralisia ou afastamento emocional. Existe uma dissolução ou
nivelamente tomando caminho para dentro do terreno mais vital do ser humano.
Nosso estado afetivo é a exata textura e timbre de nossas vidas . Nada é mais
imediato para nós do que nossos sentimentos. Isto é fundamental, nos da a
"sensação" que temos do mundo, é o que atualmente nos conecta com a realidade.
Emoções são artefatos culturais, mais ainda do que idéias. Nesta direção Lucien
Febvre (1938, 1941) convocou uma história das sensibilidades, e Anne
Vincent-Buffault (1986) contribuiu com Histoire des Larmes (Historia das Lagrimas).
Estão nossas paixões no centro de nossa existência? Cada cultura possui seu
proprio ambiente emocional, cada luta politica é uma luta afetiva. A luta contra o
percurso da civilização certamente esta inclusa. As coisas são sentidas antes de
serem pensadas ou acreditadas, portanto, a hegemonia - ou a sua eliminação - tem
seu inicio no sentimento.

O primeiro livro de Adam Smith, The Theory of Moral Sentiments (1759), viu nas
emoções a linha que tecia a união da fabrica social. nada disso é uma descoberta
extraordinaria, porém muitas vezes agimos como se o campo do afeto não fosse de
relevância real.
A razão e a reflexão são relativamente expressões refinadas das próprias paixões.
Antonio Demasio fornece a noção de que a "consciencia começa como um
sentimento, um tipo especial de sentimento para ser claro, um sentimento de saber"
Sua sugestão reacende a divisão mente-corpo, tão essencial para a vida na
sociedade de massas.Tantas divisões debilitantes: Humanos da natureza, trabalho
do divertimento, a divisão entre as pessoas. Tambem somos afastados das
sensações fisicas, da experiencia direta.

Sentimentos são personificados, mas o que acontece ao contexto desta
personificação? O isolamento cresce a largos passos e os laços sociais
permanecem frágeis. Amizades são transferidas para "amizades" de rede sociais
de internet, e as casas onde moram apenas uma pessoa são uma porcentagem
cada vez maior de todas as casas. Onde é o lar? O assunto está disperso e o
social não existe mais, de acordo com Baudrillard.
Sentimos tudo isso, mesmo que a superficialidade da cultura dominante trabalhe
para deformar e superficializar nossas emoções centrais a sua propria imagem.
Este centro é seu próprio encorporamento, provavelmente o mais forte reduto da
resistência. Por outro lado, numa amarga ironia, poderiamos nao estar em tamanha
condição de não-saúde. poderiamos nao estar tao aflitivamente de alertas a
destruição de corações deste vazio moderno. Poderiamos naão estar em tamanha
ansiedade , em tamanha dor.

O livro The Affective Turn (2007) reflete pelo seu titulo a atual consciência da
centralidade da emoção como cultura. Apresentado pelo comunista Michel Hardt, é,
de qualquer forma, muito mais um exemplo do paradigma dominante do que uma
correção util. O comprometimento esquerdista com o progresso industrial é uma
parte importante do ataque violento contra a natureza intima. É um problema, não
uma solução.

Personificamos uma continua historia de amor e sofrimento, levando o testemunho
do que tem nos movimentado. O amor, como Kierkegaard enfatizou, é a base de
todo o significado na vida , como a conhecemos. Temos amor e cuidados antes de
aprendermos a formular qualquer coisa em linguagem. Como Martin Amis colocou
(The Times, 11/6/06), "O amor vem a ser a unica parte de nos que é solida,
enquanto o mundo vira de cabeça pra baixo e a tela se apaga."
Mas a falencia do advento do amor nas sociedades contemporâneas é tão obvio
quanto é doloroso, como foi recontado variadamente nas novelas de Michael
Houllebecq, por exemplo.
O anarco-novelista Tom Robbins tem enfatizado a questão de "como você faz o
amor permanecer?" Devemos concordar com o Eclesiastico (6:16) de que "um
amigo fiel é um remédio de vida" , mas onde estão os amigos? O acentuado
declinio da amizade nos EUA nas decadas recentes está bem documentada (por
exemplo, McPherson, Smith - Lovin and Brashears, American Sociological Review,
Junho 2006).

E é precisamente aqui que a teoria radical falha, ou falha em apresentar. Por que é
o "desejo" ( ou mais alienadamente ainda, a "sedução") que é o foco , e não o
amor?
Como Bell Hooks descreveu, "quando converso sobre amor com minha geração,
percebo que isto deixa todos assustados" Ainda que exista tal necessidade neste
deserto do espirito: nossa cultura de desamor acumulado.

O oposto de amor não é a raiva, e sim , a indiferença, carimbo oficial do cinismo
"descolado" posmoderno. Até aqui, tudo tem se ajoelhado diante da existência
producionista na drenagem tecno-cultural. Entretanto, precisamos convocar a
profundidade do relacionamento contra a superficialidade dominante, no qual tudo é
tão inconstante e descartavel.
Uma caracteristica chave é o amor potencial irrealizado da atualidade afetiva, em
nós mesmos e nos outros.
Existem obviamente potenciais "becos sem saidas" e ciladas no caminho. Por
exemplo, a arrogancia sexista que muitas vezes acomoda o amor romântico numa
cultura definidamente masculina-patriarcal. Ou a frequente e mundial negação do
aspecto do amor religioso, e a tendência em retrair a autêntica individualidade em
favor de uma identificação devoradora que nega e nâo aceita os outros.
Se emoção é um comportamento, o amor é certamente uma ação, assim como um
processo mental basico.
O amor é uma chave para o crescimento e fortalecimento emocional que pode nos
levar a uma grande comunhão com o mundo. O amor redime e da significado,
enfatizando a graça e a dádiva. A dádiva como uma oposição a atualidade
impiedosa.
Luce Irigaray expressa habilmente: " A dádiva não tem objetivos, propósitos - a
dadiva é doar. Antes de qualquer divisão entre aquele que doa e o que recebe.
Antes de qualquer identidade que separa o doador do que recebe. Mesmo antes da
propria dádiva."

Falar daquilo que pode ser doado pode nos lembrar o que nos tem sido tirado. Na
decada de 1950 Laurens van der Post encontrou um povo que podia carregar tudo
o que tinham em uma mão. Ele se referiu a "maravilhosa risada dos Bushman, que
sai do centro do ventre, um riso que não se ouve nunca entre civilizados."
Que proeza, a extinção do prazer de estar vivo na Terra. O objetivo psicanalitico de
Freud foi transformar a miseria neurotica em infelicidade "normal"; E o objetivo de
Lacan é que o analista aprenda a ser um infeliz como todo mundo.
É impressionante como é extremamente raro a menção de termos como sofrimento,
angustia ou tristeza na literatura da psicologia. Tais questões são claremente de
nenhum interesse teórico, meramente sintomas a serem classificados sob
descrições "menos emocionais". Simone weil visitou fabricas para entender o
sofrimento. As fabricas permanecem, a miséria está agora mais generalizada numa
sociedade cada vez mais sintética e deslocada.

Elaine Scarry em seu livro O Corpo e a Dor (1985) viu a tortura como "uma
miniaturização do mundo, da civilização." Um outro comentário sobre o estado da
sociedade que contém a cada dia mais desastres, ou até mesmos atrocidades
diárias. A Observação de Chellis Glendinning se aplica: traumas pessoais
comumente refletem o trauma da propria civilização em si.
Nos Estados Unidos é um fato que as doenças mentais/emocionais são os
principais problemas de saúde. E como Melinda Davis tem observado "A
ansiedade é a peste negra de nossos dias".
Um ótimo exercício, como eu vejo, é colocar toda as políticas em termos de saúde,
por exemplo, o que em nossa vida social é saudavel ou não-saudavel? Não é afinal
de contas a linha central de tudo?
O cenario geral é bem conhecido. Ansiedade e estresse debilitam o sistema
imunologico; 50 por cento das pessoas que possuem uma condição de ansiedade
também sofrem de depressão profunda. O surto de ansiedade ocorre contra o
cenario de um aumento da depressão entre todas os países industrializados.
De forma interessante, R.C. Solomon, encherga a depressão como "uma maneira
de deslocar a si mesmo dos valores pré-estabelecidos de nosso mundo."

No começo de Maio de 2008, diversas notícias vieram a tona sobre a alta
incidência de dores fisicas crônicas: ao menos 30 por cento da população
americana esta angustiada. E assim, dando continuidade, do crescente número de
incidentes com armas de fogo e índices de obesidade, agora crianças sofrem de
diabetes e doenças do coração; crianças em mudança de comportamento devido a
drogas infantis, o enorme crescimento de asma, autismo e alergias; Pais matandos
seus filhos; milhões "encantados" pelo viagra; dezenas de milhares de pessoas
dependentes de remédios para dormir, etc. etc. O cenario total é cada vez mais
patológico e assustador.
Não é surpresa que encontremos toneladas de livros de auto -ajuda vendidos, uma
intensa preocupação com o bem estar psicológico, e um infinito espetáculo do
sofrimento emocional via televisão e internet. Observe a sequência das revistas
americanas mais vendidas: Life, people, Us e Self. A redução da perspectiva em
uma sociedade individualista é obvia.

O livro de Cristopher Lasc , Cultura do Narcisismo (1979) citou: " uma sensação de
vazio interior, de raiva infinitamente reprimida". Escrevendo em 2008, Patricia
Parson concluiu que atualmente vivemos "numa condição muito mais fria que o
narcisismo" (Uma Breve história da Ansiedade).

Como sempre a acomodada sensibilidade do posmodernismo proclama o fim de
um "self" central, em favor de uma multilpicidade de papéis alternados a serem
encenados. Com os laços sociais atrofiados, existe algo central? Dispersados,
assim como o contato humano, desaparece o contato com a natureza, sentimos
medo de estarmos sozinhos com nós mesmos. Um modo de vida de distração
reprime memórias de sofrimento e a espera de um afeto. O que é o Progresso, ou
em outras palavras Modernidade? "É a enorme quantidade de resíduos químicos
potencialmente letais em nossas células. É estar sentado em frente a uma tela de
televisão ou de um computador num dia lindo. É fazer compras quando se esta
deprimido. É o sentimento de que algo esta sendo perdido." (Kevin Tucker, O Que é
Totalidade?") Provavelmente é uma surpresa que Descartes, progenitor da
alienação moderna, identificou o maravilhamento ou admiração como a primeira
das seis paixões humanas primitivas, no livro As Paixões da Alma (1649).
Onde está nossa capacidade de uma admiração genuína numa sociedade
desencantadora?

Posso dizer a vocês que eu fico emocionado pelo canto perserverante dos grilos,
suas fortes vozes de vida assim que o verão se encerra no Noroeste Pacifico. É
sempre um prazer especial ouvir a migração dos gansos logo acima, seus gritos
soam para mim como cães que latem suavemente logo acima. Não existe uma
consciência que é separada de algo que se experimenta. O que acontece então
quando tudo é experimentado de forma massiva, em produtos, imagens?
A diminuição do afeto , como Jameson colocou, é a diminuição de tudo aquilo que é
vivo também. Podemos realmente viver uma vida sem sentido (tecnificada, sem
encanto, e indireta)?O que é vivo e imadiato não existe numa tela.
Sabemos em qual direção a saude está. Freud escreveu para Wilhelm Fliess, "
Felicidade é um anseio pré-historico adiado. Isto é o porque que a riqueza fornece
tão pouca felicidade" (janeiro, 1898).
A simplicidade contém tudo e na simplicidade tudo é presente. Albert Camus
acertou bem com esta nota: " Eu cresci com o mar e a pobreza para mim era
luxuosa; então eu perdi o mar e percebi toda a luxuria cinza e a pobreza intolerável."

Tradução daninha


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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:52 AM



Segunda-feira, Junho 15, 2009 :::


NÃO EXISTEM CATÁSTROFES NATURAIS

(Baseado em um texto escrito por anônimos e anti-autoritários na época em que uma grande inundação acometeu a Itália)


Mais de vinte feridos, certa de dez desaparecidos, 40 mil evacuados. E centenas de milhões de dolares em prejuízos. Como se não tivessem sido gotas de chuva, mas bombas caindo sobre suas cabeças. Como se não tivesse sido uma inundação, mas um guerra, devastando suas casas. De fato isso foi. Mas o inimigo que atingiu tão severamente não foi o rio ou a montanha. Essas não são, na verdade, armas para uma vingança de uma natureza que estamos acostumados a pensar como hostil. A guerra que tem sido travada por séculos agora não é entre a humanidade e o meio ambiente natural, como tantos gostaríam que acreditássemos para garantir nossa obediência. Nosso inimigo é nossa própria atividade. Essa é a guerra. Esta civilização é a guerra. Natureza é simplesmente seu principal campo de batalha.Nós causamos essas poderosas tempestados ao transformarmos o clima atmosférico com nossa atividade industrial. Nossa atividade tem erodido os leitos dos rios, enchendo-os de lixo e deflorestando suas margens.Temos feito pontes desabarem contruindo-as como materiais defeituosos escolhidos para vencer o contrato. Temos devastado vilas inteiras contruindo casas em áreas de risco. Nós temos criado chacais que enchergam lucro em qualquer situação. Nós temos sido negligentes em não tomar medidas preventivas contra esses eventos, estando preocupados apenas em abrir novos estádios esportivos, shopping centers, linhas de metrô e ferrovias.


E como nós somos os responsáveis? Nós permitimos que tudo isso tenha acontecido repedidamente, delegando as decisões que afetam nossas vidas à outras pessoas. E agora, após devastar o planeta inteiro para nos mover mais rápido, comer mais rápido, trabalhar mais rápido, fazer dinheiro mais rápido, assistir TV mais rápido e "viver" mais rápido, nós ainda nos atrevemos a nos queixar quando descobrimos que nós também morremos mais rápido?


Não existem catástrofes naturais, apenas catástrofes sociais. Se nós não quiesermos continuar a sermos vítimas de imprevisíveis terremotos, inundações excepcionais, vírus desconhecidos ou qualquer outra coisa, nossa única chance é agir contra nosso verdadeiro inimigo: nosso estilo de vida, nossos valores, nossos habitos, nossa cultura, nossa indiferença. Não é contra a natureza que nós precisamos urgentemente declarar guerra, mas contra a nossa sociedade e todas as suas instituições. Se nós não estivermos preparados para inventar uma existência diferente e lutar por realizá-la, estaremos nos preparando para morrer nessa existência que outros escolheram e impuseram. E morrer em silêncio, assim como sempre vivemos.

Tradução: Renato



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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:32 PM



Terça-feira, Maio 12, 2009 :::


O Anarco-primitivismo e o que isso tras de bom

*Após ler abandone o termo anarco-primitivismo

O anarco-primitivismo fundamentalmente é dizer que vivemos sujeitos a um processo de alienação. Afastados do que realmente podemos, vivemos simbolos, vivemos ideologias, que se iniciam com a domesticação. Os simbolos não são mais ferramentas efemeras e mutáveis.
Esta frase de Nietszche simboliza muito bem: "o ideal é a blasfemia contra a realidade".

O pacote anarco primitivismo tem sido mais falado sobre o que não é do que sobre as criticas e
sugestoes que oferece. Tem sido tambem o bode expiatorio de de muitos "experimentos" que querem ser desafogados por
alguns. Um exemplo é apontar o anarco-primitivismo como Neo-rousseaunismo.
O anarco-primitivismo também tem sido visto como Extremismo e dogma, e não pela sua
radicalidade.
Radical, pois trazem criticas a domesticação e a divisão de trabalho, Pré condições de qualquer
sociedade dividida.

Pacote Anarco-primitivismo:

- Divisão de trabalho
É o inico da divisão, da separação. A miniaturização e fragmentação do universo humano.
dissociação de aspectos aparentemente desconexos de nossas vidas.
Sociedade dos que não sabem e dos que sabem, dos tolos e dos espertos.

- Domesticação
É a miniaturização alheia. Processo a base de ideologia

- Povos primitivos como inspiração - primitivismo:
Devido o anarco-primitivismo ser confundido tambem como um sistema (como o o socialismo,
comunismo e o anarquismo) se conta que os povos primitivos seriam o sistema do anarco-primitivismo.
Diferente de romantizar a vida coletora, informados antropologicamente, podemos compreender muitos aspectos de uma vida sem divisões.

- Retorno ao natural:
Simbolos como ferramentas efemeras e mutáveis.
A sociedade contra o estado, contra a divisão.

- Cultura
Resultado da divisão de trabalho, a cultura surge como arte humana fragmentada pelo culto ao genio por vaidade.



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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -6:43 PM



Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009 :::

Olá macadada (aspirantes a bonobo), a Biblioteca Daninha foi atualizada com novos textos do Zerzan, Feral Faun, Massimo Passamani, etc e sobre as praticas do dia a dia. visitem...
aqui ao lado os links do blog também foram atualizados , muitas coisas boas e necessarias por ai...


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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -11:15 AM



Quinta-feira, Janeiro 22, 2009 :::




Brevemente Antipolitica

-não confundir com conformismo, isso sim é boa politica.
e ativismo muitas vezes se encaixa em conformismo.

-porque a vida é sem adjetivos

-o que impede ou o que favorece a vida livre nao é necessariamente o Estado ou o anarquismo.
alias, até agora parece que ambos tem trabalhado juntos contra a
anarquia.

-porque o relogio é talvez o "ultimo inimigo a ultrapassar", e isso nao envolve politica.

-antipolitica tambem é antieconomia, os numeros tambem sao dos
ultimos inimigos a serem ultrapassados e isso nao envolve politica.

-porque qualquer subcultura e a subcultura anarquista é ideologia como a dos evangelhicos e esquerdistas, terapistas, e comerciantes, seguidores de alguma coisa.

-porque os sentidos nao reconhecem o ideal, apenas sao atrofiados por ele.

gorroverde


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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -8:27 PM



Barba a fazer

Quando acordo cedo e ja ando por ai, passo a mão em uma
arvore pra sentir como esta o dia, e dizer um oi.
calçadas me fazem lembrar que estou na cidade. reparo nos muros e
vejo as grades das casas.
sigo em frente e esqueço de toda essa paranoia.
sim, é uma praça o primeiro lugar a parar.

começo a pensar em musica...
sobre uma melodia e os efeitos dela
é um nobre motivo para se recorrer a razão.

penso nessa praça como um belo jardim abandonado.
imagino como cada muro e concreto será consumido pela vegetação.
fico sorridente.

a pratica da sanidade leva a pobreza capital
e muitas vezes tenho dormido somente pela exaustão, e por nada que
gere capital.
mas meu sono é bom. como tem que ser...

é uma epoca cruel como todas as epocas desde o surgimento dos calendários.
Não corremos risco de sermos crucificados, mas saibam qual é o valor de
uma floresta ou mesmo de um deserto hoje, na sociedade de massas, tecnologica, industrial e envolvente.

qual sera o tempo de vida de uma civilização global?
ruinas de predios servirão para ver a passagem das constelações.



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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -3:03 AM



Terça-feira, Janeiro 13, 2009 :::

O corpo e a revolta
por Massimo Passamani

A historia inteira da civilização ocidental pode ser lida como o empreendimento sistematico em excluir e isolar o corpo.
De Platão adiante, o corpo através dos tempos tem sido visto como loucura para se controlar, impulsos para se reprimir, força de trabalho para organizar, e inconsciente para a psicanalise.

A separação platonica entre o corpo e mente, uma separação para total vantagem desta ultima ("o corpo é a tumba da mente"), acompanha até mesmo as aparentes expressões de pensamentos mais radicais.

Hoje, esta tese é apoiada em numerosos textos filosoficos, todos eles exceto aqueles que são hostis a rarefeita e insalubre atmosfera das universidades. Uma leitura de Nietzche e autores como Hannan Arendt tem encontrado sua apropriada sistematisação escolastica (psicologia fenomenologica, idéia de diferença, e um modo de se "por de lado").
Entretanto, ou atualmente devido a isto, nao me pearece que este problema, suas implicações que são muitas e fascinantes, tem sido consideradas com profundidade.

Uma profunda libertação do individuo integra uma igual e profunda transformação do modo de conceber o corpo, sua expressão e suas relações.

Devido a uma herança bem treinada de guerra cristã, somos levados a acreditar que a dominação controla e expropria uma parte do ser sem danificar o seu intimo (e tem muito que poderia ser dito sobre a divisao entre um suposto ser intimo e relações externas). É claro, relações capitalistas e imposições estatais adulteram e poluem a vida, mas pensamos que a percepção de nós mesmos e do mundo permanecem inalteradas. Portanto mesmo quando imaginamos um rompimento radical com o existente, estamos claros de que é o nosso corpo que nos torna presente, em termos de agir sobre.

Eu penso, em vez disso, que nosso corpo tem sofrido e continua a sofrer uma terrivel mutilação. E isso não é apenas devido aos aspectos obvios do controle e alienação determinadas pela tecnologia.
(Que corpos tem sido reduzidos a reservatorios de orgãos está claramente mostrado pelo triunfo da ciencia dos transplantes, o que é descrito com um insidioso eufemismo "fronteria da medicina". Mas para mim a realidade me parece muito pior do que as especulações farmaceuticas e a ditadura da medicina como revela um corpo separado e poderoso.) O alimento, o ar, as relações diárias tem atrofiado nossos sentidos.
A insensatez do trabalho, a sociabilidade forçada, a terrivel materialidade da conversa forçada e a toa, regimentam ambos o pensamento e o corpo, visto que nenhuma separação é possivel entre eles.

O doce cumprimento da lei, os canais que imprisionam, cujo os desejos que por tal captividade realmente se transforma em tristes monstros deles mesmos, sao fraquesas anexados ao organismo assim como a poluição ou mediação forçada.

"moralidade é exaustão" - disse Nietzsche.

Afirmar a propria vida, tal exuberância que demanda ser dada, integra as transformações dos sentidos assim como das ideias e das relações.

frequentemente venho a ver as pessoas como belas, mesmo fisicamente, aquelas que pareciam para mim insignificante até um curto periodo de tempo atrás. Quando você está projetando sua vida e testa a si mesmo numa possivel revolta com alguem, você ve em sua companhia individuos maravilhosos, e não mais as faces e corpos tristes que extinguem sua luz em habitos e coerção. Eu acredito que estão se tornando realmente belos (e nao porque eu simplesmente os vejo como tais) no momento em que eles expressam seus desejos e vivam suas idéias.

A determinação etica de alguem que abandona e ataca as estruturas de poder é uma percepção, um momento no qual se experimenta a beleza dos companheiros e a miséria da obrigação e submissão. "Eu me revolto, portanto eu existo" é uma frase de Camus que nunca para de me encantar como uma unica razão pela qual a vida pode ter.

Face a um mundo que apresenta etica como o espaço da autoridade e da lei, eu penso que não existe dimensão etica a nao ser na revolta, no risco, no sonho. A sobrevivencia na qual somos confinados é injusta porque brutaliza e torna feio.

Apenas um corpo diferente pode perceber a visão ampla da vida que se abre ao desejo e a mutualidade, e apenas um esforço em direção ao maravilhoso e ao desconhecido pode libertar nossos corpos acorrentados.

Tradução: erva daninha


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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -7:54 PM



Quinta-feira, Janeiro 08, 2009 :::




"Divisão de trabalho. 1. Especificamente o colapso. 2.A fragmentação ou redução da atividade humana em trabalhos separados que é a prática raiz da alienação; especialização básica que faz a civilização surgir e desenvolver."

"A relativa plenitude da vida pré-civilizada foi primeiramente e principalmente uma ausência de limitações." Algumas questões hoje:

- A fragmentação da resistência em iniciativas parciais (exploração animal, anti-patriarquia, preservação ambiental, exploração social) como questoes distintas é uma consequencia direta da divisao de trabalho e da framentação da vida. o que estamos perdendo com as abordagens parciais?

-Como a divisão de trabalho influencia para que tenhamos uma percepção parcial e incompleta da realidade?

-A divisão de trabalho constantemente favorece uma fragmentação onde separamos em aspectos distintos e separados todas nossas habilidades e atividades, nos fazendo crer que atividades dinstintas como por exemplo tocar musica e nadar não se relacionam. Como a critica a divisao de trabalho e a domesticação pode influenciar em nossa vida diaria em direção a uma vida sem mediações, por uma vida de presença e fluidez?

--A idéia de que está nas mãos humanas derrubar a civilização, uma especie de responsabilidade revolucionaria, não seria uma ideologia que nos afasta de uma experiencia real, nos afastando talvez de compreender melhor nossa participação no desmantelamento da domesticação?



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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:30 PM



Sábado, Janeiro 03, 2009 :::

Sobre as origens da guerra
John zerzan

alguns trechos:

"Como o ritual próprio, a guerra se executa através de um intermediação de gestos, de posturas e de modos de falar. Os soldados são idênticos e estruturados de uma maneira regular. As formações da violência organizada, com suas colunas e suas linhas são como a agricultura com seus sulcos, classificados sobre uma quadra (34). Controlados e disciplinados são também úteis para a ritualização dos comportamentos, que são sempre o meio para uma grande construção da autoridade. "

"As expressões de poder são a essência da civilização, o centro principal da ordem patriarcal. Pode-se pensar que a dominação masculina sistemática é um subproduto da guerra. A subordinação ritual e a desvalorização das mulheres é certamente o fruto da ideologia do guerreiro que tem valorizado cada vez mais as atividades masculinas
e diminuído a interações das mulheres."

"Não mudou grande coisa desde que a guerra foi instituída pela primeira vez, enraizada no ritual e encontrando terra fértil na domesticação. Marshall Sahlins primeiramente apontou que o crescimento do trabalho segue o desenvolvimento da cultura simbólica. Pode se dizer que a cultura gera a guerra, apesar das declarações contrárias. Depois de tudo, o caráter impessoal da civilização se desenvolve com o surgimento do simbólico. Os
símbolos (por exemplo as bandeiras nacionais) permitem a nossa espécie desumanizar os nossos semelhantes, o que possibilita a carnificina sistemática dentro da espécie."

texto completo:
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2009/01/436491.shtml



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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -9:28 PM



Sábado, Dezembro 13, 2008 :::

Contra as atividades conduzidas

Fragmentação da vida: A idéia de que pelo fato de você não fazer música, não saber quais plantas são comestíveis ou não saber nadar não afeta o modo como você enxerga a vida, ou seja, menor;
Fragmentação da vida é a idéia de que as diversas atividades humanas (como fazer musica e nadar) não se relacionam.
É a existência dos especialistas, a dependência de especialistas, a divisão de trabalho.


Então um disse pro outro:
-vamos fazer isso? Vamos?
-sim, vamos.


Creio que as iniciativas livres se iniciam ai, e nada mais. O decorrer é espontâneo, sério e divertido.
A dominação tem uma lógica, ela não têm dono. É muito obvio que o estado, a escola e tantas outras instituições são fonte do exercício do controle, da domesticação. Mas a dominação não tem dono, é um "espírito" que tem habitado a espécie humana. Um espírito que sobrevive na medida em que reproduzimos seus direcionamentos. Isso é dizer que as raízes e o alimento da dominação se encontram mesmo em práticas ou atividades de proposta libertarias.

Pedagogia, palavra grega para condução de crianças.
Aqui a palavra condução oferece um risco de engano quanto ao ensinar.
Ensinar não é conduzir, ensinar é compartilhar.
Sim, você pode conduzir crianças até um rio para que aprendam a nadar.
Mas a prática de qualquer pedagogia é a permanente intromissão de um especialista.
É a permanente fragmentação do contínuo em momentos.

A tentativa de tentar unir domesticação com liberdade é mesmo persistente.
É como dizer Estado-libertário, feira-libertária, produção-de-excedente-libertário, agricultura-libertária, terapia-libertária e pedagogia-libertária.

Não interessa a medida que os instrutores-condutores-terapeutas-gurus permitem a iniciativa livre e espontânea de um individuo ou de um grupo, a questão é a existência de instrutores-terapeutas-condutores e gurus.

Nas iniciativas de reprodução do cotidiano, como a pedagogia-terapia-libertaria ou seitas existe sim momentos em que indivíduos descobrem novas possibilidades, se percebem e se alegrem com isso. Mas estes "momentos" também surgem em supermercados e em salas de aula. E então você lembra que são os supermercados e as escolas que devem ser abandonados, e também os terapeutas, os pedagogos e as seitas.
Viver nossa individualidade, viver a descoberta de novas possibilidades e sentir alegria de estar vivo não é algo dedicado apenas para alguns momentos, é sim algo para ser experimentado continuamente. Nós anarquistas não estamos em buscas de momentos livres, estamos em busca de uma continuidade livre.
Há um mundo cada vez mais monocromático roubando nossa vida e a fragmentando.
E para que nossa liberdade seja contínua é de forma contínua que devemos experimentá-la.

"Ruínas são playgrounds, seja Zapoteca ou Maya, Egipcia ou moderna.
Ao invés de preservá-las, por que não interagirmos com elas até transformá-las em nada, e esquecer as culturas que as criaram? A memória da cultura é a preservação da cultura - e cultura é meramente o limite sagrado colocado acima da criatividade e da interação. Insurgentes destroem limites sagrados. "
Feral Faun


O cotidiano da domesticação, a obediência diária à rigides e ao sistema deve ser rompida continuamente.
Enfrentar e romper amarras e nadarmos livremente apenas em oras especificas e permitidas?

Enquanto reservamos para nossa liberdade apenas alguns momentos a fragmentação continuará, e o melhor que vamos saber fazer é aprender economizar as coisas, e cairmos novamente na armadilha da economia, da política, da cultura e do relógio.

"A chuva estava caindo, era um maravilhoso evento
mas o mundo e a chuva não são pequenos
e o muro da escola era só mais um muro."





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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -9:25 PM



Terça-feira, Novembro 18, 2008 :::



a critica parcial sempre deixará pontos importantes de lado...
o problema tem uma raiz, tem uma fundação, é onde temos que focar...
é nos fundamentos que entendemos o que se manifesta.
vá fundo...

"Qual o problema da civilização? Por que devemos destruí-la? Pode parecer absurdo afirmações como "destruir a civilização", mas a questão é simples, estamos tão acostumados com a idéia de que 'civilização' significa 'organização humana' que quando ouvimos uma ameaça contra a civilização entendemos que seja uma ameaça contra a própria humanidade. "

"e o cinismo também existirá enquanto permitirmos a cultura existir no lugar da vida não mediada. "





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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:27 PM



Quinta-feira, Novembro 13, 2008 :::

De volta ao básico - Habilidades da Terra (parte 2)
Por Wildroots*


Roupas
A maneira como as pessoas se adornam e se vestem revela o que elas são, quais suas tradições culturais, o que consideram como belo, e como gastam seu tempo.
Numa economia global nossa forma de auto-expressão mais notável é controlada por especialistas e manufaturadas em condições de trabalho extremamente cruéis aos trabalhadores.
Os materiais dos quais as roupas contemporâneas são confeccionadas vem de inúmeras fontes prejudiciais. O algodão que produz tecido está encharcado com pesticidas próprios de uma monocultura de larga escala; a lã, seda, couro e peles estão inexoravelmente relacionados a crueldade e ao desperdício da agricultura industrial; Materiais sintéticos são extraídos de petróleo que por sua vez é extraído das profundezas da terra.
Retorno ao natural significa ter a responsabilidade de satisfazer as nossas necessidades.
Desenvolver roupas e adornamentos a partir de materiais naturais pode ter um sentido pratico, e nos permitir expressar nossa relação intima com as plantas e outros animais.

Ferramentas
Muitos se perguntam: "qual a diferença entre ferramentas (primitivas) e tecnologia?" Ambos parecem facilitar as nossas tarefas, ou faz com que a concluímos mais rápido. Um modo de olhar a distinção é se perguntar se determinado item pode ser encontrado facilmente ou pode ser manipulado pelas nossas mãos sem o uso de processos ou produtos industriais (o que requer a extração de mais "recursos" da terra).
Tal item pode ser consertado sem recorrermos a mais extrativismo ou a uma elite que possui “direito de propriedade intelectual” sobre nós?
Tal item pode ser deixando quando não é mais necessário e então confeccionado novamente em qualquer outro lugar?
Ferramentas simples feitas a partir de ossos, madeira, fibras vegetais e minerais são usados para executar uma tarefa e ainda assim o equilíbrio de oferecer-pegar no ecossistema não é prejudicado.
As substancias usadas não se convertem em compostos biocidas, ou em algo capaz de enfraquecer as forças regenerativas das diversas formas de vida.. Alguns exemplos de ferramentas primitivas são facas, arcos, cuias, flechas, rochas para triturar, raladores, espetos para coletas, lanças, vassouras, cordas, tigelas, redes etc. Superfícies afiadas são altamente essenciais para as ferramentas em si, afiadas a partir de rochas e usadas para cortar cordas ou couro, ou para serem fixadas em cabos como facas.
Esta habilidade ancestral de confeccionar objetos cortantes pode fazer com que a vida baseada na terra se torne mais fácil sem o uso da tecnologia. Podemos usar materiais ferais para fazer ferramentas cortantes que sejam mais fáceis do que achar determinadas rochas; este material pode ser um caco de vidro.
Com a tecnologia, os fins geralmente justificam os meios, e os fins geralmente sendo ganhos financeiros enormes para um numero pequeno de pessoas.
As conseqüências da atividade industrial são muitas vezes escondidas de nossa vista, ou deslocadas para populações distantes cujas pessoas nem mesmo necessitam dos produtos de tais atividades.

Quanto mais dependentes nos tornamos do complexo sistema tecnológico, mais alienados somos da fonte vida. Perdemos a consciência de nossas limitações ecológicas.
Reduzimos o resto da teia da vida como algo a ser usado e controlado no lugar de ser observado para compreendermos e respeitarmos nossa relação dentro desta teia. Nos sentimos isolados em nosso antropocentrismo, perdemos assim nossa identidade ecológica. Nos tornamos maquinas. A observação de que nós humanos temos vivido perfeitamente bem durante 99% de nossa existência sem a tecnologia industrial nos mostra que a vida baseada na terra é a norma da existência humana, e ainda assim a maioria de nós no mundo moderno parece prefere velocidade e complexidade no lugar de simplicidade e ritmo humano.
A comodidade padrão que se busca numa sociedade industrial não é necessária em uma existência mais simples, é uma questão de rejeitarmos o caminho do "progresso" e termos uma boa vontade em viver como um membro da teia da vida novamente.

Diversão
A diversão é predominante no mundo animal. Cachorros, esquilos, golfinhos, borboletas, raposas e humanos se divertem a si mesmos.
A civilização tem deturpado a diversão. No lugar de participarmos ativamente na criação de nosso próprio entretenimento temos nos transformado em espectadores, lotando estádios e sentando em frente de tvs e computadores. A diversão tem sido extraída das outras partes da vida, a tarefa do entretenimento tem sido relegada aos profissionais. A civilização tem roubado ingredientes básicos da diversão - contato pessoal e investigação - e trocado por tecnologia e espetáculo.
Através dos tempos as pessoas fizeram musica, dançaram, e participaram de jogos físicos e intelectuais. A variedade de materiais que podem ser usados para a diversão é infinita - bolas podem ser feitas com couro, percussão podem ser feitas de pele e madeira, flautas podem ser feitas de bambu, o corpo pode ser pintado com minerais e plantas, e simples "jogos de tabuleiro" podem ser jogados com pedras no chão.
Retornar ao natural significa diversão em todos os aspectos de nossas vidas. Significa a participar da criação de nossos próprios jogos, brincadeiras, usando materiais para imitarmos animais em celebrações que honram o selvagem.


*Tradução e adaptação: Erva Daninha - iniciativa anti-civilização

Leituras relacionadas:

Futuro primitivo - John Zerzan
O pior erro da humanidade - Jared Diamond
Nomadismo Feral - Erva Daninha

Sites sobre habilidades da terra (infelizmente todos em inglês)
http://primitiveways.com
http://stoneageskills.com
http://wildwoodsurvival.com (site extremamente completo)
http://www.wildroots.org/

Sobre os habitos materiais dos povos indígenas do Brasil:
http://pib.socioambiental.org/





Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:49 PM



De volta ao básico - Habilidades da Terra (parte 1)
Por Wildroots*



Nota de tradução: O texto a seguir usa como exemplos e fontes de materiais produtos de origem animal como couro, ossos e pele. Apesar de reconhecermos que sociedades de coletores-caçadores lidam com os animais como seus semelhantes (e em alguns exemplos consideram os animais entidades superiores). A iniciativa erva daninha encoraja e acredita ser possível o retorno ao natural sem que precisamos recorrer a caça. é importante lembrar que uma dieta primitiva é basicamente vegetariana, pois até 80% de sua alimentação são de coleta e nao de caça.

A iniciativa Erva Daninha encoraja uma dieta vegan para minimizarmos nosso impacto na vida dos animais e como uma maneira de nos sensibilizarmos de que não habitamos este planeta sozinhos, compartilhamos este lugar com inúmeras outras espécies, são nossos irmãos. Entendemos também que veganismo não é apenas dieta, é antes de tudo o combate a domesticação.




Habilidades da terra são habilidades que permitem as pessoas suprirem suas próprias necessidades básicas, necessárias se estamos indo viver fora da civilização industrial.
O desenvolvimento e a pratica dessas habilidades são predominantes na vida daqueles que vivem em culturas pré-civilizadas. Em nossa própria busca em desenvolver estas habilidades temos que admitir que somos como crianças; ao invés de aprendermos habilidades essenciais para vivermos, tais como confeccionar ferramentas a partir de materiais da terra, fazer roupas, identificar e preparar plantas para alimento ou uso medicinais, nossa educação tem nos treinado para sermos pequenos bons participantes de um sistema capitalista global, nos alienando de nossas vidas, dependentes da tecnologia industrial extrativista de recursos, devoradora de terras, escravizadora de animais, maquina de destruir culturas indígenas.
O que se segue abaixo é uma compilação de descrições de algumas habilidades da terra que nós entendemos como sendo altamente básicas para um conforto razoável em nossa sobrevivência fora da civilização.
Em cada descrição oferecemos razões para desenvolver as habilidades num contexto anticivilização, exemplos do como as habilidades vem sido praticadas por aqueles que estão tentando se tornar ferais, ou escapar da civilização.



Abrigo

Não importa do que uma casa contemporânea é feita, ela é ecologicamente exploradora.
Madeira comercial necessita de derrubada de arvores a um nível industrial; concreto necessita de amontoados absurdos de combustível para tratar a cal e para a extração de pedra e areia; o alumínio usa quantidades massivas de energia que provem de usinas nucleares, minas de carvão, e hidroelétricas. Os materiais de construções modernos não só contribuem para a extração de recursos, mas também para a degradação da saúde humana com a poluição interna do ar. De forma oposta aos assustadores materiais industriais, criar estruturas para nós mesmos com materiais que coletamos nos envolve com a natureza. Povos têm construído inúmeras variedades de estruturas ao decorrer da historia e da pré historia com materiais da Terra (naturais).

As formas das casas/abrigos têm variado dependendo do nível de nomadismo de determinado povo, o clima em que vivem, e os materiais que são achados facilmente ao redor. Estas estruturas tomam formas de cabanas, ocas, cabanas suspensas, barracas feitas com matérias como peles, madeira, fios, palha, tecidos, barro, areia, galhos, folhas de palmeiras, etc. O formato das estruturas influencia nosso psicológico, e muitas dessas estruturas envolvem nossas habitações com curvas no lugar de ângulos desarmônicos. Alguns acreditam que estes ambientes inspiram um modo de pensar diferente. Existem muitas pessoas atualmente integrando aspectos de diferentes habitações tradicionais para criar seu próprio método.
Ao desenvolver seu próprio abrigo, considere os fatores que acompanharam as antigas tradições: facilidade de coleta de materiais, transportabilidade, clima, e necessidades sazonais.


Alimentação
O alimento moderno é sem vida. Totalmente bombardeado por cancerígenos aromatizantes artificiais e gorduras, contribuem para as incontáveis doenças modernas. Possuem também o que muitas vezes são chamados de "antinutrientes" por todos os nutricionistas: gordura hidrogenada, gaseificação, açúcar refinado, entre outros.
Os processos de refinamento usado em produtos feitos a partir de cereais removem a maioria das fibras e nutrientes, e transformam os carboidratos em simples açucares.
A ciência moderna afirma que estes carboidratos simples afetam a quantidade de açúcar no sangue de maneira dramática, desgastando a produção de insulina do pâncreas. Cereais integrais afetam de maneira muito menor os níveis de açúcar no sangue e são ricos em nutrientes essenciais como a vitamina E. Porém, cereais são difíceis de digerir em grande quantidade, ocupam muito espaço e precisam de sistemas complexos de colheita, processamento e transporte. O valor calórico do combustível que se gasta em cultivar o trigo, produzir e transportar um único pão necessita de mais que o dobro de calorias que contem no pão em si.
Uma dieta baseada em grãos era desconhecida para a espécie humana até o surgimento da agricultura. Cereais silvestres representam uma parte pequena na dieta pré-histórica, mas na sua forma moderna tais grãos são alimentos altamente domesticados. A proteína vegetariana (produtos derivados da soja, etc) são totalmente dependentes de processos industriais. Deve se ocupar uma grande quantidade de terra para cultivar soja o suficiente para fazer tofu suficiente para sustentar um corpo vegan faminto de proteína. A carne selvagem pode ser sustentada na natureza, no lugar de fazendas domesticadoras.
Enquanto muitos de nós adotamos uma dieta vegan, deveríamos desafiar a nós mesmos e questionar as relações ecológicas e sociais de um sistema de alimentação dependente da agricultura.
Uma maneira de desafiarmos a nossa dependência das instituições da agricultura pode ser nos familiarizando com os alimentos silvestres e ferais - os alimentos que existem na comunidade da vida ao nosso redor, e que não são dependentes de um sistema artificial de "geração de vida" como a agricultura.
Os seres humanos que têm se alimentado sem a agricultura por milhões de anos são o nosso melhor exemplo, e sua saúde superior é uma evidencia de que seu modelo de dieta básica pode ser útil para nós hoje. Estudos feitos por antropólogos sobre a dieta primitiva têm confirmado o que parece ser instintivamente verdade para muitos de nós: que a carne não gordurosa e pura das fontes de carne selvagem, e o conteúdo de nutrientes superior que a plantas silvestres possuem ajudou a espécie humana manter excelente saúde e vigor (e possivelmente longevidade) para 99% da evolução humana. Foi apenas há 10.000 anos que as plantas e animais domesticados (por razões desconhecidas) entraram em algumas culturas humanas.
Dietas primitivas que têm sido estudadas em tempos atuais tem provado seu alto nível de nutrientes como o cálcio, comparado com a nossa dieta moderna, sem o uso de qualquer produto derivado animal de qualquer forma. A abundancia das folhagens verdes nas dietas primitivas suplementam mais o cálcio e outras incontáveis vitaminas e minerais, e devido a ausência de processos de refinamento e "antinutrientes" como açúcar, cafeína, e gaseificação, tais vitaminas são absorvidas pelo corpo, diferentemente da dieta moderna ocidental.
De forma similar, culturas nativas que moram mais ao norte (o autor se refere ao norte da América do norte. N.T), onde a proteína animal de origem silvestre é majoritária na dieta, tem mostrado ausência da incidência de problemas relacionados a saúde das artérias e doenças do coração comumente associados a gordura animal no mundo moderno.
Muito tem sido teorizado sobre os problemas sociais que surgiram devido a abundancia do armazenamento de comida pelas primeiras culturas agrárias. O excesso de gordura armazenada pelas mulheres agricultoras com uma dieta baseada em grãos em comunidades sedentárias tem sido relacionado como uma causa primaria do crescimento populacional devido a hiper-fertilidade. O modo de vida ativo dos coletores-caçadores é comumente visto como uma chave para a saúde física.

Água
A água na sociedade industrial é tirada do seu importante papel no ecossistema.
Sendo clorada, fluoretada, danificada, usada para resfriar reatores nucleares, e /ou despejada em campos de grãos e golfe encharcados de fertilizantes e herbicidas altamente tóxicos.
A pureza da água, a qual todos os seres vivos dependem, tem sido comprometida. O estado de saúde de um ecossistema determina e é determinado pela pureza de sua água. A saúde de nosso próprio ecossistema é determinada pelo o que esta ocorrendo rio acima. , ou pela poluição do ar, causando chuvas acidas; nossos cursos de água nos ligam aos nossos vizinhos. Pode se dizer que muitas culturas primitivas se fixam em cursos de água
O foco na água presente em muitas culturas é extremamente pratico, devido à vida depender da água.
Sair do sistema industrial de água nos coloca em choque com um entendimento das complexidades necessárias para fazer a água segura para se beber e para lidar com ela.
Ao fazermos uma concessão em usar dutos plásticos que contem substancias que imitam o estrogênio (o que pode causar desordens hormonais). Se alguém pensar em abandonar por completo os materiais de origem industrial deve se levar em conta a enorme quantidade de sacos feitos de couro que serão necessários ser carregados exaustivamente para irrigar uma plantação. Este entendimento pode por outro lado causar um questionamento sobre a necessidade de uma agricultura dependente de irrigação. Plantas selvagens, peixes, e outros animais são encontrados ao redor da água, devido à necessidade da água para as suas vidas; portanto em termos de autonomia, cursos de água não são apenas fontes de água, mas também de alimento natural. Em nossa busca para retornarmos ao estado natural, ou nos tornarmos mais integrados ao nosso redor, podemos começar a entender o modo como a água flui através da cadeia alimentar e de nossa paisagem.

Recipientes
Recipientes são altamente essenciais para manter as suas coisas juntas e fazer uma simples e fácil coleta. Como um vaso, o recipiente está pronto para ser preenchido. Tupperware, sacolas plásticas e qualquer outro recipiente de papel produzido industrialmente significam preencher nossa vida com desperdício.
Produtos prejudiciais e inúteis invadem nossos corpos através do ar e da água causando desordens no sistema imunológico e hormonal.
Sacolas e recipientes plásticos foram introduzidos muito recentemente em nosso meio e até recentemente os materiais usados como recipientes de pouca duração eram feitos de materiais vegetais (refeições servidas em palhas de milho ou em folhas de bananeira, deliciosas pamonhas, por exemplo), e que depois se tornavam ótimos adubos. Recipientes com materiais naturais confeccionados pelas mãos não requerem tecnologia ou especialização. Sua própria natureza nos fornece uma nova ligação com a teia da vida. Num contexto selvagem, um recipiente pode se tornar algo a ser carregado com freqüência junto de si, e em tempos de assentamentos mais longos recipientes podem se tornar mais elaborados e decorativos. Os recipientes podem ter a forma de jarros, potes e cuias feito de materiais animais ou vegetais como cabaças, ou feitos de barro. Pele animal ou plantas que possuem fibras para tecidos são usados para bolsas ou 'mochilas'.
Cestas podem ser confeccionadas a partir da palha da taboa e unidas com outros tipos de fibras vegetais disponíveis (cascas de arvores, galhos, folhas, etc).

Para as pessoas baseadas na terra e que vivem na abundancia de seu habitat, a variedade de materiais que podem ser utilizados fornecem ilimitadas possibilidades apara a autonomia.
A isca da "comodidade" para os produtos industriais e o complexo ritmo da sociedade industrial moderna tem tido sucesso sobre a nossa espécie.

O ritmo de vida exigido para se sentar por ai e fazer cestas e bolsas com materiais da natureza podem criar oportunidades para um profundo conhecimento do ambiente ao redor e fortalecer laços sociais.
Podemos aplicar pouco a pouco deste ritmo em nossas vidas praticando a prazerosa e útil habilidade de confeccionar recipientes da terra.


Fogo
É praticamente impossível conversar sobre coletar alimento e viver de modo selvagem sem mencionar o fogo. O Fogo tem um papel imenso na vida de todos - seja na vida primitiva e selvagem ou na prisão hiper estéril da civilização moderna. Nesta ultima, o fogo é tido facilmente como garantido, enquanto que em nosso estado natural o fogo é apreciado numa relação muito mais intima. Sempre temos usado o fogo para preparar nosso alimento, para nos manter aquecidos, para criarmos ferramentas, e possivelmente o mais importante, no final do dia podemos nos juntar em volta de uma fogueira para compartilharmos histórias, dançarmos e cantarmos.
Na civilização, o calor 'vivo' de uma comunidade saudável é substituído pela lavagem cerebral e destruição da mente via raios de luz da tv e da tela de um computador.

O fogo é uma impressionante força na natureza, e a maneira como temos nos beneficiado dele também exerce uma importante função ecológica. O Fogo em florestas e pradarias tem fornecido um elemento de limpeza sem o qual a sucessão natural num ecossistema não seria possível.
A supressão do fogo selvagem na sociedade moderna tem levado a um declínio na diversidade das espécies e na saúde do ecossistema, sem mencionar a produção de materiais potencialmente inflamáveis que são combustíveis de incêndios catastróficos que vemos atualmente.
A vida neste planeta não poderia existir sem uma enorme bola de fogo (o sol) criando e alimentando a vida.
Apesar do corpo humano ser completamente capaz de digerir e processar uma dieta completamente crua, todos os exemplos de sociedades de coletores caçadores que ainda vivem usam o fogo para cozinhar ao menos alguns de suas comidas, especialmente em climas mais temperados. Cozinhar faz com que novas fontes de alimento sejam disponíveis, alimentos que crus não seriam comestíveis, e que muitas vezes são biologicamente necessário devido a mudanças de clima ou em épocas de poucos alimentos.
Obter fogo na natureza sem o uso de artifícios industrializados, como por exemplo, palitos de fósforo, é o mais importante passo em aprender a viver de modo selvagem. Felizmente, existem muitos métodos de produzir fogo através do atrito. Esfregando madeira com madeira, calor é produzido, e eventualmente uma brasa começa a arder, e assim acende um punhado de palha seca.
Este método parece ser difícil, mas com paciência e pratica pode ser aprendido e praticado com facilidade. Algo interessante é que nem todas as sociedades de coletores caçadores sabem como produzir fogo com o atrito. Por exemplo, os Pigmeus na África carregam uma brasa acesa em um suporte de galhos e palha para onde quer que vão. Não existe consenso sobre se alguma vez souberam como começar o fogo. Porém vivem num ambiente tropical, onde caso eles percam o fogo, sua sobrevivência não está dependente dele. Através da pré historia humana, pessoas e fogo têm convivido harmoniosamente e em simbiose. Para onde vamos, levamos o fogo. Por centenas de milhares de anos aproveitamos e alimentamos de sua força e em troca ele nos alimenta e nos aquece. Hoje, com a terra sendo devastada pela civilização, os aspectos purificadores do fogo não devem ser negligenciados.


Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:46 PM



Domingo, Outubro 05, 2008 :::

é real, mas pouco sabemos disso
estivemos lá...
quando imaginamos nós estamos
lá...
mas aprendemos a não acreditar nisso.
entao é de certa maneira estar cada vez menos lá quando não acreditamos, mas ainda sim estamos.

imaginar nos faz entrar no caminho do que é imaginado.

e lá estamos
é algo que nós temos ,mas que adormeceu vivendo a
vida que levamos...como robos.
como seres civilizados.

é isso que a domesticação causa.




Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -3:27 PM



Domingo, Setembro 28, 2008 :::



Nomadismo Feral


Nota: Nos pontos a seguir vou expor argumentos para compreendermos a importância da mobilidade em todos os aspectos da vida humana, seja em
relação a nossa saúde, seja em relação ao como morar.
A o mobilidade nômade é um ponto de vista natural, nos possibilita entender e embarcar no fluxo natural.
O sedentarismo turva nossa visão da existência, nos fornece uma ilusão, nos separa da natureza em benefício de uma ilusão de domínio.
vivemos em um mundo doente (civilização) devido a esta persistente tentativa de controle do natural. E isto está devastando a muitos e a
tudo.
'Nomadismo feral' se trata da mobilidade no retorno a uma vida natural, em oposição a civilização, em oposição as tentativas de controle. Em
oposição a ilusão de controle. o Controle é uma ilusão.


- Qual animal em estado selvagem é sedentário? Qual partícula da matéria vai ocupar eternamente o mesmo espaço?

- A mobilidade é um aspecto da natureza, um aspecto como a reprodução ou alimentação.

- A vida livre e natural é constante movimento. Mas, existe a tentativa de levarmos uma vida sedentária. Uma vida ausente de movimento.
vivendo em oposição a vida livre.

-Tentando viver - Digo tentando porque de fato nunca irão conseguir
Pois, mesmo numa vida sedentária e estática o movimento ainda existe (e é este movimento que a tentativa domesticadora tenta exercer
controle). Uma vida sedentária necessita que as coisas sejam estáveis.
Mas algo que as "forças" domesticadoras nunca conseguirão controlar é o fato de que as coisas acontecem.

- Vida sedentária é uma constante de frustrações, enfermidades e sofrimentos devido a necessidade de que as coisas estejam estáticas e
controladas, mas elas nunca estão.

- A mobilidade ensina o fluir natural.
O sedentarismo ensina a incessante e frustrada tentativa de controle

- Domesticação: Controle, manipulação (que pode tanto se dispor da violência física como da violência psicologia, ou manipulação sutil de
comportamento visando benefícios de uma espécie ou grupo) indução de comportamentos culturais, criação de cultura, rituais, hierarquia,
divisão de trabalho. eliminação de espécies não domesticadas para beneficio da domesticação de outra (matar lobos para proteger o gado).

- Cultura: Atrofia dos sentidos. uma bolha virtual que tem englobado a espécie humana, mediando-a com o mundo natural através dos
símbolos (linguagem, números, tempo, tecnologia). Muitas vezes confundida com 'costume'. mas se diferem em suas bases, pois cultura
significa cultivo. Cultivo remete a domesticação, controle, exercício contínuo do controle, padronização de comportamento e respostas.

- Hábitos e costumes: Costumes são respostas a situações especificas. Geralmente os castores fazem a mesma coisas em diversos lugares
diferentes, por exemplo, constroem "cabanas em rios". E certamente cada grupo de castores, em cada área, cada rio específico,
lidam de uma maneira peculiar àquele rio e arvores e tudo mais ao redor. eles não cultivam este habito, simplesmente vivem, e no fluir de
suas vidas certas atitudes são necessárias, e isso não é uma questão de cultivo de comportamento. Não é uma questão de criar cultura para
viver.

-Feral: Selvagem, ou existente em um estado natural, assim como ocorre com animais ou plantas; o que foi revertido da domesticação ao estado
selvagem.

- Nomadismo feral é uma ruptura total com a domesticação.

- Ser feral envolve a pratica da mobilidade nômade.Nomadismo feral é sobre a mobilidade no processo de se tornar feral

- Nomadismo ou a 'mobilidade natural' não significa incessante movimento de lugar para lugar. Nomadismo é a atmosfera da mobilidade, mesmo
quando em repouso. é a recusa da permanência. A recusa de construir cultura.

- Movimento e repouso se alternam incessantemente.

- Auto critica anarquista - Praticas de controle, posse, permanência, producionismo, comercio, divisão de trabalho. controle de um espaço
físico. Iniciativas anarquistas que se baseiam em algumas dessas praticas colaboram mais com a reprodução da vida domesticada do que com a
liberdade.

- Nomadismo feral é sobre re-conexão com a natureza. Um nomadismo de cidade em cidade (nomadismo urbano, reprodução do urbanismo como
organização social) não estimula e compromete seriamente o processo de nos tornarmos ferais.
- as relações em meios urbanos são relações de dependência e mediações. Numa vida não urbana, em meio a natureza temos relações de autonomia e
experiência direta.

- O nomadismo feral visa a descentralização. O foco é a distancia dos centros e aglomerados urbanos. A urbanidade ensina e fornece apenas
dependência, vicio, rotina,trabalho, contaminações, ruído, estética atordoante e homogênea.

- Nomadismo feral é sobre o abandono da cidade.

- Se tornar feral é sobre anarquia.Anarquia é sobre a vida livre.Se tornar feral é se tornar livre.

- Romper com a domesticação é romper como medo do amanha. Romper com a dominação é abraçar a confiança. A vida livre é romper com o medo da
morte.

- Medo da morte tem sua origem no cultivo do controle de situações, o cultivo do permanente. O medo da morte é o medo da transformação. Com o
cultivo do permanente surge o medo do fim.

- Medo da morte não deve ser confundido com o impulso de defesa da integridade física, o que todos os seres vivos tem.

- Quando se vive controlando não participamos do fluir natural, e com isso desaprendermos que 'morte' é transformação e não fim.

- Não me cabe e não me interessa falar sobre como é a vida ou se tem vida após o que tem sido chamado de morte. O fato é que a vida está
presente em todas as manifestações físicas.
Moléculas de hidrogênio gerando moléculas de Helio no centro das estrelas ou moléculas de hidrogênio interagindo com moléculas de oxigênio
para formar água é um fenômeno cheio de vida e movimento. No mundo físico tudo se transforma, tudo flui. Não existe morte. Não existe tempo.
Não existe amanha.

- hipótese 1
Amigos se juntam compram ou alugam uma propriedade casa ( aluguel = tipo de vampirismo explicito) com isso dividem obrigações cotidianas e
pontuais baseada em calendários, noção de tempo, rotina, cobrança e expectativa de uma situação específica, controle de movimento para
garantir uma situação específica. Tensão, os desentendimentos têm muitas chances de tomar conta. O desfrutar da convivência de uma amizade
não existe, se existe é seriamente limitada. Existe apenas uma companhia na miséria.
Amigos em tal experiência geralmente tendem a romper em desentendimentos.

-hipotese2
Amigos se juntam e vão viajar. buscam uma re-conexão com o mundo natural, com um modo natural e livre de viver. Dividem camaradagem,
conhecimentos, descobertas, confiança, afinidades, desafios e satisfação.
Amigos em tal experiência se aproximam e aprofundam seus laços de amizade.

- Nomadismo feral é sobre autonomia. A mobilidade nômade requer e estimula a autonomia. A vida domesticada e sedentária requer e estimula a
dependência.

- Auto critica anarquista - Construir autonomia sem aspectos de uma mobilidade nômade resulta em efeitos colaterais do sedentarismo e da
territorização. A construção da autonomia que não ataca a propriedade e/ou se baseia na posse e controle de um determinado local, nada mais é
do que a criação de um pequeno reino.

- As formas de mobilidade são infinitas assim como são infinitas as formas em que a natureza se manifesta

- O nomadismo feral recusa e mina toda relação de domínio, recusa totalmente a domesticação. Todas as outras espécies são tidas como suas
iguais. Uma visão de mundo onde outra espécie ou elemento é visto como inferior, resulta na divisao, hierarquização e domesticação da própria
espécie (humana).

- Se tornar feral nos faz entender que não existe hierarquia no mundo natural.

- Se um animal de outra espécie depende de seus cuidados ( animais domesticados), pense nele como seu ultimo...
A domesticação limita a liberdade e autonomia de ambos, do domesticado e do domesticador. Ao dar impulso a roda da domesticação se perpetua
a mesma e todos os seus efeitos.

- Sedentarismo/domesticação - é a redução dos relacionamentos com as espécies.
- Nomadismo feral significa comunicação com todas as espécies.

- o nomadismo feral , enfrenta uma delicada situação. A civilização tem conseguido perpetuar a domesticação com novas maneiras de controlar
o espaço (com a ajuda da imposição do tempo ).As propriedades privadas (da pequena casa ao latifúndio; propriedades estatais, do prédio de
prefeitura a mega hidrelétricas. Tentam criar um mundo totalmente cercado.
O desafio nômade feral é atravessar através do espaço. De maneira que garanta sua integridade física e espiritual em oposição aos sistemas de
controle.

- o nomadismo enfrenta uma outra delicada situação. a civilização tem conseguido perpetuar a domesticação porque se perpetua a ilusão de
tempo. Pratica-se o cultivo do tempo. Temos como exemplo qualquer tipo de calendário adotado. Calendários perpetuam controle através da
ilusão de tempo (Padronizando e manipulando fluxos através de ciclos baseados em datas criadas; dividindo a existência entre passado,
presente e futuro). o Desafio nômade é não dar impulso ao tempo.

- Mas o nômade feral tem uma importante estratégia de descanso.
Áreas consideradas pelos domesticados de difícil acesso, áreas com dificuldades naturais.
Que são recomendáveis locais de acampamento para um deleite estético.

- a domesticação é antes de tudo auto-domesticação - o ciclo da domesticação é também um ciclo de construção de gaiolas, e cada humano
domesticado constrói a sua. O nomadismo feral não coloca a mão nessa roda. Pois essa é lógica da permanência. Não construa casas, acampe.

- "Não construa casas, acampe" - o acampamento é a habitação natural humana. Nos permite uma constante conexão com a terra. Não ha blocos de
cimento nos aprisionando.
O acampamento e suas habitações, construídos com materiais naturais de acesso livre a todos, simples e leves, porém firmes e aconchegantes,
nos protege do frio de um vento noturno mas não nos priva da circulação do ar. As praticas que um acampamento favorece são a do
companheirismo, e do respeito a individualidade.

- Acampar em grupo é a dinâmica do compartilhar. Acumular em acampamentos pode significar a dispersão do grupo, mas inevitavelmente significa
a solidão de quem acumula.

- Outro desafio nômade - O Estado não concorda que discorde dele. O nômade feral não vive nesta sociedade, ele não colabora com a reprodução
do sistema: voto, serviço militar, documentação, escolarização).O nômade feral se opõe a esta sociedade, logo não compartilha das atividades
desta. Novamente o desafio nômade feral é atravessar o espaço. De maneira que garanta sua integridade física e espiritual em oposição aos
sistemas de controle.

- O controle do movimento é fundamental para o Estado, seja para manter o "corpo físico" ou para garantir que acreditem em fronteiras.
O feral atravessa o espaço sem reconhecer fronteiras, igual ao todos os pássaros, que igualmente "não segam e nem acumulam em celeiros".

- A criança é a natureza intacta, e intacta é a continuação da natureza. A criança é fonte de inspiração para abandonarmos a nossa
domesticação. Por este motivo tem sido o alvo da domesticação. A escolarição é um exemplo de violência, a escolarização obrigatória é um
exemplo de violência explicita.

- Quando solicitado, O feral Compartilha de igual pra igual com a criança as lições de sua experiência individual.

- a domesticação precisa de mais crianças domesticadas. A natureza e a cura contra a domesticação precisa de crianças livres.


- Não ignoramos o fator 'agora'. Como seria ao nômade feral ter filhos agora? eu que aqui escrevo estas palavras não tenho respostas para
isso ( eu por enquanto não tenho filhos), assim como não há modelos para o nomadismo feral (algo inútil de se estabelecer: modelos).
Respostas pra tais questões serão mais fáceis de achar na pratica, e urge de serem compartilhadas.

- Sabemos como evitar a concepção por meios naturais e saudáveis. Sabemos como e quando ter filhos.

- O nomadismo feral rejeita a idéia de controle, e o controle de natalidade como reposta a atual superpopulação humana
é secar a roupa mas guarda-la no rio. Se existe uma superpopulação humana e que compromete o equilíbrio ambiental é devido a revolução
agrícola e o sedentarismo.

- A humanidade antes da agricultura (ou sem agricultura) vivia em perfeito equilíbrio com as demais espécies e com uma estável e equilibrada
população. antes da agricultura fomos uma espécie estável. o crescimento populacional humana é conseqüência direta da domesticação. conter um
desequilíbrio jogando peso pro lado errado, dando reposta ao crescimento populacional baseado no controle de natalidade, é tão inútil quanto
enxugar o chão mas não concertar a goteira.

- Se hoje a humanidade esta superlotando o planeta é devido a um estilo de vida especifico. Se queres uma estratégia para conter o
crescimento populacional, voltemos a ser nômades e naturais como fomos antes da domesticação.


- O sedentarismo não só favorece o super-crescimento populacional, o surgimento da autoridade, da divisão social entre os humanos (entre
aqueles que controlam e os que são controlados). O sedentarismo favorece em igual proporção o enfraquecimento do corpo e as restrições da
mente. O sedentarismo favorece o enfraquecimento da alimentação e a limitação do movimento.

- Uma conseqüência da mobilidade feral é a alimentação natural. A alimentação natural nos conecta a terra. pois é o que nasce naturalmente ao
nosso redor.

- a revolução agrícola e a revolução industrial nos expôs a uma infinidade de enfermidades devido a profundas alterações no nosso modo de
vida. Nos corrompe de uma vida selvagem e livre para uma vida domesticada e restrita. Alterações que se refletem nitidamente em nossa
alimentação.

-A Revolução industrial acentuou os efeitos da revolução agrícola. Acentuou ainda mais a divisão de trabalho, a dependência de
especialistas, o enfraquecimento do corpo e o empobrecimento da mente, a restrição do movimento. Hoje não apenas ficamos limitados a uma vila
agrícola com uma única tarefa, ficamos condicionados a paredes, geralmente dentro de quatro paredes olhando para imagens numa tela iluminada,
e para se locomover, usa-se uma cápsula de metal.

- A revolução agrícola, a revolução industrial, a sociedade industrial são a separação definitiva entre espécie humana e mundo natural.

- a revolução agrícola (a soma da domesticação, divisão de trabalho, sedentarismo e cultura) acrescentou em nossa dieta uma maior proporção
de alimentos cozidos, de grãos, leite de outras espécies, um superconsumo de derivados animais.
Isto significa um super aumento no consumo de proteínas de origem animal, gorduras, carboidratos e açucares. A nossa alimentação ficou pobre
em vitaminas, enzimas, minerais e outras proteínas, ricos em alimentos naturais como frutas, folhagens e raízes. Nos privou da alimentação
integral, dando origem a problemas na dentição (caries, mas formações), alergias, obesidade, inúmeras outras enfermidades que atingem desde
os ossos até órgãos, nervos, músculos e pele.

- A revolução agrícola nos entupiu de cereais mas nos privou de inúmeras frutas.

- A revolução industrial ( a soma da domesticação, divisão de trabalho, cultura e tecnologia) por sua vez acrescenta na dieta humana o
consumo de alimentos sintéticos, processados, refinados, imersos em conservantes, coadjuvantes, estabilizantes, aromatizantes, corantes.

- A alimentação industrial juntamente com o ambiente urbano e hiper-tecnológico potencializa as enfermidades criados com a revolução agrícola
e nos acrescenta ainda mais novas enfermidades ainda mais crônicas. Neste sentido, é útil lembrar que as doenças tidas como incuráveis, por
exemplo, são resultado de uma soma de fatores do estilo de vida sedentario-urbano-industrial, pouco tem a ver com o resultado da ação de um
vírus. Um corpo debilitado é um corpo fértil para enfermidades.

- O retorno a um alimentação natural, livre de todos os aditivos industriais e do empobrecimento nutricional da agricultura é fonte de cura e
de vitalidade, fonte de vigor físico e espiritual.

- o feral não pratica a agricultura, mas eles sabe que da semente vem o fruto e o abrigo. o nômade feral estimula isso. Por onde passa sua
pegada é fértil.

- O nômade feral necessita de uma coisa: não ter nada. Nada que comprometa a sua mobilidade.

- O nômade feral necessita de uma segunda coisa: necessita aprender habilidades da Terra.
Fazer corda, fogo, tecer fios, tecidos, filtrar água, montar abrigos, confeccionar cestos, confeccionar ferramentas cortantes, ferramentas
macerantes, cerâmicas, apanhadores de frutas, canoas, confeccionar come madeiras, pedras.
aprender tais habilidades significa autonomia , significa retornar ao modo de vida natural, significa conhecer e respeitar como igual o lugar
e as espécies com quem habita

- Podemos atacar a civilização, podemos abandonar a civilização. O que define ataque? O que define abandono?

- Há situações em que a domesticação precisa ser atacada, mas inevitavelmente em todas as situações a domesticação deve ser abandonada.

- A domesticação é uma vaidade humana. É um exemplo de arrogância. A arrogância de subir num pedestal inexistente e querer ditar as regras
neste planeta, este é o significado de civilização.

- Nosso maior ataque a essa arrogância é recusar continuar com essa loucura e descer deste fantasioso pedestal - Abandonar a domesticação,
abandonar a civilização, abandonar o controle , fluir novamente, caminhar suavemente neste planeta e voltar a falar com os animais.




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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -11:38 PM



Terça-feira, Setembro 16, 2008 :::


"A dominação de um grupo sobre outro, a sociedade de classes, se origina na sedentarização do ser humano. Ainda vivemos com os mitos gerados na época dessa fixação em alguma parte de nossa mãe-terra: mitos da terra natal, do estrangeiro; mitos que limitam a visão do mundo, que mutilam. É óbvio que a reação não pode ser um retorno a um nomadismo do tipo praticado por nossos distantes ancestrais, que eram coletores. Homens e mulheres adquirirão um novo modo de ser, para além do nomadismo e do sedentarismo. Uma vida sedentária constituída pela inatividade corporal é a causa radical de quase todas as doenças somáticas e psíquicas dos atuais seres humanos. Uma vida ativa e não-fixa curará todos estes problemas sem medicina nem psiquiatria."

Jacques Camatte



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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -9:20 PM



Terça-feira, Agosto 12, 2008 :::

Receita nômade do dia:

Beterraba

como fazer:
você pega a beterraba e come



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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:11 PM



Domingo, Março 02, 2008 :::



Insurgência Nômade (fragmentos)
Feral faun


Agricultores se apossam da terra e trabalham nela. Posse e trabalho são as definições básicas da atividade dos agricultores. Nômades atravessam o espaço e o transformam através de interações - movimento e atividade são as atividades básicas dos nômades.
Agricultores necessitam de hábitos, rituais, consistência, unidade. Nômades quebram hábitos, transformam, variam, diversificam.
Agricultores idolatram a ordem. Nômades criam o caos.

A agricultura é a origem da ética do trabalho. Devido o agricultor ser aquele cuja a vida é criada para o trabalho do cultivo, o agricultor não pode criar nenhum momento para si que entre em conflito com as necessidades do trabalho agrícola - caso contrário, a lavoura fracassa e o agricultor perde sua identidade, e possivelmente sua sobrevivência. O tempo - uma constante e padronizada medição do movimento - é essencial para o agricultor - sua mobilidade pelo espaço não é mobilidade através do espaço - não essencialmente - mas sim o trabalho da terra. Isto é baseado em ordem, em controle de ciclos medidos.

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@

Nomadismo - pelo menos em atitude - é essencial para a autonomia. A recusa da permanência, a recusa de uma pátria. Quando todo o espaço e tempo é formalmente dominado pelos relacionamentos que constituem o contexto social, autonomia consiste em aparentemente não estar lá... O segredo desta invisibilidade é o movimento constante... Encontrando brechas onde a dominação não é efetiva... desafiando a sociedade com a sua criatividade autônoma... desaparecendo antes que as forças presentes da dominação possa suprimir o desafio... uma dança habilidosa, arriscada. Movimento físico não é necessário para esta estratégia - e sim, a habilidade de escapar de classificações, de evitar ser pego. Porém o movimento físico pode improvisar algumas possibilidades. Quanto mais amplo é o terreno por onde se atravessa, mais vasta é a possibilidade para as rupturas radicais, para a descobertas de fendas, para o jogo selvagem... Num contexto de tal travessia, zonas permanentes de auto-escravidão se tornam aspectos do contexto social a serem subvertidos para os usos e desafios provocadores dos nômades insurgentes, em qualquer modo que faça sentido e em qualquer caso. Não existe receitas para a autonomia.

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@

Os lugares assentados e as vidas estabelecidas se tornam cada vez mais estranhas para mim. Há algo demasiado ordenado a cerca da maioria das vidas e lugares. Isso me deixa louco - Eu quero destruir isso. É por isso que eu aprecio cada indivíduo que atualmente rompe com isso, e o porque que fico ansioso quando fico tão assentado. Eu começo a me sentir como se eu não pertencesse - ai eu lembro que o conceito de pertencer é um absurdo. Preciso fazer de cada lugar através do qual eu passo como meu, até o momento em que esteja bom o suficiente.

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@

Um dos motivos para evitar fazer projetos insurgentes... com pessoas inaptas.. é que sua faculdade crítica se torna gasta ao ponto de suas idiotices. Melhor ignorar os idiotas e criar projetos com aqueles que não são presos por todas as velhas ideologias. Assim nossas faculdades críticas podem ser direcionadas em criarmos a nós memos como insugentes, transformando nossas interações e nossas vidas diárias e vindo a um entendimento da sociedade que precisamos destruir. Usar nossas faculdades críticas contra alvos fáceis pode destruí-los. Usá-las para criar a vida que desejamos, em guerra com a autoridade, as afia. Crueldade é necessário.

@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@

A ilegalidade insurgente não é para ser confundida com criminalidade. Sim, os insurgentes fora da lei cometem crimes e podem fazer bem manter algumas conecções com o submundo periférico... porém os criminosos profissionais usam o crime como uma forma de vida, onde o insurgente fora da lei está conscientemente minando as tradições, costumes e leis da sociedade. O criminoso inteligente terá amigos entre os executores da lei, porque esse é um bom negócio; O insurgente fora da lei irá evitar tais conexões, porque seu desejo é a criação de uma vida que não reconheça a lei... Qualquer conexão com os executores da lei irá colocar em perigo tal vida. Existem foras da lei que desejam apenas substituir a lei do Estado pela lei moral. O insurgente fora da lei é amoral - rejeita a lei em todas as suas formas, porque isto restringe a sua vida e limita suas possibilidades. Um insurgente fora da lei pode destruir um ítem roubado, pode vender no mercado negro, ficar com ele ou dividir entre os amigos - da maneira que lhe convém. Pode roubar um banco e usar o dinheiro para um projeto, esbanjar com os amigos, fazer uma viagem ou queimar o dinheiro. Mas os foras da lei morais irão se sentir obrigados a usar todos os bens roubados para suas causas abraçadas.

Criminosos profissionais não são foras da lei. Eles dançam com a lei, e a mudam para seus próprios fins; Eles quebram a lei não pela revolta, mas por razões econômicas. Com suas subculturas, eles praticamente possuem leis e métodos de executá-las. Mas seus trabalhos ilegais são melhores do que muitos trabalhos legais porque envolvem elementos de risco: a emoção de ser mais esperto. Pode ser inteligente para o criminoso profissional ficar em algum lugar, para criar conecções estabelecidas. Mas e para o insurgente fora da lei? Não, nunca em um lugar por muito tempo. O insurgente fora da lei não quer mais estar integrado na subcultura criminal, tão pouco na cultura dominante ou em qualquer subcultura alternativa...

O insurgente fora da lei está conscientemente tentando aumentar seu poder de auto-criação em oposição a sociedade. Sua habilidade para isso exigem destreza, coragem e a capacidade de se tornar invisível. Desta forma, insurgentes fora da lei muitas vezes vivem como vagabundos - passando por, mas nunca se assentando e se tornando definido. Suas vidas, assim como suas atividades ilegais, são ataques contra o sistema.




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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -8:54 PM



Terça-feira, Janeiro 29, 2008 :::


John Zerzan em Sto Andre. SP

debate sobre Magia e Anarquia, dia 9/2/2008 (Logo depois do carnaval...)


Magia e Anarquia

Propomos esse debate a fim de firmar e integrar experiências variadas
no campo da anarquia verde, da pedagogia libertária, da gratuidade e
da questão do simbólico e da representação, que parecem
convergir para uma "nova" concepção de anarquia.
O estudo da vida secreta e livre das plantas, cuja ?ânima? é
confirmada inclusive por experimentos científicos e elétro-magnéticos;
o estudo da liberdade da relação entre corpo, mente e mundo na
pedagogia libertária, com seus efeitos diretos de transformação não
apenas ilusórias mas reais; a crítica ao simbólico
(e ao poder) como "representação", buscando uma alternativa que troque
o "representante" pelo "presente", com as teorias anti-utilitaristas
da "dádiva" bem como os estudos sobre xamanismo e a "sociedade contra
o Estado"... Todas essas perspectivas parecem concentrar algum
sentido comum, ou gerar desvios interessantes.
É com base nisso que propomos esse debate.
O Ativismo ABC apresentará uma visão sobre livros "A Criança Mágica" e
"A Vida Secreta das Plantas" e sobre teorias da dádiva.
Contaremos com alguns convidados que também apresentarão suas visões e
poéticas sobre esses assuntos.
Por ora, já é certa a presença do filósofo norte-americano John
Zerzan. Estamos aguardando a confirmação de outro convidado
latino-americano.
Cada apresentador terá por volta de 20 minutos para fazer sua fala,
depois das quais o debate será aberto a todos os presentes.

CONVIDAMOS VOCÊ TAMBÉM PARA PARTICIPAR! A ENTRADA É GRATUITA!

Sábado, 9/2/2008, abertura a partir das 16h.

(Esperamos fazer mais debates dentro de temas conexos, abrindo para
novas possibilidades, sempre misturando debatedores de nosso coletivo
com convidados de fora.)

Casa da Lagartixa Preta "Malagueña Salerosa"
R. Alcides de Queirós, 161 - Bairro Casa Branca, Santo André (SP).
Travessa da Av. Arthur de Queirós.
A doze minutos da Estação Santo André (você chega na Estação via trem,
ônibus ou tróleibus e segue à pé pela Av. General Glicério até a Av.
Arthur de Queirós).
Outras referências por ordem de proximidade: Academia Gerson Dória;
Eletropaulo; Firestone; Corpo de Bombeiros.

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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:40 PM




John Zerzan em Belo Horizonte , MG

com a palestra:

Primitivismo, anarquia-verde e anti-civilização

John Zerzan (1943) é um anarquista norte-americano que se destacou na
segunda metade da década de 1980. Enquanto filósofo e escritor é
considerado um dos expoentes do Primitivismo.

Seus trabalhos focam o processo de origem e as conseqüências do
surgimento da civilização agrícola bem como sua inerente opressão,
defendendo, assim, formas inspiradas no modo de vida das sociedades
humanas pré-históricas como modelos de sociedades plenas de liberdade.
Algumas de suas críticas mais desafiadoras se estendem ao processo da
domesticação à linguagem, ao pensamento simbólico (como matemática e
arte) e à conceituação de tempo.
Obra selecionada:

* Elementos da Rejeição (1988)
* Futuro Primitivo (1994)
* Contra a Civilização: Um Leitor (1998)
* Correndo no Vazio (2002).*

*Dia 11/02 (segunda-feira)
Horário: 10:30

Local: PUC Minas - **Av: Dom José Gaspar, 500 Coração Eucaristíco - Belo
Horizonte - MG
Prédio 30*

Organização:
Departamento de História, Centro Acadêmico de História Francisco
Iglésias e Carnaval Revolução (www.carnavalrevolucao.org).


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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:29 PM




CENTRO DE CULTURA SOCIAL
convida para

Anarquismo hoje: domesticação, controle, resistências.

Com John Zerzan, filósofo e anarquista americano percursor do Primitivismo;
autor de "Futuro Primitivo" e "Contra a Civilização".

08 de Fevereiro de 2008, 19h30
rua gal. jardim nº 253 - sala 22 - 2ª sl.
vila buarque (metrô república).


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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:25 PM




Erva daninha #2
publicação anarquista anti-civilização

Já Saiu!



neste número:

- Roube de volta a sua vida- Feral Faun
- Algumas palavras sobre domesticação, revolta
e de que lado nós estamos - Polar
- Dez Golpes Contra a Política - Il pugnale
- Anarquia Verde vs Anarquismo Clássico - Green Anarchy
collective
- Biocentrismo vs antropocentrismo - Green anarchy
collective
- O outro lado da história - Massimo Passamani
- Contra o industrialismo - Derrick Jensen
- Ned Ludd estava certo !
- Dicionário niilista: tecnologia - John zerzan
- 7 mentiras sobre a civilização - Ran Prieur
- A questao do cultivo - Wildroots
- Por que antiprisão? - 325 collective
- Solidariedade revolucionária - Pierleone Porcu
- Uma introdução a anarquia: Religião, espiritualidade e
anarquia - Anônimo
- Niilismo como estrategia - A!
- Patriarquismo, civilização e as origens do genero -
John Zerzan


40 páginas
Como pedir a versão Impressa?
Envie 3 Reais (preço do Zine) + 1 real (custos de envio)
para o endereço:
a/c Eduardo - erva daninha
Caixa Postal 52 , Cep 09510 - 970
São Caetano do Sul - SP - Brasil



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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:23 PM



Sexta-feira, Janeiro 18, 2008 :::



www.carnavalrevolucao.org

Café da manhã, almoço, lanches e jantar vegano (sem nenhum ingrediente de
origem animal).

Presenças confirmadas:
John Zerzan (EUA),
Jesus Sepúlveda (Chile),
Gato Negro (BH),
Erva Daninha,
FARJ (RJ) e mais...

R$ 6,00 (Por dia, exceto festas. Alimentação não inclusa.)

Locais (na Consolação):

Espaço Impróprio
Rua Dona Antonia de Queiroz, 40

E.E. Profª Marina Cintra
R. da Consolação, 1289

Sem drogas ou álcool no local e ao fumar seu cigarro use o bom senso.

Informações: (11) 3255.5274
Assessoria de imprensa: (31) 8722.4374 ou (31) 9778.1368

Caravanas

BH
R$100 (Van)
Interessad@s: pinteba@hotmail.com

ES
+-R$160 (Depende da quantidade de pessoas)
Scrap para: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=2301468574773930619

RJ
anarcoagro@riseup.net

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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:06 AM



Quarta-feira, Agosto 15, 2007 :::


Erva Daninha do dia: Beldroega



Você já deve ter pisado em muitas delas, ou mesmo te-las arrancado achando que era "matinho" que crescia no seu quintal, sem saber que muitas dessas plantas consideradas "daninhas" são comestíveis e medicinais - e além de saborosas, são muito nutritivas. (...)

Uma Planta bem comum em várias regiões do pais é a beldroega (Portulaca oleraceae). As folhas e o caule podem ser consumidos crus em saladas ou refogados e as sementes comidas cruas ou misturadas na massa de bolos e pães. Além de ser deliciosa, a beldroega é rica em cálcio, ferro, proteínas e vitaminas A, B e C e ômega 3. As folhas são usadas em problemas digestivos e possuem ação diurética ; maceradas, podem ser aplicadas em queimaduras, em dores musculares; e como cicatrizantes através do uso como unguento ou cataplasma, aplicando de duas a três vezes por dia na região.

Dica: Experimente a beldroega alho e óleo, ou misture suas folhas e talos picados com tomate, temperando com sal, limão e azeite - fica um delicia!

Erva Daninha #1


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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:10 PM



Quinta-feira, Julho 05, 2007 :::


Atualizações Daninhas

olá a todos!!
O site do Erva Daninha - iniciativa anarquista-verde foi atualizado!

httP://ervadaninha.sarava.org

*O Erva Daninha Zine #1 Já pode ser acessado virtualmente.

*A Página das Edições Daninhas Também esta on-line, uma quantidade de publicações, panfletos e outros
materiais com foco nas propostas anarquistas insurrecionárias anti-civilização.

*A Biblioteca também está atualizada, textos corrigidos, novas traduções e artigos.

*Os links também foram atualizados!

Nos vemos nas ruas (ruínas)!


Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -3:03 AM






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_______________

Iniciativa Anti-Domesticação



links:
Erva Daninha-Site
Edições Daninhas
largue
insurgentdesire.org.uk
ArtedocaoS
loitaluddita
Green Anarchy
Green Anarchist-uk
taoteblog
greenanarchy.info
primitivism.org
antipolitics
ProjetoPeriferia
freegan.info
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